Pablo Picasso, pintor espanhol, sobre a idade: "Leva-se muito tempo para se tornar jovem." Uma reflexão de quem continuou criando até os 91 anos sobre a liberdade que só a maturidade traz - Super Rádio Tupi
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Pablo Picasso, pintor espanhol, sobre a idade: “Leva-se muito tempo para se tornar jovem.” Uma reflexão de quem continuou criando até os 91 anos sobre a liberdade que só a maturidade traz

Pintor que ajudou a criar o cubismo fez mais de cem telas entre 1968 e 1972 e chocou o público em Avignon com obras ousadas na reta final da vida

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Picasso continuou experimentando até os 91 anos, com obras ousadas na reta final da vida
Picasso continuou experimentando até os 91 anos, com obras ousadas na reta final da vida - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Pablo Picasso morreu em 8 de abril de 1973, em Mougins, no sul da França, aos 91 anos e sete meses. A frase “Leva-se muito tempo para se tornar jovem” resume bem o que a trajetória dele mostra: o envelhecimento não apagou a vontade de experimentar. Pelo contrário, as obras da reta final estão entre as mais ousadas do pintor espanhol e ajudam o leitor a enxergar a idade de outro jeito.

Como Pablo Picasso revolucionou a pintura com o cubismo?

Picasso mudou a pintura ao lado de Georges Braque, com quem criou o cubismo no começo do século 20. Segundo o Musée national Picasso-Paris, os estudos para Les Demoiselles d’Avignon começaram no inverno de 1906. A tela ficou pronta no ano seguinte e chocou o público com suas distorções geométricas.

Em novembro de 1907, o poeta Guillaume Apollinaire apresentou Braque a Picasso. Até 1912, os dois fragmentaram objetos em cubos, retângulos e cilindros, quase sem cor, na fase chamada de cubismo analítico. Depois veio o cubismo sintético, com letras e materiais do dia a dia na tela. Para o museu, Natureza-morta com cadeira de palhinha, de 1912, é a primeira colagem da história da arte.

O que Picasso produziu depois dos 85 anos em Mougins?

Depois dos 85 anos, o artista seguiu produzindo em grande quantidade, já que a saúde permitia manter o ritmo, segundo a página do museu sobre os últimos anos de Picasso. Entre 1968 e 1972, foram mais de cem pinturas e centenas de gravuras, feitas em Notre-Dame-de-Vie, a casa perto de Mougins onde viveu com Jacqueline.

Picasso e Georges Braque desenvolveram o cubismo ao fragmentar objetos em formas geométricas
Picasso e Georges Braque desenvolveram o cubismo ao fragmentar objetos em formas geométricas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Esse fôlego não se resumiu a quantidade. Em 1970, a exposição no Palácio dos Papas, em Avignon, reuniu mais de 160 pinturas e cerca de 45 desenhos. A mostra provocou escândalo pelas cores fortes, pelos temas eróticos e pelos formatos grandes.

Os marcos dessa fase mostram um homem que seguia inquieto. A tabela abaixo organiza as datas com base nas informações do museu parisiense.

A reta final de PicassoLINHA DO TEMPO
Principais fatos dos últimos anos do pintor
Ano O que aconteceu
1961 Compra de Notre-Dame-de-Vie, último ateliê e última casa
1970 Mostra no Palácio dos Papas, em Avignon
1971 Obras na Grande Galeria do Louvre pelos 90 anos
1972 Série de autorretratos desenhados com o rosto como máscara
1973 Morte em Mougins, em 8 de abril

A sequência mostra que a homenagem oficial não fez o pintor desacelerar. Ele chegou aos 90 anos celebrado no Louvre e, mesmo assim, voltou ao papel no ano seguinte.

Quem gosta de reflexões sobre a passagem do tempo tem outra leitura no site, a partir de uma frase de Benjamin Franklin sobre aquilo que a gente adia.

Por que a maturidade pode trazer liberdade para criar?

A maturidade pode trazer liberdade porque tira de cena a necessidade de provar alguma coisa. Picasso já era consagrado: em 1966, uma grande homenagem organizada por Jean Leymarie levou suas obras ao Grand Palais e ao Petit Palais, em Paris.

Nos autorretratos de 1972, Picasso encarou a própria finitude sem abandonar a criação
Nos autorretratos de 1972, Picasso encarou a própria finitude sem abandonar a criação – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Mesmo assim, ele não ficou repetindo fórmulas. Os autorretratos de 1972, com a cabeça transformada em máscara, mostram um artista encarando a própria finitude sem largar o lápis. É aí que a ideia de “se tornar jovem” ganha sentido: juventude, nesse caso, é coragem de arriscar, e não a data na certidão.

Para o leitor, a lição não depende de talento de gênio. A criatividade que resiste ao envelhecimento tem a ver com curiosidade, rotina de trabalho e disposição para errar, hábitos que se cultivam ao longo da vida.

O que a velhice criativa de Picasso ensina ao ouvinte?

A velhice criativa do pintor ensina que envelhecer não precisa ser sinônimo de parar. O homem que ajudou a inventar o cubismo antes dos 30 anos seguia testando caminhos depois dos 90, sem pedir licença ao público nem à crítica.

Essa maturidade inquieta vale para o aposentado que resolve aprender violão, para a avó da Baixada que começa a pintar e para quem volta a estudar depois dos 60. Que tal tirar da gaveta aquele projeto que você vem adiando e começar hoje, no seu ritmo?

Se a curiosidade bateu, vale também conhecer de perto lugares onde arte e história se misturam nas ruas, como uma cidade nordestina tombada pela Unesco.

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