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Psicólogos explicam por que algumas pessoas não conseguem ficar paradas enquanto falam ao telefone e o que uma pesquisa da Universidade Stanford revelou sobre caminhar e pensar

Andar durante uma ligação pode acompanhar a conversa, mas o estudo de Stanford investigou criatividade, não o hábito de telefonar.

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Psicólogos explicam por que algumas pessoas não conseguem ficar paradas enquanto falam ao telefone e o que uma pesquisa da Universidade Stanford revelou sobre caminhar e pensar
Caminhar durante uma ligação pode simplesmente acompanhar o jeito de pensar de algumas pessoas (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O telefone toca, a conversa começa e, sem perceber, a pessoa já atravessou a sala duas vezes. Há quem caminhe de um lado para o outro durante ligações longas, mesmo quando poderia continuar sentado. O gesto pode combinar costume, necessidade de se movimentar e o ritmo da conversa. Uma pesquisa da Universidade Stanford ajuda a pensar na relação entre andar e produzir ideias, mas não responde diretamente por que alguém se levanta ao atender o celular.

Por que algumas pessoas caminham enquanto conversam?

Falar ao telefone é diferente de conversar frente a frente. Não há expressões do interlocutor para acompanhar, e o corpo fica livre para gesticular, olhar pela janela ou dar alguns passos. Para algumas pessoas, andar vira parte da rotina de pensar enquanto falam. Outras preferem sentar para ouvir com atenção. Essas diferenças não formam, por si só, um sinal de problema psicológico.

Também importa o tipo de chamada. Uma conversa para organizar um projeto pode convidar a testar ideias em voz alta; uma ligação difícil talvez desperte inquietação; uma conversa afetuosa pode simplesmente acontecer enquanto a pessoa realiza tarefas da casa. O mesmo movimento aparece em contextos distintos. Sem observar cada situação, seria apressado atribuir uma causa única ao hábito de caminhar.

Psicólogos explicam por que algumas pessoas não conseguem ficar paradas enquanto falam ao telefone e o que uma pesquisa da Universidade Stanford revelou sobre caminhar e pensar
Caminhar durante uma ligação pode simplesmente acompanhar o jeito de pensar de algumas pessoas (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O que a pesquisa de Stanford realmente testou?

Marily Oppezzo e Daniel Schwartz, ligados à Universidade Stanford, conduziram quatro experimentos sobre caminhada e pensamento criativo, publicados em 2014. Participantes fizeram tarefas sentados e andando, em esteira ou ao ar livre. Uma delas pedia que encontrassem usos diferentes para objetos comuns; outra exigia chegar a uma resposta correta para uma associação de palavras. Assim, os autores puderam comparar formas distintas de pensar, em condições organizadas para pesquisa.

Os resultados favoreceram a caminhada principalmente na geração de ideias variadas, chamada de pensamento divergente. O ganho não apareceu da mesma forma na tarefa de resposta única, que exige foco em uma solução. Em alguns testes, parte do efeito continuou logo depois que as pessoas voltaram a sentar. O estudo, portanto, sugere uma relação entre caminhar e certas tarefas criativas; não demonstra que mover-se melhora todo raciocínio.

Esse resultado explica o movimento durante telefonemas?

Não diretamente. Os experimentos não foram feitos com pessoas em ligações comuns nem compararam quem costuma andar ao telefone com quem fica parado. Tampouco identificaram o motivo de alguém começar a caminhar assim que atende uma chamada. Usar o resultado para dizer que toda pessoa que anda ao telefone é mais criativa, ansiosa ou incapaz de se concentrar seria ultrapassar o que foi medido.

Há, porém, uma conexão plausível para reflexão. Se a ligação envolve imaginar possibilidades, como planejar uma viagem ou encontrar saídas para um impasse, dar passos pela sala pode acompanhar esse processo. Isso é uma hipótese para a vida cotidiana, não um efeito comprovado pelo estudo de Stanford. Numa conversa que pede atenção a números, endereços ou instruções, parar e anotar talvez seja mais útil do que continuar em movimento.

Psicólogos explicam por que algumas pessoas não conseguem ficar paradas enquanto falam ao telefone e o que uma pesquisa da Universidade Stanford revelou sobre caminhar e pensar
Caminhar durante uma ligação pode simplesmente acompanhar o jeito de pensar de algumas pessoas (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quando andar pode ajudar a organizar uma ideia?

Uma caminhada breve pode criar uma pausa entre uma pergunta e a resposta. Enquanto a pessoa se desloca, ela pode formular uma sugestão, descartá-la e tentar outra. Não é preciso transformar o corredor de casa em método de produtividade. Vale apenas perceber se o movimento, em determinada conversa, facilita a participação ou se faz perder detalhes importantes.

O ambiente também define os limites. Andar com o celular na mão exige atenção a degraus, trânsito e outras pessoas. Se a ligação envolve informação privada, caminhar em um espaço compartilhado pode expor a conversa. Em vez de recomendar movimento em toda chamada, faz mais sentido escolher um lugar seguro e adequado ao assunto.

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O que observar no próprio jeito de conversar?

Quem percebe que começa a andar ao telefone pode fazer uma pergunta simples: isso me ajuda a pensar, me mantém confortável ou me distrai? A resposta talvez mude conforme o interlocutor e o tema. Não há necessidade de corrigir automaticamente um hábito que não atrapalha a conversa. Da mesma forma, ficar sentado não significa falta de imaginação ou interesse.

O estudo de Stanford oferece uma ideia específica: caminhar pode favorecer a produção de alternativas em certas tarefas. A cena do telefonema é mais ampla e depende da pessoa, do assunto e do espaço. Entre uma volta pela sala e outra, o mais importante é conseguir escutar, responder e perceber quando vale desacelerar para não perder o fio da conversa.