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Parece refrigerante, mas é água doce: a lagoa no RJ que ganhou fama pela cor escura em meio ao litoral azul
Água escura, restinga preservada e mar azul.
Toda água parada conta a história do que cai dentro dela. Em Rio das Ostras, no litoral norte fluminense, a Lagoa de Iriry ganhou o apelido de Lagoa da Coca-Cola porque a vegetação ao redor tinge a água de marrom-escuro, cor que contrasta com o mar azul logo adiante.
Por que a Lagoa de Iriry tem água escura?
A cor vem das folhas e galhos que caem da restinga, a vegetação de areia típica do litoral, e de outras plantas da bacia da lagoa. Fungos e bactérias decompõem esse material só em parte, e o processo libera ácidos húmicos, substâncias orgânicas que se dissolvem na água e a deixam escura, como explica estudo do Instituto Federal Fluminense (IFF).
O efeito lembra o de um chá deixado em infusão: quanto mais folhas, mais forte a cor. Na Iriry, a concentração é tão alta que a luz do sol não chega ao fundo da lagoa.

A Lagoa da Coca-Cola é de água doce?
É, mesmo estando colada ao mar. O mesmo estudo do IFF registra água doce, com temperatura em torno de 26°C e pH 5,3, índice mais ácido do que o da chuva comum. Por isso, além de Lagoa da Coca-Cola, os moradores também a chamam de Lagoa Doce e Lagoa Iodada.
A lagoa tem cerca de 22 hectares e se formou a partir de um rio barrado pela areia, entre faixas de restinga depositadas pelo mar ao longo de milhares de anos. Para protegê-la, o município criou em 2003 a Área de Proteção Ambiental (APA) da Lagoa de Iriry, e a avaliação do IFF concluiu que o sistema segue preservado e recomendado para pesca e lazer.
De onde vem o nome Rio das Ostras?
Vem de uma tradução. Segundo o histórico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região habitada por tamoios e goitacazes era chamada de Rio Leripe, nome indígena para molusco ou ostra grande. Os jesuítas demarcaram as terras com marcos de pedra e, com o trabalho de indígenas e escravizados, ergueram a igreja de Nossa Senhora da Conceição e o cemitério.
A cidade cresceu ao redor da igreja, mas só ganhou autonomia em 10 de abril de 1992, quando se separou de Casimiro de Abreu. Isso faz de Rio das Ostras um município jovem, com uma história que começou mais de quatro séculos antes da emancipação.
O que fazer em Rio das Ostras?
O roteiro combina lagoa, costões e marcos da história colonial. Estes pontos resumem a visita.
Qual a melhor época para visitar Rio das Ostras?
O verão é quente e úmido, com dezembro somando 224 mm de chuva. No inverno, julho é o mês mais seco, com 33 mm, e as mínimas ficam perto de 17°C, temperatura agradável para caminhar pelos costões.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio das Ostras?
A cidade fica a cerca de 170 km do Rio de Janeiro, e o acesso é feito pela BR-101 e pela RJ-106. Rio das Ostras está entre Búzios e Macaé, o que facilita combinar a visita com outros destinos do litoral fluminense.
Na chegada, o Mirante da Lagoa de Iriry é o melhor ponto para entender a paisagem antes de descer até a margem, onde funciona um balneário frequentado por moradores e turistas.
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A cidade onde até a água guarda a cor da floresta
Rio das Ostras reúne uma lagoa tingida pela própria vegetação, costões preservados e marcas de uma ocupação que começou com os jesuítas. Poucos destinos do litoral fluminense mostram tão de perto como a natureza deixa sua assinatura na paisagem.
Você precisa conhecer Rio das Ostras e mergulhar os pés na água escura da Iriry para entender por que a lagoa ganhou fama de refrigerante.