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Parece cena de ficção, mas é real: nova espécie de tubarão usa as nadadeiras para “andar” no fundo do mar
Uma nova espécie de tubarão que anda foi identificada em Papua-Nova Guiné
Uma nova espécie de tubarão que anda foi identificada em águas rasas de Papua-Nova Guiné e chamou atenção por uma habilidade que parece saída de ficção: em vez de apenas nadar, ela usa as nadadeiras peitorais e pélvicas como apoio para se mover lentamente sobre recifes, rochas e fundo marinho. Batizado de Hemiscyllium dudgeonae, o animal pertence ao grupo dos tubarões-epaulette, pequenos tubarões de recife conhecidos por uma forma de locomoção rara e impressionante.
Que tubarão é esse que “anda” no fundo do mar?
O Hemiscyllium dudgeonae é um pequeno tubarão de recife, de hábitos noturnos, encontrado em uma área restrita no sudeste de Papua-Nova Guiné. Ele faz parte de um grupo conhecido como tubarões-caminhantes, que vivem perto do fundo e conseguem se deslocar usando as quatro nadadeiras como se fossem membros de apoio.
Apesar do nome assustar, não se trata de um grande predador perigoso para humanos. Esses tubarões se alimentam principalmente de pequenos invertebrados encontrados no fundo do mar e costumam viver em ambientes rasos, associados a recifes de coral.
Como os cientistas perceberam que era uma espécie nova?
A descoberta aconteceu durante mergulhos noturnos em Milne Bay, uma região de águas costeiras no sudeste de Papua-Nova Guiné. A equipe procurava tubarões-epaulette já conhecidos quando encontrou um animal com padrão de cor diferente.
O detalhe que chamou atenção foi o corpo marrom com pequenas marcas claras, incluindo traços brancos e pintas, em vez do padrão esperado em espécies próximas. Depois, os pesquisadores encontraram outros indivíduos com a mesma aparência e confirmaram, por análise genética, que se tratava de uma espécie ainda não descrita.

Por que ele consegue andar com as nadadeiras?
O movimento acontece porque esses tubarões usam as nadadeiras peitorais e pélvicas para empurrar o corpo contra o fundo. O resultado lembra uma caminhada lenta, principalmente quando o animal atravessa recifes rasos, poças de maré e áreas com pouca água.
Essa habilidade é útil em ambientes onde nadar livremente nem sempre é a melhor opção. Em recifes rasos, o tubarão precisa passar por fendas, pedras e áreas com oxigênio variável. Entre as vantagens desse comportamento estão:
- Movimentar-se em trechos rasos durante a maré baixa.
- Explorar frestas e buracos em busca de alimento.
- Evitar depender apenas da natação contínua.
- Permanecer ativo em áreas de recife mais difíceis.
- Aproveitar habitats onde grandes predadores têm mais dificuldade de circular.
O que torna essa espécie diferente das outras?
O novo tubarão foi diferenciado por uma combinação de características. O padrão corporal é um dos sinais mais visíveis, com sardas marrons, manchas claras, pequenos traços brancos e uma marca escura semelhante a um olho atrás da cabeça.
A genética também foi decisiva. Em grupos parecidos, a aparência sozinha pode confundir. Por isso, os cientistas compararam amostras de DNA com outras espécies do gênero Hemiscyllium. O resultado confirmou que o animal representa a décima espécie conhecida desse grupo de tubarões-caminhantes.

Por que a descoberta já preocupa os pesquisadores?
A descoberta é fascinante, mas também acende um alerta. Até agora, o Hemiscyllium dudgeonae parece viver em uma área muito limitada. Espécies com distribuição pequena podem sofrer mais rapidamente quando o habitat muda, porque não têm muitas regiões alternativas para se recuperar.
Entre os riscos apontados para esse tipo de tubarão estão degradação de recifes, pesca, mudanças climáticas e alterações costeiras. Como eles têm pouca mobilidade e costumam permanecer próximos aos locais onde nasceram, a perda de um recife pode afetar grande parte de uma população local.
O que esse tubarão ensina sobre a vida marinha?
A nova espécie mostra que ainda existem descobertas surpreendentes em áreas relativamente rasas, não apenas nas grandes profundezas do oceano. Um animal capaz de andar sobre o fundo do mar passou despercebido em uma região costeira, o que revela o quanto a biodiversidade marinha ainda é incompleta nos mapas da ciência.
No fim, o tubarão que “anda” não é uma curiosidade isolada. Ele mostra como a evolução encontra soluções inesperadas para ambientes difíceis. Em vez de dominar o oceano pela velocidade, esse pequeno predador escolheu outro caminho: avançar devagar, nadadeira por nadadeira, entre recifes rasos que ainda guardam segredos capazes de surpreender o mundo.