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Onde o mar existia há 300 milhões de anos, esta cidade revela um dos maiores espetáculos geológicos do Brasil
Rochas moldadas quando a região era um oceano.
Torres de rocha esculpidas quando a região era fundo de um oceano antigo transformaram Ponta Grossa em um dos cenários geológicos mais impressionantes do sul do Brasil. A cidade paranaense combina paisagens de outro planeta, herança tropeira e uma vida urbana movida por universidades e cervejarias artesanais.
A cidade que nasceu no Caminho das Tropas
A origem de Ponta Grossa está ligada ao Caminho das Tropas, rota que cruzava os Campos Gerais no século XVIII levando gado do Rio Grande do Sul a Sorocaba. Os campos limpos favoreciam a alimentação dos animais, e a distância até Castro equivalia ao trajeto que uma tropa percorria em um dia, o que fez do local ponto estratégico de pouso.
A localidade foi elevada à vila em 1855 e à cidade em 1862, segundo registros da Câmara Municipal de Ponta Grossa. Com a chegada da Estrada de Ferro, virou o maior entroncamento rodoferroviário do interior paranaense e atraiu imigrantes ucranianos, alemães, poloneses, italianos, russos e sírio-libaneses.
Esse crescimento inspirou o apelido de Princesa dos Campos, que reúne paisagem, memória tropeira e o orgulho de ocupar um lugar central na história do Segundo Planalto Paranaense.

Vila Velha, um museu geológico a céu aberto
O principal cartão-postal da região fica a cerca de 20 km do centro. O Parque Estadual de Vila Velha foi criado em 1953, o primeiro do Paraná, e tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual em 1966.
São 3.122 hectares divididos em três atrações principais: os arenitos, esculpidos há cerca de 300 milhões de anos e batizados com nomes como Taça, Camelo e Esfinge; as furnas, poços de desabamento com aproximadamente 100 metros de profundidade e metade alagados por lençol freático; e a Lagoa Dourada, que ganha reflexos amarelados sob o sol.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Paraná (SEDEST), o parque abre todos os dias exceto às terças, das 9h às 17h. É o primeiro parque estadual concedido à iniciativa privada, com contrato assinado em fevereiro de 2020.

O Buraco do Padre e a fenda entre paredões
A 24 km do centro, em pleno Parque Nacional dos Campos Gerais, está uma das furnas mais fotografadas do país. O Buraco do Padre abriga uma cascata de 30 metros formada pelo Rio Quebra Perna, que desagua dentro de um anfiteatro rochoso.
O nome vem do século XVIII, quando padres jesuítas usavam o alto do platô para meditação. O local é sítio geológico reconhecido pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos desde 2002. A trilha principal tem 880 metros com passarelas de madeira, acessível para quase todas as idades.
No mesmo circuito estão a Fenda da Freira, corredor arenoso de cerca de 300 metros entre paredões esverdeados, e o Poço Encantado. A Cachoeira da Mariquinha completa o roteiro natural para quem tem mais tempo.

O que fazer na Princesa dos Campos
Para além dos parques, a cidade guarda um centro histórico moldado pela ferrovia e pela imigração. As atrações urbanas cabem em um roteiro curto e complementam bem os passeios naturais.
- Estação Saudade: antiga estação ferroviária restaurada, hoje biblioteca e espaço cultural gratuito no centro.
- Museu Campos Gerais: instalado na Mansão Vila Hilda, preserva o acervo sobre o tropeirismo e a formação regional.
- Catedral Sant’Ana: matriz na colina mais alta do centro histórico, marco fundador da cidade.
- Cine-Teatro Ópera: casa do início do século XX, referência arquitetônica com programação regular.
- Cânion do Rio São Jorge: paredões e cachoeiras a cerca de 40 km do centro.
- Cervejarias artesanais: a Princesa dos Campos concentra dezenas de rótulos locais, herança da imigração alemã.
A cozinha dos tropeiros ainda serve mesa
A gastronomia carrega a herança direta dos comboios que cruzavam os Campos Gerais no século XIX. A cozinha mistura ingredientes rústicos com técnicas passadas de geração em geração.
- Entrevero de charque: carne seca refogada com cebola e temperos, herança tropeira servida em quase todo restaurante regional.
- Paçoca de carne: charque desfiado com farinha de mandioca, acompanhamento clássico do interior paranaense.
- Varenike: pastel cozido de origem ucraniana, presente em festas comunitárias e restaurantes típicos.
- Cervejas artesanais: rótulos locais fermentam a herança germânica e dividem espaço com as fábricas da Ambev e Heineken.

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Como é o clima de Ponta Grossa durante o ano?
A cidade fica a cerca de 900 metros de altitude no Segundo Planalto, com clima subtropical bem marcado. Os invernos são frios e os verões amenos em comparação ao restante do Paraná.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ponta Grossa
Ponta Grossa fica a cerca de 115 km de Curitiba, com acesso pela BR-376 (Rodovia do Café) e pela BR-277. O Aeroporto de Ponta Grossa opera voos regionais, e a maioria dos visitantes chega de carro pela capital paranaense em cerca de 90 minutos.
Conheça a cidade das rochas antigas
A Princesa dos Campos entrega um cenário raro: rochas de 300 milhões de anos ao alcance de trilhas curtas, herança tropeira preservada em ruas e restaurantes, e furnas que desafiam a escala humana. Poucos destinos brasileiros oferecem tanta geologia em tão pouco espaço.
Você precisa conhecer Ponta Grossa e caminhar entre os arenitos que já foram fundo do mar.