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Quando o café passado na hora perfumava a casa toda manhã
Um ritual simples que reunia a família logo cedo ao redor da mesa
Entre tantas mudanças tecnológicas e de comportamento das últimas décadas, alguns hábitos do dia a dia permanecem na memória como marca de uma geração. Em muitas casas brasileiras, uma dessas lembranças mais presentes é o cheiro de café passado na hora, geralmente logo cedo, sinalizando o início das atividades e ajudando a criar uma sensação de tempo, família reunida e começo de jornada.
Como o café passado na hora marcou o cotidiano de uma geração
Os hábitos cotidianos que marcaram uma geração não se limitam ao ato de tomar café. No entanto, o café passado na hora ocupa lugar de destaque, principalmente entre quem viveu infância e adolescência nas décadas de 1980, 1990 e início dos anos 2000, quando havia menos telas e um ritmo aparentemente mais lento.
Nesse contexto, o ritual de preparar o café funcionava como ponto de encontro antes da escola, do trabalho ou das tarefas domésticas. Em muitas casas, ele marcava a passagem da noite para o dia e organizava a rotina de todos, servindo como um “relógio afetivo” compartilhado pela família.

Quais hábitos de infância estão ligados ao café coado
A nostalgia da infância costuma se apoiar em pequenas cenas do cotidiano. O barulho do coador de pano, a chaleira no fogo e a mesa arrumada com pão e manteiga criavam uma atmosfera única, em que o café coado era mais do que bebida: era parte da trilha sonora e olfativa da casa.
Para muitas pessoas, esse cenário se repetia em diferentes momentos do dia, especialmente ao amanhecer e no café da tarde. Ao redor dele surgiam outros costumes que ajudavam a reforçar laços de convivência e marcar o tempo:
- Café coado no filtro de pano, lavado e reutilizado, muitas vezes pendurado na cozinha;
- Brincadeiras de rua, como esconde-esconde e queimada, que vinham depois do café da tarde;
- Programas de TV fixos no mesmo horário, acompanhados por lanche e café fresquinho;
- Visitas aos avós, quase sempre recebidas com café, bolo simples e conversa demorada.
Por que o café passado na hora desperta tanta nostalgia de infância
A associação entre café passado na hora e nostalgia de infância é frequente em relatos de diferentes faixas etárias. O aroma do café recém-coado é um dos cheiros mais lembrados porque o cérebro relaciona odores a memórias de forma intensa e duradoura, reforçando cenas simples do cotidiano familiar.
Em muitas famílias, crianças e adolescentes nem sempre bebiam café, mas vivenciavam o ambiente: sentavam à mesa, ouviam conversas, arrumavam a mochila ou faziam lição enquanto um adulto enchia as xícaras. Qualquer gole de café coado na vida adulta pode funcionar como atalho para esse passado, evocando sons, cheiros e imagens ligados à cozinha como espaço central da casa.
O cheiro do café passado na hora anunciava que o dia estava começando. O coador de pano e a garrafa térmica faziam parte da rotina de quase toda casa.
Neste vídeo do canal eusoubisa, com mais de 1.5 milhão de inscritos e cerca de 7.7 mil visualizações, essa lembrança aparece ligada à nostalgia da infância:
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Quais outros hábitos cotidianos reforçam essa sensação de saudade
A ideia de hábitos do dia a dia que marcaram uma geração vai além da bebida quente. A mesma geração que associa a infância ao café coado lembra de uma rotina feita de pequenas ações que hoje foram modificadas ou substituídas por novos recursos tecnológicos e formas de convivência.
Esses costumes formam um mosaico de lembranças que ajuda a explicar a saudade de um tempo percebido como mais simples. Entre os hábitos mais citados, destacam-se práticas que misturavam convivência, alimentação e organização do dia:
- Tomar café na cozinha, todos ao mesmo tempo, antes de cada um seguir o próprio caminho;
- Esperar o café da tarde como marco do fim das atividades da escola e início das brincadeiras;
- Reunir a família aos domingos para o almoço, seguido de café e sobremesa caseira;
- Ouvir o rádio ou assistir ao jornal enquanto o café era preparado, criando um fundo sonoro fixo;
- Fazer tarefas escolares na mesa enquanto alguém passava café, misturando estudo e convivência.
Como o ritual do café coado ainda influencia a identidade de uma geração
Com o avanço de máquinas automáticas, cápsulas e novos formatos de consumo, o café passado na hora deixou de ser a única forma de preparar a bebida. Ainda assim, muitas pessoas mantêm o ritual do coador por hábito, economia ou identificação com a própria história, usando essa prática como ponte entre passado e presente.
A nostalgia de infância associada ao café remete também a uma forma de organizar o tempo: havia a hora do café, a hora do estudo, a hora da novela, todas marcadas por gestos repetidos. Ao preparar café coado hoje, muitos recriam um pedaço desse roteiro diário, mostrando como práticas domésticas simples ajudam a construir identidade, memória afetiva e sensação de continuidade entre gerações.