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Quando você toca nessa planta, ela reage quase instantaneamente

A planta responde ao estímulo físico com um movimento rápido

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Quando você toca nessa planta, ela reage quase instantaneamente
Movimento rápido das folhas provocado por estímulo físico como o toque

Entre as muitas curiosidades da natureza, poucas chamam tanta atenção quanto as plantas que “se mexem” ao menor toque. Em alguns casos, basta encostar de leve para que folhas se fechem rapidamente, como se o vegetal estivesse reagindo a um susto, o que desperta dúvidas sobre como funciona esse mecanismo e qual é a finalidade dessa resposta tão visível. Esse comportamento chama a atenção de quem observa e desperta interesse sobre os processos de defesa que as plantas desenvolveram ao longo da evolução.

Por que algumas plantas fecham as folhas quando são tocadas

A principal explicação para o fechamento de folhas em plantas como a Mimosa pudica está relacionada à proteção contra herbívoros. Quando um animal toca ou tenta comer a planta, o movimento repentino das folhas pode causar estranhamento, fazendo o possível predador desistir ou, ao menos, hesitar por alguns instantes, funcionando como uma forma de camuflagem momentânea.

Essa mudança brusca na aparência da planta também pode dificultar o ataque de insetos ou herbívoros, que perdem o interesse ao perceber que a folhagem ficou menor ou menos acessível. Em alguns ambientes, o fechamento temporário das folhas ainda reduz a área exposta, ajudando a limitar perdas de água em situações de vento forte ou calor intenso, atuando também na economia de recursos hídricos.

Quando você toca nessa planta, ela reage quase instantaneamente
O toque humano provoca uma resposta surpreendente – Créditos: depositphotos.com / alexandrelaprise

Como funciona o mecanismo que faz as folhas se fecharem rapidamente

O movimento das plantas sensíveis ao toque é chamado de tigmonastia ou seismonastia, termos usados para descrever movimentos causados por estímulos mecânicos, como toque, vibração ou impacto. Diferentemente do crescimento em direção à luz ou à gravidade, esse movimento depende de mudanças rápidas na pressão interna das células, não de alongamento celular prolongado, sendo um exemplo de resposta rápida em vegetais.

Na base das folhas e folíolos existem estruturas chamadas pulvinos, formadas por células capazes de alterar rapidamente o volume de água. Quando alguém toca a planta, receptores sensíveis ao estímulo mecânico são ativados, gerando um sinal elétrico que se espalha pela folha e provoca redistribuição de íons, como potássio e cálcio, alterando a pressão de turgor e levando ao fechamento. Esse processo envolve coordenação fina entre sinalização elétrica, transporte de íons e ajustes osmóticos no interior dos tecidos.

Quais sinais e etapas estão envolvidos no movimento das folhas sensíveis

O fechamento das folhas ocorre por uma sequência coordenada de eventos físicos e químicos que acontecem em poucos segundos. Embora lembrem impulsos nervosos, esses sinais em plantas são bioelétricos e atuam apenas como comandos automáticos para ajustar água e íons nas células, sem qualquer envolvimento com consciência, caracterizando um tipo de automatismo biológico.

De forma simplificada, o processo pode ser descrito em etapas, que ajudam a entender como o estímulo mecânico se transforma em movimento visível:

  • O toque ativa receptores mecânicos nas células da folha ou do pecíolo;
  • Formam-se sinais elétricos que se propagam rapidamente pela folha;
  • Íons se redistribuem entre o interior e o exterior das células do pulvino;
  • A água se desloca osmoticamente, alterando o volume celular e a pressão de turgor;
  • A folha se dobra ou fecha temporariamente, retornando ao normal após alguns minutos.

Algumas plantas fecham as folhas imediatamente quando são tocadas, e isso sempre chama atenção. Neste vídeo do canal Horta e Pomar em Vaso, que reúne mais de 430 mil de inscritos e soma cerca de 1.1 milhões visualizações, você entende por que esse movimento acontece:

Quais plantas fecham as folhas ao toque e em que ambientes vivem

A Mimosa pudica é o exemplo mais conhecido de planta que fecha as folhas ao toque, muito comum em regiões tropicais e encontrada em terrenos baldios, jardins e beiras de estrada no Brasil. Outras espécies do mesmo gênero, como Mimosa sensitiva, e algumas leguminosas apresentam movimentos semelhantes, embora nem sempre tão rápidos ou evidentes, demonstrando que esse tipo de adaptação surgiu em diferentes espécies aparentadas.

Em ambientes de floresta, campo e cerrado, essas plantas sensíveis convivem com grande diversidade de herbívoros, o que ajuda a entender por que um mecanismo de defesa tão específico pode ter sido favorecido evolutivamente. Nesses locais, cada folha perdida representa gasto de energia considerável, sobretudo em solos pobres.

  • Regiões tropicais: alta diversidade de insetos e herbívoros;
  • Áreas abertas: maior exposição a vento, pisoteio e toque;
  • Solos pobres: cada folha perdida implica grande custo energético.

O fechamento das folhas indica que a planta sente dor

O fechamento das folhas em plantas sensíveis costuma gerar a pergunta se isso indicaria dor ou sensação semelhante à de animais. Pelos conhecimentos atuais da fisiologia vegetal, não há evidências de dor no sentido humano do termo, pois as plantas não possuem sistema nervoso, cérebro ou estruturas equivalentes às que processam emoções e sensações em animais, o que exclui a ideia de consciência nos moldes animais.

Os sinais elétricos observados nas plantas são mecanismos de reação ao ambiente, coordenando respostas como fechamento de folhas, enrolamento de tentáculos em plantas carnívoras ou ajustes no balanço hídrico. Eles mostram que as plantas possuem formas sofisticadas de interação com o meio, sem que isso represente experiência consciente, mas sim estratégias eficientes de sobrevivência em ambientes cheios de estímulos, reforçando sua impressionante plasticidade fisiológica.

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