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Por que você se cobra por detalhes bobos, segundo a psicologia

O detalhe não é o problema, é o que ele simboliza

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Por que você se cobra por detalhes bobos, segundo a psicologia
O autojulgamento excessivo costuma estar ligado ao perfeccionismo e à autocrítica constante

Tem dia em que a gente se julga por coisas mínimas: responder uma mensagem “do jeito certo”, fazer uma tarefa doméstica sem falhar, dizer a frase perfeita, acordar mais cedo, não esquecer nada. Parece pouca coisa, mas o peso é real. E quando você entende o mecanismo por trás disso, fica mais fácil baixar o volume da cobrança sem virar alguém “relaxado demais”.

Por que a gente se cobra tanto por coisas simples?

Quando se cobrar por coisas simples vira rotina, geralmente não é sobre a coisa em si, e sim sobre o que ela representa. O cérebro interpreta pequenos erros como “sinais” de risco: de desapontar alguém, de perder controle, de parecer incompetente. A tarefa é pequena, mas o significado fica enorme.

Além disso, muita gente cresceu aprendendo que valor vem do desempenho. Aí o cotidiano vira prova: se você erra no detalhe, sente que errou “em você”. É assim que a autocobrança se infiltra nas mínimas decisões, como se tudo tivesse nota.

Por que você se cobra por detalhes bobos, segundo a psicologia
Mesmo pequenas coisas podem afetar o nosso dia – Créditos: depositphotos.com / AlexNazaruk

O que a autocobrança revela sobre perfeccionismo e medo de errar?

Em muitos casos, existe perfeccionismo por trás, não no sentido de capricho, mas de exigência interna rígida. A pessoa tenta antecipar falhas para não sentir vergonha, crítica ou rejeição. O problema é que isso não traz paz: traz vigilância constante.

Quando o medo de errar está alto, o cérebro escolhe a estratégia mais “segura”: controlar. Só que controlar tudo é impossível. Aí nasce a sensação de estar sempre em dívida, como se qualquer pausa fosse um risco.

Por que a comparação social transforma o cotidiano em cobrança

Hoje, a gente se mede o tempo todo, mesmo sem querer. A comparação social cria um padrão invisível de “deveria”: deveria produzir mais, ter mais energia, ser mais organizado, estar melhor resolvido. E como sempre existe alguém parecendo impecável, a régua nunca baixa.

Isso alimenta a crítica interna, aquela voz que pega algo simples e transforma em prova de caráter. O curioso é que, por fora, você pode até estar indo bem. Por dentro, a sensação é de insuficiência, o que mexe diretamente com autoestima.

Como diminuir a cobrança no dia a dia sem perder responsabilidade

Diminuir cobrança não é “passar pano” para tudo. É trocar punição por direção. Em vez de se atacar, você aprende a se corrigir com mais clareza, o que costuma reduzir ansiedade e aumentar constância. Um conceito que ajuda muito aqui é autocompaixão, que não é autocomiseração, e sim um jeito mais útil de se tratar quando algo dá errado.

Se você quer um caminho prático, escolha uma ou duas atitudes e teste por uma semana. O objetivo é fazer o cérebro sentir que ele não precisa apertar o controle o tempo todo:

  • Troque “tenho que” por “vou escolher” e veja como o corpo responde.
  • Defina o “bom o suficiente” antes de começar, para não cair no loop do ajuste infinito.
  • Quando errar, descreva o fato sem adjetivos sobre você, como quem faz um diagnóstico.
  • Crie uma regra de pausa curta para não entrar no modo 8 ou 80.
  • Observe se você está cansado antes de concluir que está “falhando”.

A psicóloga Daniela Negreli traz, em seu TikTok, uma análise sobre esse comportamento:

@danielanegreli.psi bom dia meus autocríticos! já caíram na armadilha da autocobrança excessiva como ferramenta motivacional hoje? #fy #psicologia ♬ original sound – daniela negreli – psicóloga

Quando a cobrança deixa de ser incentivo e vira sofrimento

Tem um limite em que a cobrança não melhora a vida, ela estreita a vida. Se você vive em alerta, sente culpa ao descansar, perde prazer nas coisas e está sempre tentando compensar, é sinal de que a exigência interna virou peso, não guia.

Quando isso começa a afetar sono, relações e energia, vale buscar apoio profissional. Às vezes, o que parece “só jeito de ser” é um padrão que empurra para exaustão e até burnout. Cuidar disso não te deixa fraco, te devolve espaço para viver.