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Por que alguns peixes mudam de profundidade sem aviso
A mudança acontece rápido e sem sinal visível
Em lagos, rios e reservatórios, é comum que pescadores e observadores notem um comportamento intrigante: de repente, os peixes somem da superfície e passam a se concentrar em camadas mais profundas, ou o contrário. Essa mudança de profundidade, muitas vezes sem aviso aparente, está ligada a fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais. Entre as espécies que mais chamam atenção nesse contexto está a tilápia (Oreochromis niloticus), amplamente criada em sistemas de piscicultura e presente em diversos ambientes de água doce, tornando-se um importante organismo modelo para estudos de comportamento aquático.
Por que os peixes mudam de profundidade ao longo do dia?
Um dos principais motivos para os peixes mudarem de profundidade é a variação da temperatura da água. Em muitos ambientes forma-se uma camada mais quente na superfície e outra mais fria em maior profundidade, e os peixes procuram a faixa térmica em que o metabolismo funciona melhor e o gasto de energia é menor. Quando a superfície aquece demais, muitos indivíduos descem para camadas intermediárias ou profundas em busca de temperaturas mais estáveis.
Outro fator determinante é o oxigênio dissolvido, que pode se reduzir em certos níveis de profundidade, especialmente em períodos de calor intenso ou de muita matéria orgânica em decomposição. Nesses cenários, os peixes sobem ou descem para encontrar a porção da coluna d’água com maior concentração de oxigênio, o que explica movimentos bruscos e aparentemente sem padrão. Mudanças climáticas repentinas, como chuvas fortes ou ventos prolongados, também alteram a circulação da água e forçam esse deslocamento vertical.

Como a tilápia reage às diferentes camadas de água?
A tilápia Oreochromis niloticus é conhecida pela capacidade de se adaptar a diferentes condições de ambiente, o que inclui a mudança frequente de profundidade. Em sistemas de criação e em ambientes naturais, a espécie apresenta preferência por águas mais rasas durante os períodos de maior atividade alimentar, principalmente ao amanhecer e no fim da tarde, quando a luz é suficiente para orientar a busca por alimento e a temperatura está mais confortável.
Durante as horas mais quentes do dia, a tilápia costuma se afastar da superfície para evitar temperaturas elevadas e níveis de oxigênio mais baixos, concentrando-se em profundidades intermediárias, onde a água está menos aquecida e mais estável. À noite, muitos cardumes se redistribuem novamente, explorando a coluna d’água em busca de alimento como zooplâncton, algas, restos de ração e outros recursos alimentares, o que ajuda a otimizar o aproveitamento de energia e manter o crescimento adequado em sistemas de produção.
Como o ciclo reprodutivo influencia a profundidade ocupada pelos peixes?
Além dos aspectos térmicos e do oxigênio, a tilápia ajusta a profundidade conforme o reprodução ciclo reprodutivo. Em períodos de reprodução, é comum que os indivíduos se aproximem de áreas rasas para a construção de ninhos, postura e proteção dos ovos, aproveitando o aquecimento mais rápido da água e maior disponibilidade de alimento para as larvas.
Após a fase inicial de desenvolvimento da prole, os adultos podem retornar a regiões um pouco mais profundas, enquanto os juvenis continuam explorando áreas rasas até ganharem maior resistência. Esse comportamento reforça a ideia de que as mudanças de profundidade são estratégicas e não aleatórias, sendo fundamentais para o sucesso reprodutivo e para a sobrevivência das diferentes fases de vida do peixe.
Muita gente observa peixes subindo ou descendo na água sem aviso aparente. Neste vídeo do canal Pesca e Prosa, com aproximadamente 227 mil de inscritos e mais de 7.4 mil de visualizações, o conteúdo explica como fatores do ambiente influenciam esse comportamento:
Quais fatores ambientais fazem os peixes sumirem de repente?
Em muitos ambientes, o que parece ser uma “desaparição” repentina de peixes está ligado a alterações rápidas da ambiente qualidade da água. Esses eventos podem ocorrer em questão de horas e obrigam os animais a se deslocarem verticalmente ou horizontalmente em busca de condições menos estressantes na coluna d’água.
Entre os principais fatores ambientais que forçam esses deslocamentos abruptos, destacam-se situações que modificam temperatura, oxigenação, turbidez e segurança. Abaixo estão alguns exemplos comuns que ajudam a entender esse fenômeno observado por pescadores e produtores:
- Queda brusca de temperatura após frentes frias, empurrando os peixes para camadas mais profundas e estáveis.
- Estratificação térmica, quando a água forma camadas com temperaturas distintas e os peixes se concentram apenas em uma faixa segura.
- Redução de oxigênio na superfície, forçando a migração para níveis mais oxigenados.
- Aumento de turbidez ou poluição, levando os peixes a buscar áreas menos afetadas.
- Pressão de predadores, fazendo cardumes descerem para o fundo em busca de proteção.
O que o comportamento de mudança de profundidade revela sobre os peixes?
O hábito de mudar de profundidade mostra que os peixes possuem uma adaptação e percepção refinada do ambiente. Eles detectam alterações mínimas de temperatura, oxigênio e luminosidade por meio de estruturas como a linha lateral, as brânquias e receptores sensoriais distribuídos pelo corpo, o que garante a sobrevivência em ambientes que mudam de forma constante.
No caso da tilápia nilótica, essa capacidade de ajuste explica em parte o sucesso da espécie em diferentes países e sistemas de produção aquícola. Ela consegue explorar desde áreas rasas, ricas em nutrientes, até faixas intermediárias, onde o estresse térmico é menor, auxiliando pesquisadores e produtores a entenderem melhor como manejar água, aeração e alimentação em tanques e viveiros, e revelando como a adaptação à coluna d’água é essencial para a vida aquática.