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Provérbio chinês de Lao Tzu do dia: “Aquele que sabe, não fala; aquele que fala, não sabe” e a profunda reflexão sobre conhecimento e maturidade emocional

O antigo ensinamento chinês que relaciona silêncio e sabedoria.

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Talvez você já tenha visto a citação circulando no WhatsApp como se fosse provérbio egípcio.

Tem gente que fala pelos cotovelos em toda reunião e outra que só solta uma frase por hora, mas quando fala, todo mundo escuta. A máxima “aquele que sabe não fala, aquele que fala não sabe”, um provérbio atribuído a Lao Tzu, mira exatamente esse contraste. Vinte e cinco séculos depois, a psicologia moderna confirmou, com dados, o que o pensador chinês já tinha visto.

De onde vem essa frase que anda por aí como provérbio solto?

Talvez você já tenha visto a citação circulando no WhatsApp como se fosse provérbio egípcio, persa ou até árabe. Nenhuma dessas origens confere.

A autoria está documentada no capítulo 56 do Tao Te Ching, obra fundadora do taoísmo escrita entre os séculos VI e IV a.C. Lao Tzu não estava sugerindo voto de silêncio. Ele apontava para algo mais fino: quem entende um assunto de verdade sente, na pele, o quanto qualquer explicação simplifica demais.

Em 1999, dois psicólogos da Universidade Cornell publicaram um estudo que virou clássico.

Por que a psicologia moderna deu razão a Lao Tzu?

Em 1999, dois psicólogos da Universidade Cornell publicaram um estudo que virou clássico. Eles descreveram um viés que hoje aparece até em conversa de mesa de bar.

É o efeito Dunning-Kruger: pessoas com pouco conhecimento em um assunto tendem a superestimar o quanto sabem sobre ele, enquanto quem domina o tema costuma reconhecer as próprias lacunas com muito mais clareza. É a versão científica da frase do capítulo 56.

Quais sinais separam quem sabe de quem só fala?

A diferença aparece menos na quantidade de palavras e mais no jeito como cada um se posiciona diante do que domina e do que ignora.

Os padrões mais recorrentes são estes:

1
Palavras de nuance no vocabulário Expressões como “depende”, “não tenho certeza” e “é mais complicado que isso” aparecem naturalmente em quem conhece o tema por dentro.
2
Mais perguntas que afirmações Quem entende de um assunto percebe que cada resposta abre novas lacunas, e faz perguntas sem vergonha de admitir o que ainda não sabe.
3
Silêncio como escolha ativa Antes de falar, a pessoa avalia se a contribuição acrescenta algo real à conversa ou só enche o espaço com repetição.
4
Disposição para revisar a própria posição Quando aparece um argumento novo e sólido, quem sabe muda de ideia sem sentir isso como derrota pessoal.

Como o ambiente digital piorou o problema que Lao Tzu descreveu?

As plataformas premiam volume, velocidade e polêmica. Quem grita mais alto aparece mais, e a confiança na fala virou moeda social tão forte que muita gente prefere fingir domínio a admitir dúvida.

Antes de comentar naquela discussão de rede social ou responder no grupo do trabalho, algumas perguntas mudam a qualidade do que sai:

  • O que vou dizer acrescenta algo que ainda não foi dito?
  • Tenho base para afirmar isso com o nível de certeza que estou usando?
  • Estou falando para contribuir ou para ser visto como quem entende?
  • Se eu esperasse mais um pouco, minha resposta ficaria melhor?

É um filtro simples, mas costuma cortar boa parte do que a gente ia dizer no impulso.

Como isso aparece em situações concretas do dia a dia?

A diferença entre os dois perfis vira reconhecível em qualquer ambiente, do escritório ao almoço de família. Uma comparação lado a lado ajuda a enxergar melhor.

Situação Aquele que fala Aquele que sabe
Pergunta difícil Sem resposta óbvia Responde na hora com certeza cheia Pondera antes ou admite a complexidade
Reunião ou debate Discussão em grupo Fala muito para marcar presença Intervém quando tem algo real a contribuir
Evidência contrária Dado que refuta a posição Resiste e tenta desqualificar a fonte Considera e revisa a própria opinião
Tema fora do domínio Assunto desconhecido Opina com a mesma segurança de sempre Diz abertamente que não domina o tema

Discrição inteligente é o mesmo que ser passivo?

Aqui costuma acontecer a maior confusão. O silêncio sugerido por Lao Tzu não tem nada de retração ou timidez. Ele descreve alguém presente, atento, observando o que os outros não veem justamente porque não está o tempo todo ocupado com a própria fala.

É uma postura ativa. A pessoa escolhe quando entrar na conversa e o faz com peso, porque suas palavras não estão diluídas em opinião solta o dia inteiro. Menos volume, mais consequência em cada frase que sai.

Leia também: Provérbio japonês do dia, “O bambu que sobrevive ao vento não é o mais duro da floresta, mas aquele que aprendeu a se curvar sem abandonar suas raízes”. Lições sobre flexibilidade, orgulho e por que ceder nem sempre significa fraqueza.

O que essa frase ainda tem a ensinar depois de 25 séculos?

Voltando ao começo: aquela pessoa que fala pouco mas é ouvida com atenção não está guardando segredo, ela está aplicando, sem saber, a lição do capítulo 56 do Tao Te Ching. Escolher o que dizer é uma forma de respeito com o próprio tempo e com o de quem escuta.

Num ambiente barulhento como o nosso, entre notificação e opinião de gente que nem terminou de ler o assunto, o silêncio criterioso virou quase um ato de rebeldia. E talvez a maior prova de conhecimento seja essa mesma: não sentir necessidade de provar.

💡 Curiosidade O Tao Te Ching tem apenas 81 capítulos curtos, mas é uma das obras mais traduzidas do mundo, atrás só da Bíblia em número de versões em outras línguas.