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Por que ir ao cinema no Brasil ficou tão caro? Entenda os motivos
Promoções como a Semana do Cinema mostram contraste com preços regulares; especialistas explicam o impacto dos custos de operação e da tecnologia
A oitava edição da “Semana do Cinema”, que acontece entre 5 e 11 de fevereiro de 2026, levou multidões às salas de exibição por todo o Brasil com ingressos a preços promocionais de R$ 10 para sessões até as 17h e R$ 12 para os demais horários. A iniciativa, idealizada pela Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (FENEEC) com apoio da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (ABRAPLEX), já atraiu mais de 23 milhões de pessoas em suas edições. As filas e sessões lotadas, no entanto, expõem uma realidade para muitos brasileiros: ir ao cinema se tornou um programa caro. O contraste entre o valor promocional e o preço regular do ingresso revela uma complexa estrutura de custos que vai muito além do filme projetado na tela.
Diversos fatores operacionais influenciam diretamente o valor final pago pelo consumidor. A maior parte das salas de cinema está localizada em shoppings, o que implica em altos custos com aluguel e condomínio. Some-se a isso as despesas com energia elétrica, climatização, limpeza e segurança, além da folha de pagamento dos funcionários.
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Outro ponto fundamental é o repasse para as distribuidoras de filmes. Embora os percentuais possam variar por contrato, uma parte significativa do valor de cada ingresso vendido — por vezes, próxima da metade — é destinada a quem detém os direitos de exibição da obra. Com isso, o cinema precisa cobrir todos os seus custos fixos e ainda obter lucro com a fração restante do valor.
Tecnologia e dólar impactam o valor
A experiência cinematográfica moderna exige investimentos pesados em tecnologia. Projetores digitais de alta resolução, sistemas de som imersivo como o Dolby Atmos e tecnologias para salas especiais, como IMAX e 4DX, são equipamentos importados e cotados em dólar. A variação cambial tem um impacto direto nos custos de montagem e manutenção, e é importante notar que essas salas especiais geralmente possuem preços diferenciados, mesmo durante eventos promocionais.
Essa constante necessidade de modernização para atrair o público com qualidade de imagem e som superiores representa um investimento contínuo que é repassado para o preço do ingresso.
A importância da bomboniere
A venda de pipoca, refrigerantes e doces é uma fonte de receita vital para os cinemas. A margem de lucro desses produtos é significativamente maior do que a obtida com a bilheteria. Essa receita ajuda a equilibrar as contas e a compensar os altos custos operacionais e o repasse para as distribuidoras.
Por isso, o combo de pipoca e refrigerante se torna parte essencial do modelo de negócio. Iniciativas como a “Semana do Cinema” funcionam como uma estratégia para aumentar o fluxo de pessoas e, consequentemente, impulsionar as vendas na bomboniere, garantindo a sustentabilidade da operação em períodos de menor movimento.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.