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Parecem pedras comuns, mas podem valer até R$ 28 mil o grama; há quem percorra campos e estradas atrás delas
Fragmentos espaciais superam cotação de metais preciosos; saiba como identificar essas rochas raras e o que fazer se encontrar uma delas no chão
Pedras escuras encontradas no chão podem superar o valor do ouro. Esses fragmentos rochosos vindos do espaço atravessam a atmosfera terrestre e despertam o interesse de pesquisadores e colecionadores em todo o mundo.
A raridade dos materiais mobiliza entusiastas dispostos a pagar quantias expressivas por peças singulares achadas em campos abertos.
Fatores que definem o valor das rochas espaciais
O preço de cada objeto varia entre quantias modestas e cifras milionárias. Stephan Decker, diretor de um museu sobre o tema em Oberwesel, na Alemanha, aponta que peças excepcionais chegam a 5 mil euros por grama. Versões comuns custam poucos euros pelo mesmo peso.
A avaliação no mercado considera critérios específicos:
composição: presença de elementos minerais e metálicos;
raridade: volume de amostras parecidas já catalogadas;
estado de conservação: grau de integridade física da rocha;
origem: procedência de asteroides, da Lua ou de Marte.
Origem e recordes de negociação
A maioria dos meteoritos se desprende de asteroides. Já os exemplares mais disputados partem da Lua ou de Marte, ejetados após impactos violentos antes de cruzar o espaço por milhões de anos até colidir com a Terra.
Em julho de 2025, um exemplar marciano de 24,67 quilos foi vendido por 5,296 milhões de dólares. Identificada pelo registro NWA 16788 e achada no Níger no fim de 2023, a peça se consolidou como o maior fragmento do planeta vermelho localizado em solo terrestre até aquele momento.
Como identificar e preservar achados
Conforme informações do Museu Nacional de História Natural da França, meteoritos exibem uma crosta fina e escura, resultante do calor da travessia atmosférica. As peças costumam ser densas, carregam ferro e níquel, e não contam com bolhas na superfície. Nenhum teste caseiro assegura a procedência do item.
Descobertas acontecem em locais comuns. Em fevereiro de 2023, a estudante Loïs Leblanc, de 18 anos, achou uma rocha de 100 gramas em uma lavoura francesa. Em setembro do mesmo ano, uma moradora encontrou um exemplar de 714 gramas caído no quintal de sua casa, no departamento de Cher.
Quem encontra uma rocha suspeita deve conservá-la intacta. O programa Vigie-Ciel alerta contra o uso de ímãs no objeto, pois o hábito destrói registros magnéticos de 4,5 bilhões de anos. A recomendação técnica orienta a fotografar o material no local, anotar as coordenadas exatas e nunca lavar, quebrar ou manusear a rocha em excesso.