Entretenimento
Onde há 1 doutor para cada 590 moradores, essa cidade atrai pela qualidade de vida e o maior São João do mundo
Qualidade de vida e cultura popular em um dos maiores festejos do Brasil.
No alto do Planalto da Borborema, a 551 metros de altitude, Campina Grande mistura sanfona com código de programação. A segunda maior cidade da Paraíba abriga um dos maiores centros tecnológicos da América Latina e, todo mês de junho, vira o maior arraial de São João a céu aberto do mundo.
De entreposto de tropeiros a referência global em tecnologia
A história começa em 1697, quando o aldeamento indígena dos ariús servia de parada entre o litoral e o sertão. Tropeiros transformaram o pouso em feira de gado, e a feira virou vila. Em 1864, Campina Grande ganhou título de cidade. O salto veio com o algodão: nos anos 1940, o município era o segundo maior exportador da fibra no mundo, atrás apenas de Liverpool.
Quando o ciclo algodoeiro perdeu força, a cidade apostou em educação. Em 1967, foi a primeira do Nordeste a receber um computador, um mainframe da IBM. Hoje, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) alimentam um ecossistema de startups e empresas de software. Em 2001, a revista americana Newsweek incluiu a cidade entre nove centros tecnológicos de destaque no mundo, a única representante da América Latina.

Como é viver na Rainha da Borborema?
Com cerca de 440 mil habitantes, segundo o IBGE, Campina Grande oferece estrutura de cidade grande sem o caos das capitais. São 21 universidades e faculdades, três delas públicas. A proporção de doutores é a maior do país: 1 para cada 590 moradores, seis vezes acima da média nacional.
A altitude garante noites mais frescas que no litoral paraibano, com mínimas que chegam a 15 °C no inverno. O custo de vida é menor que o de João Pessoa e Recife, e a posição geográfica favorece: a capital fica a 128 km, Natal a cerca de 250 km e Recife a aproximadamente 200 km.
Campina Grande é destaque em qualidade de vida. O vídeo é do canal Cidades do Interior, com mais de 18 mil inscritos, e exibe a infraestrutura e o desenvolvimento urbano da Rainha da Borborema:
O que o Maior São João do Mundo tem de especial?
Durante 30 dias de junho, o Parque do Povo se transforma num arraial de 42 mil m² com palcos de forró, barracas de comida típica e apresentações de mais de 200 quadrilhas. A festa nasceu quase improvisada em 1983, numa palhoça montada para receber campinenses que voltavam para as festas juninas. Em cinco anos, já era destaque no calendário da Embratur.
Em 2025, a Prefeitura de Campina Grande registrou dois recordes validados pelo RankBrasil: o maior quadrilhão junino do mundo, com 1.303 pares dançando ao mesmo tempo, e o maior bolo de milho do mundo, com 49,41 metros de comprimento e 692 kg. A festa atrai mais de 2 milhões de visitantes e movimenta centenas de milhões de reais na economia local.

Onde passear além do Parque do Povo?
A Rainha da Borborema reserva atrações durante o ano inteiro. Boa parte delas fica a uma caminhada do centro.
- Açude Velho: cartão-postal de 1830, com calçadão, quiosques e as estátuas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro às margens.
- Museu de Arte Popular da Paraíba: projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 2012, abriga o maior acervo de arte popular do estado. Fica à beira do Açude Velho.
- Vila do Artesão: chalés de madeira com rendas, cerâmicas e peças em algodão colorido, fibra desenvolvida por pesquisadores da região.
- Museu do Algodão: funciona na antiga estação ferroviária e conta a era em que a cidade rivalizava com Liverpool.
- Parque da Criança: maior área verde urbana, com lago, trilhas e quadras esportivas.

Carne de sol, cuscuz e bode: a mesa campinense
Campina Grande é conhecida como a Terra da Carne de Sol, e o título faz jus. No Bar do Cuscuz, à beira do Açude Velho, a carne de sol na nata é parada obrigatória. O Bodódromo, no bairro José Pinheiro, serve bode assado com macaxeira e queijo coalho ao som de forró pé de serra ao vivo.
A Feira Central completa a experiência: bancas de tapioca fresca, buchada, frutas do semiárido e temperos regionais. Durante o São João, o Parque do Povo vira um corredor gastronômico com cartola (banana frita com queijo e canela), pamonha, canjica e quentão.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
A altitude de 551 metros suaviza o calor típico do Nordeste. Invernos secos e amenos são a marca da cidade.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do forró e da tecnologia?
Campina Grande fica a 128 km de João Pessoa pela BR-230, cerca de 1h40 de carro. O Aeroporto Presidente João Suassuna recebe voos regionais e fica a 6 km do centro. Para quem vem de Recife, a distância é de aproximadamente 200 km pela BR-104.
Leia também: Nossos pais ensinavam que quando um mais velho falava a gente parava e prestava atenção.
A cidade que programa de dia e dança forró à noite
Campina Grande consegue algo raro: unir a efervescência de um centro universitário com a tradição mais viva do Nordeste. Poucas cidades brasileiras entregam, no mesmo endereço, pesquisa de ponta, gastronomia sertaneja e o maior arraial do planeta.
Você precisa subir a Borborema e sentir Campina Grande de perto, seja no frio de junho com cheiro de milho e caninha, seja numa tarde qualquer à beira do Açude Velho.