Entretenimento
Quando a vida parecia correr mais devagar e o tempo rendia mais
Uma rotina simples que deixava os dias mais tranquilos
Em muitos relatos, a sensação é de que a vida já foi mais lenta: dormir cedo, acordar com o sol entrando pela janela e ter a impressão de que o dia rendia mais. Essa nostalgia de infância costuma aparecer quando a rotina adulta se torna acelerada e cheia de tarefas, criando um contraste constante entre o tempo presente e aquele passado em que tudo parecia menos urgente.
O que é nostalgia de infância?
A nostalgia de infância é a lembrança recorrente de um período em que as responsabilidades eram menores e a noção de tempo parecia mais elástica. Ela surge, em geral, quando o cotidiano se torna acelerado, com metas, prazos e notificações ocupando quase todos os espaços do dia.
Na memória, as manhãs começavam sem despertador, guiadas pela claridade e pelos sons da casa, e o relógio não tinha o mesmo peso. A mente tende a resgatar cenas marcadas por segurança, previsibilidade e uma rotina simples, que formam um mosaico de recordações em contraste com noites mal dormidas e jornadas prolongadas.

Por que sentimos tanta saudade da infância?
Especialistas em comportamento explicam que a saudade da infância não se prende apenas aos fatos em si, mas à forma como o cérebro organiza e seleciona essas lembranças. Momentos de brincadeira, descanso e convivência familiar são mais facilmente resgatados do que tensões e conflitos cotidianos daquele período.
Além disso, a percepção do tempo muda ao longo da vida: para uma criança, um ano parece enorme; para um adulto, passa rápido. Essa diferença de percepção contribui para a sensação de que “antes o tempo rendia mais” e de que os dias eram mais longos e menos fragmentados.
Como a rotina mudou do “dormir cedo e acordar com o sol” até hoje
A expressão “dormir cedo e acordar com o sol” simboliza um estilo de vida mais alinhado ao ritmo natural do corpo e da luz do dia. Em muitas casas, o fim do dia era marcado pela programação da televisão aberta, pela diminuição da luz e pela preparação gradual para o descanso, o que ajudava a regular o sono.
Hoje, telas, trabalhos remotos e compromissos noturnos prolongam a jornada, deslocando o início do sono para cada vez mais tarde. Alguns fatores explicam essa mudança na forma como organizamos o tempo e como nos relacionamos com o descanso:
- Aumento do uso de tecnologia: celulares, computadores e streaming estendem o tempo de exposição à luz artificial.
- Flexibilização do trabalho: jornadas irregulares, plantões e home office dificultam manter uma rotina fixa.
- Excesso de estímulos: notificações constantes tornam mais difícil “desligar” a mente antes de dormir.
- Urbanização e deslocamentos: trânsito e distâncias maiores consomem uma boa parte do dia.
Quais são os principais elementos dessa lembrança de um tempo mais lento
Ao falar de nostalgia de infância, muitas pessoas mencionam tardes longas, brincadeiras até o entardecer, refeições compartilhadas e a sensação de que os dias demoravam a passar. Esses elementos não dependem apenas da época histórica, mas de como a criança percebia o mundo, com menos pressa e menos obrigações formais.
Entre os componentes mais frequentes nessas recordações estão uma rotina previsível, um contato mais direto com o ambiente e menos fragmentação da atenção. Essa combinação gera a impressão de continuidade, de presença no momento e de pertencimento familiar ao longo do dia.
Houve um tempo em que a rotina era guiada pelo pôr do sol e pelo nascer do dia. Dormir cedo e acordar com a luz natural fazia a vida parecer mais calma.
Neste vídeo do canal Natalia Persico, com mais de 204 mil de inscritos e cerca de 52 mil visualizações, essa lembrança aparece ligada à nostalgia da infância:
Como a nostalgia de infância pode ajudar a repensar o tempo atual
A nostalgia de infância pode ser mais do que saudade: ela pode inspirar mudanças na forma de organizar a rotina. Ao lembrar que dormia mais cedo, acordava com o sol e percebia os dias como mais longos, a pessoa pode identificar quais hábitos antigos ainda fazem sentido para sua vida adulta.
Uma forma prática de transformar essa memória em ação é adaptar alguns rituais de descanso, convivência e uso de telas para o contexto atual. Entre os hábitos que podem ser resgatados e ajustados à realidade de hoje, destacam-se:
- Definir um horário aproximado para dormir: criar um ritual noturno mais tranquilo, com menos estímulos visuais e sonoros.
- Aproveitar mais a luz natural: abrir janelas pela manhã e, quando possível, priorizar atividades diurnas.
- Estabelecer pausas reais: incluir intervalos sem telas ao longo do dia, lembrando o tempo de brincar e descansar.
- Resgatar pequenos rituais simples: ler antes de dormir, conversar à mesa ou caminhar em horários de menor movimento.
Como lidar com a saudade da infância sem viver preso ao passado
A saudade da infância costuma aparecer em fases de maior cansaço, sobrecarga ou mudança de rotina, funcionando quase como um alerta interno. Em vez de encarar a nostalgia de infância apenas como falta do que já passou, é possível utilizá-la como instrumento de observação da própria vida atual.
Resgatar, mesmo que parcialmente, o hábito de se aproximar do ritmo do sol pode significar antecipar o horário de descanso em alguns dias ou reservar as primeiras horas da manhã para atividades mais calmas. Ao reconhecer o valor dessas memórias sem idealizar o passado, torna-se possível construir um cotidiano que, embora mais complexo, preserve algo daquele tempo em que o dia começava devagar e a pressa ainda não ditava o compasso das horas.