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Por que algumas árvores soltam seiva depois de noites bem frias

O fenômeno é mais visível logo pela manhã

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Por que algumas árvores soltam seiva depois de noites bem frias
A liberação de seiva após noites frias ocorre porque a queda brusca de temperatura altera a pressão interna da planta

Em muitas regiões do Brasil, quem observa as árvores com atenção percebe um fenômeno curioso nos dias posteriores a noites muito frias: troncos e galhos parecem “chorar”, liberando gotas pegajosas que lembram um tipo de cola natural. Essa substância é chamada de seiva ou resina, e o comportamento chama a atenção principalmente em espécies frutíferas, como a mangueira (Mangifera indica). A cena desperta dúvidas em moradores e produtores rurais, que passam a se perguntar por que esse gotejamento acontece justamente depois de quedas bruscas de temperatura e se isso pode indicar algum problema de saúde na planta.

Por que as árvores soltam seiva depois de noites frias

A relação entre frio intenso e saída de seiva não é casual, pois as árvores são organismos sensíveis a variações climáticas e possuem mecanismos internos para lidar com estresse térmico. Durante noites muito frias, especialmente quando há geada ou proximidade de 0 °C, o interior da planta sofre alterações físicas e químicas que afetam o fluxo interno de líquidos.

Durante a queda brusca de temperatura, a seiva circulante nos vasos internos pode sofrer mudanças de viscosidade e até formar microcristais de gelo em situações extremas. Essa alteração provoca pequenas rupturas em tecidos mais sensíveis e, quando a temperatura volta a subir, a árvore reage aumentando o fluxo de seiva para restaurar a circulação e cicatrizar os pontos danificados, o que resulta na exsudação visível na superfície.

Por que algumas árvores soltam seiva depois de noites bem frias
Já reparou na seiva aparecendo nas árvores depois do frio – Créditos: depositphotos.com / izanbar

Como o frio intenso influencia a produção de resinas e gomas nas árvores

Além de modificar a circulação da seiva, o frio intenso funciona como um tipo de estresse ambiental que estimula a produção de compostos de defesa, como resinas, gomas naturais e substâncias fenólicas. Esses compostos ajudam a isolar as áreas lesionadas, dificultam a entrada de microrganismos e reduzem a perda de água pelas feridas.

Em algumas árvores, a seiva liberada endurece rapidamente, formando uma espécie de “casquinha” translúcida sobre a casca, enquanto em outras pode permanecer pegajosa por mais tempo. Em espécies como a mangueira, essa seiva pode grudar folhas secas, pequenos insetos e partículas de poeira, funcionando também como uma barreira física contra pragas oportunistas.

Por que a mangueira solta mais seiva após noites frias

A mangueira (Mangifera indica) é uma frutífera tropical de clima quente e, por isso, tende a sofrer mais com a exposição a noites muito frias. Nesses períodos, a planta pode apresentar rachaduras discretas na casca, necrose em galhos novos e queda de folhas e flores, sinais clássicos de estresse térmico em espécies sensíveis.

Em resposta a esse estresse, o sistema vascular intensifica o transporte de seiva nas áreas afetadas, aumentando a chance de gotejamento em pontos frágeis. A mangueira produz naturalmente compostos ricos em açúcares, taninos e outras substâncias que, em contato com o ar, ganham aspecto de goma, surgindo em maior quantidade em regiões de poda recente, fendas na casca ou locais de ataque de insetos e fungos.

Algumas árvores soltam seiva após noites muito frias, e isso chama atenção de quem observa de perto. Neste vídeo do canal Mundo Agro, que reúne mais de 140 mil de inscritos e soma cerca de 13 mil visualizações, você entende por que esse fenômeno acontece:

Como identificar se a saída de seiva indica um problema na mangueira

Embora a saída de seiva após noites frias seja frequentemente um mecanismo de ajuste, é importante diferenciar uma resposta natural ao clima de um problema fitossanitário mais sério. A observação cuidadosa da árvore, especialmente em semanas de temperaturas instáveis, permite mapear padrões e agir de forma preventiva quando necessário.

Alguns indícios práticos ajudam a avaliar se o excesso de seiva é apenas uma reação temporária ao frio ou se está associado a doenças, pragas ou ferimentos mais graves na planta:

  • Localização da seiva: pontos isolados próximos a pequenas rachaduras ou cortes tendem a indicar reação localizada ao frio.
  • Quantidade: gotejamento intenso e constante pode sugerir ferimentos maiores ou presença de pragas perfuradoras.
  • Cor e cheiro: seiva muito escura, com odor desagradável e manchas na casca levanta suspeita de infecções fúngicas ou bacterianas.
  • Aspecto das folhas: queima generalizada, murcha persistente ou queda acentuada após a onda de frio indicam estresse mais severo.

Quando a seiva vem acompanhada de galhos secos, buracos na madeira ou serragem fina aos pés da árvore, há possibilidade de ação de insetos broqueadores. Nessas situações, o frio pode apenas evidenciar um problema já existente, tornando os tecidos mais frágeis e facilitando o extravasamento, o que justifica inspeções detalhadas em troncos e principais ramificações.

Quais cuidados ajudam a reduzir a saída de seiva após frio intenso

Algumas práticas de manejo podem diminuir o impacto do frio e, consequentemente, reduzir a quantidade de seiva liberada pelas árvores. Em mangueiras e outras espécies sensíveis, pequenos ajustes no cuidado diário fazem diferença em anos com invernos mais rigorosos ou frentes frias prolongadas, contribuindo para a saúde geral do pomar ou do jardim.

No manejo doméstico e agrícola, medidas simples como planejamento de podas, proteção de mudas jovens e manutenção da nutrição equilibrada podem ser decisivas. Em especial, recomenda-se evitar podas fortes perto do inverno, manter irrigação adequada e reforçar o monitoramento nos dias que se seguem às geadas para identificar precocemente rachaduras e pontos de seiva anormais.