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Provérbio chinês: “O velho tolo que moveu montanhas.” A parábola do homem de 90 anos que começou a cavar uma montanha com a ajuda dos filhos e netos, e a lição sobre o poder da persistência entre gerações
Fábula registrada no clássico taoista Liezi virou expressão popular na China e foi recontada por Mao Tsé-tung em discurso de 1945
Poucas histórias da China atravessaram tantos séculos quanto a de Yu Gong, o “velho tolo” que resolveu tirar duas montanhas da frente de casa. A parábola, que muita gente no Brasil conhece como provérbio chinês, fala de um homem perto dos 90 anos que chamou filhos e netos para cavar. A lição sobre persistência entre gerações continua atual, inclusive para quem encara o trem lotado da Baixada todo santo dia.
De onde vem a parábola do velho tolo que moveu montanhas?
A história vem do Liezi, um clássico da tradição taoista chinesa. Na edição digitalizada do Liezi, o trecho apresenta o velho da Montanha do Norte com “quase noventa anos”, morando de frente para duas serras.
Em chinês, o episódio virou a expressão de quatro caracteres 愚公移山 (yú gōng yí shān), algo como “o velho tolo move a montanha”. Mais do que um provérbio chinês no sentido estrito, é o título de uma fábula que se transformou em ditado. A expressão é usada para falar de quem enfrenta tarefas enormes sem largar o serviço.
Como Yu Gong e a família começaram a cavar as montanhas?
Tudo começou com um problema de caminho. As montanhas Taihang e Wangwu bloqueavam a passagem, e a família precisava dar uma volta enorme para sair de casa. Yu Gong reuniu todos e propôs abrir uma estrada no meio das serras.

O material de leitura do Departamento de Educação de Hong Kong conta que a terra e as pedras iriam para a beira do Mar de Bohai. Até o filho de oito anos de uma vizinha viúva entrou no mutirão, ao lado dos filhos e netos do velho.
Foi aí que apareceu Zhi Sou, o “velho sábio”, rindo do esforço. A resposta virou o coração da parábola: quando ele morresse, os filhos continuariam, depois viriam os netos, geração após geração. As montanhas, lembrou o ancião, não crescem mais. Comovido com tanta determinação, o Imperador do Céu fez o sonho dele virar realidade.
Essa ideia de avançar aos poucos aparece em outros ditados da tradição chinesa. Um deles compara a constância à gota que, sem pressa, acaba vencendo a pedra.
Por que Mao Tsé-tung usou a fábula num discurso famoso?
Porque a história servia como imagem perfeita de esforço coletivo. Em 11 de junho de 1945, no encerramento do 7º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, Mao Tsé-tung recontou a fábula no discurso O velho tolo que removeu as montanhas, publicado nas Obras Escolhidas do líder.

Na versão de Mao, Deus fica comovido e manda dois anjos, que levam as montanhas nas costas. O líder comparou as duas serras ao imperialismo e ao feudalismo. Para ele, o povo chinês seria o “Deus” capaz de removê-las, se entrasse na escavação. Assim, uma história antiga ganhou uso novo, como chamado à ação coletiva.
O que a persistência de Yu Gong ensina a quem vive hoje?
Ensina que projetos grandes não cabem numa vida só, e está tudo bem. O velho não esperava ver a estrada pronta; queria começar e deixar o caminho aberto para quem viesse depois. A persistência, nessa história, é uma corrente de gente que continua o serviço.
Dá para trazer essa ideia para bem perto: a casa erguida laje por laje, o estudo pago com sacrifício, o negócio de família que passa de pai para filho. O tolo da parábola, no fim, é quem enxerga mais longe. Então pense na sua montanha, escolha a primeira pedra e chame quem você ama para cavar junto.
Quais dúvidas sobre a história de Yu Gong são mais comuns?
As perguntas mais frequentes envolvem a idade do personagem e o papel do vizinho que zomba dele. As respostas abaixo seguem o texto clássico e o material educativo oficial.
O velho tinha mesmo 90 anos?
No Liezi, ele aparece com quase noventa anos. Versões didáticas, como a de Hong Kong, arredondam para 90.
Quem é Zhi Sou na história?
É o “velho sábio” que ri do plano e acha o esforço inútil. Diante da resposta sobre os descendentes, ele fica sem argumentos.
Se você gosta de ditados sobre insistência, a sabedoria popular brasileira também tem os seus. Um deles tem até um paralelo na obra de um poeta da Roma antiga.
O significado do provérbio “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” e o paralelo latino…➔