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Na Suíça, pobres vivem em “favelas” com qualidade de vida superior à de muitas cidades do mundo e uma estrutura que impressiona

Uma versão diferente de pobreza: com infraestrutura, segurança e qualidade de vida impressionantes.

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A diferença para as áreas nobres está na metragem dos apartamentos e no design das fachadas, não na ausência do Estado. / Imagem ilustrativa

Nas redes sociais, brasileiros apelidam de favelas os bairros populares do Noroeste da Suíça. A comparação diz mais sobre o imaginário externo do que sobre a realidade local: em Basileia, mesmo as regiões operárias contam com transporte público pontual, água potável universal e presença estatal que sustenta um dos maiores índices de desenvolvimento humano do planeta.

Um país onde 85% da população mora de aluguel

A Suíça aparece em segundo lugar no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com nota 0,970, atrás apenas da Islândia. A região Noroeste da Suíça, onde fica Basileia, registra IDH regional de 0,964, conforme o Human Development Report.

O cantão de Basel-Stadt, que reúne cerca de 201 mil habitantes em menos de 37 km², tem uma característica que muda tudo: cerca de 85% da população mora de aluguel, segundo o governo cantonal de Basel-Stadt. A ampla proteção jurídica aos inquilinos e a oferta contínua de moradia acessível reduzem a pressão que, em outros países, empurra famílias de baixa renda para áreas precárias.

Basileia encanta com museus icônicos e Reno vibrante, inspire sua alma cultural na capital artística da Suíça. Créditos: depositphotos.com / Xantana

Por que chamam esses bairros de favelas suíças?

O apelido é uma hipérbole. Os bairros populares de Basileia, como Klybeck e Kleinbasel, ficam longe dos cartões-postais alpinos e concentram edifícios de linhas simples, com alta densidade demográfica e estética funcional. A diferença para as áreas nobres está na metragem dos apartamentos e no design das fachadas, não na ausência do Estado.

Nessas ruas, o isolamento térmico é padrão, a água chega pura em todas as torneiras e a manutenção predial segue protocolos rigorosos. É o oposto do que a palavra favela evoca no imaginário brasileiro.

Klybeck: o antigo distrito químico que virou vitrine urbana

Poucos bairros do mundo carregam uma transformação tão radical. Klybeck começou como área de campos e prados até 1870, quando fábricas de tintas se instalaram na região por causa da proximidade com o rio Reno. Ao longo do século XX, virou base para gigantes da química como Ciba, Novartis e BASF.

Hoje, o local abriga o klybeckplus, um dos maiores projetos de regeneração urbana da Suíça. A plataforma oficial do projeto detalha o plano: em uma área de 300 mil metros quadrados, os investidores Swiss Life e Rhystadt vão erguer um novo distrito misto com espaço para 8.500 moradores, 7.500 postos de trabalho e áreas verdes públicas. O investimento previsto supera três bilhões de francos suíços.

Multiculturalismo que vibra nas ruas populares

Enquanto os bairros nobres da cidade preservam o silêncio suíço, as áreas populares fervem. A presença de imigrantes da Turquia, dos Bálcãs, da Ásia e da América Latina transformou ruas de Klybeck e Kleinbasel em corredores de comércios étnicos, barbearias, mercearias e cafés abertos até tarde.

A escolha por morar nessas regiões costuma ser estratégica em um dos países mais caros do mundo. O trabalhador que aluga um apartamento compacto consegue economizar em transporte, aproveitar serviços públicos de alto padrão e ainda estar a poucos minutos do centro financeiro pelo sistema de bondes.

Na Suíça, pobres vivem em “favelas” que oferecem qualidade de vida superior à de muitas cidades do mundo
Passeie pelo centro histórico de Basileia, Marktplatz e Reno com ferry: charme suíço descontraído e acolhedor! / Créditos: depositphotos.com / Xantana

Fronteira tripla: o truque de morar entre três países

A geografia joga a favor do orçamento doméstico em Basileia. A cidade divide fronteira imediata com Alemanha e França, o que criou o chamado turismo de compras: famílias cruzam para o outro lado em minutos e aproveitam preços mais baixos em euros.

O resultado combina indicadores raros de se ver juntos.

  • Cantão de Basel-Stadt: cerca de 201 mil habitantes em menos de 37 km², um dos menores e mais densos da Suíça.
  • PIB per capita cantonal: aproximadamente CHF 209.782 em 2022, entre os mais altos do país.
  • Klybeckplus: 300 mil m² em transformação, com investimento previsto acima de CHF 3 bilhões até 2040.
  • Aluguel dominante: cerca de 85% dos moradores do cantão alugam a residência onde vivem.

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O que a periferia suíça ensina

O caso de Basileia mostra que a desigualdade de renda não precisa se transformar em precariedade urbana quando existem políticas habitacionais estruturantes, saneamento universal e transporte público confiável. Os bairros populares suíços não são miséria disfarçada, são um lembrete de que dignidade material pode ser política pública.

Você precisa conhecer as ruas de Klybeck e Kleinbasel para entender o que significa qualidade de vida quando o Estado alcança todo mundo, do centro histórico às fronteiras da cidade.