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Pai bilionário comprou clube da Série C e colocou a filha de 23 anos no comando

Presidente mais jovem do futebol italiano vê Ternana Calcio centenário caminhar para o naufrágio

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Pai bilionário comprou clube da Série C e colocou a filha de 23 anos no comando
Aquisição do Ternana pelo Grupo Villa Claudia começa com esperança e termina sob investigação em Terni (Imagem ilustrativa)

Em setembro de 2025, a notícia correu o mundo como exemplo de renovação cultural no futebol italiano. Uma jovem de 23 anos assumia a presidência de um clube centenário, prometendo gestão moderna, transparência financeira e mais espaço para mulheres no esporte. Os holofotes internacionais brilharam, os adeptos sonharam e os jornais publicaram manchetes esperançosas. Oito meses depois, o cenário era outro: liquidação anunciada, processos no Ministério Público de Terni e o desaparecimento iminente de uma instituição com 100 anos de história. Eis o que aconteceu entre o anúncio e o naufrágio.

Quem é Claudia Rizzo e por que ela assumiu a presidência?

Filha do empresário Gian Luigi Rizzo, dono do Grupo Villa Claudia, ela foi nomeada por decisão familiar logo após a aquisição do clube em 15 de setembro de 2025. Aos 23 anos, com diploma em Global Management, Claudia Rizzo se tornou a presidente mais jovem do futebol italiano e a primeira mulher a liderar o Ternana Calcio em seu ano de centenário, conforme detalhou reportagem do jornal A Bola.

O perfil da nova dirigente carregava ingredientes para virar caso de estudo de gestão moderna. Confira os elementos centrais da operação anunciada:

  • Aquisição financiada pelo Grupo Villa Claudia, conglomerado de saúde privada com clínicas em Roma e Siracusa.
  • Promessa de gestão baseada em sustentabilidade financeira, vínculo comunitário e transparência.
  • Tiziana Pucci nomeada administradora única do clube, em rara dupla feminina no comando.
  • Massimo Ferrero, ex-presidente da Sampdoria, contratado como consultor de desenvolvimento esportivo.
  • Discurso de aproximação com a torcida do Ternana e foco nas categorias de base.

Por que a operação levantou suspeitas desde o início?

Porque o pacote vinha com um nome polêmico anexado. Massimo Ferrero, anunciado como reforço estratégico da nova diretoria, havia sido preso em 2021 sob acusações de falência fraudulenta e crimes corporativos relacionados a empresas anteriores. A escolha gerou desconfiança entre torcedores e veículos especializados, mesmo antes de Claudia oficializar suas primeiras decisões esportivas.

Para entender o tamanho da apostas, veja como o Ternana se posicionava no cenário do futebol italiano:

AspectoDado
Fundação do clube1925, completando 100 anos em 2025
Cidade-sedeTerni, região da Úmbria
Temporadas na Serie A2 (1972/73 e 1974/75)
Temporadas na Serie B28 ao longo da história
Divisão atualSerie C, Grupo B
Treinadores históricosCesare Maldini, Luigi Delneri
Posição em maio de 20265º lugar, com vaga no playoff de subida

O que deu errado na promessa de gestão moderna?

O choque entre o discurso de transparência e a prática administrativa veio rápido. Em fevereiro de 2026, a própria presidente acionou o advogado Manlio Morcella para protocolar denúncia formal junto ao Ministério Público de Terni contra a administradora única Tiziana Pucci e o consultor Massimo Ferrero, conforme reportou a agência italiana AGI. Segundo a notícia, ambos foram considerados inadequados aos papéis que ocupavam.

O paradoxo dolorido é que, dentro de campo, a equipe respondeu bem. O Ternana terminou a temporada em quinto lugar no Grupo B da Serie C, conquistando vaga no playoff de acesso à Serie B. O problema nunca esteve no gramado: estava nos despachos administrativos, nos contratos e nas estruturas financeiras herdadas e mal renegociadas pelo novo grupo controlador.

Como o clube acabou liquidado em menos de um ano?

Por uma combinação de crise financeira, conflitos internos e descumprimento das exigências regulatórias da federação italiana. Em maio de 2026, foi confirmada a liquidação da sociedade desportiva, decretando o desaparecimento do Ternana do futebol profissional do país. Antes que outras famílias de empresários repitam a mesma fórmula, vale registrar as lições que o caso deixou para a gestão esportiva:

  1. Comprar um clube e nomear herdeiro sem experiência setorial não substitui curva de aprendizado real.
  2. Consultores com histórico judicial pesado contaminam a credibilidade da nova diretoria desde o primeiro dia.
  3. Saúde financeira no futebol italiano exige conhecimento profundo das regras da Lega Italiana Calcio.
  4. Resultado esportivo positivo não compensa falhas administrativas estruturais.
  5. Transparência prometida em coletiva precisa virar prática contábil mensal.
  6. Clubes centenários carregam passivos invisíveis que só aparecem após auditoria detalhada.

O que o caso Ternana ensina sobre liderança feminina no esporte?

Que representatividade sozinha não basta. Colocar uma mulher jovem na presidência foi gesto simbólico importante para o futebol italiano, mas o cargo precisava vir acompanhado de equipe técnica robusta, independência decisória e tempo suficiente para construir reputação. A história de Claudia Rizzo não invalida o avanço da liderança feminina no esporte, apenas mostra que nenhum gesto isolado resolve as fragilidades estruturais de um clube em crise. Fica o registro: o futebol europeu ainda precisa abrir espaço de verdade para mulheres dirigentes, e isso significa muito mais do que entregar uma cadeira simbólica em um clube prestes a quebrar.