Russa que chegou grávida a Paraty há dez anos virou parteira e já ajudou mais de 40 famílias russas, ucranianas e bielorrussas a terem filhos brasileiros - Super Rádio Tupi
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Russa que chegou grávida a Paraty há dez anos virou parteira e já ajudou mais de 40 famílias russas, ucranianas e bielorrussas a terem filhos brasileiros

Lucy chegou ao Brasil grávida e sem destino; hoje ela ajuda dezenas de famílias russas e ucranianas a terem filhos brasileiros na cidade

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Mulher grávida e parteira conversam sentadas em ambiente doméstico com vista para rua
Parteira conversa com gestante em Paraty, ilustrando o trabalho de Lucy com estrangeiras que buscam o parto domiciliar. Imagem ilustrativa gerada por IA

A russa Lucy Maratkanova chegou ao Brasil em 2016 com o marido, Nico Zharov, a filha Amélia e uma gestação de sete meses. O casal não tinha casa, amigos ou cidade definida, apenas a certeza de que o segundo filho nasceria brasileiro.

Dez anos depois, Lucy atua como parteira em Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, ela já acompanhou o parto de mais de 40 famílias russas, ucranianas e bielorrussas na cidade.

Destino decidido na saída do aeroporto

A escolha por Paraty ocorreu de forma inesperada. Lucy havia preparado uma lista de cidades pequenas, próximas ao mar e cercadas por montanhas. O primeiro destino seria Angra dos Reis, por ordem alfabética.

Contudo, o motorista de aplicativo que buscou a família no aeroporto comentou que estava a caminho de Paraty, que também constava na lista. A decisão de mudar o plano foi tomada ali mesmo.

“Quando entramos na cidade, sentimos amor à primeira vista”, disse Zharov ao jornal. Tamerlan e, posteriormente, Tara nasceram em Paraty. O casal afirma ter sido o primeiro a se fixar na cidade.

De gestante a parteira

Após se instalar, Lucy realizou um curso de parteira no Brasil e começou a atender estrangeiras que buscavam o parto domiciliar. Ela relata que todos os bebês que nasceram com sua assistência foram registrados no cartório de Paraty e são brasileiros.

Parte dessas famílias permaneceu na cidade, enquanto outras se mudaram para outros municípios. Poucas retornaram aos seus países de origem.

Um dos casais que procurou Lucy foi Arina e Dmitriy Komkov, que chegaram da Rússia em agosto. Grávida do segundo filho, Arina escolheu Paraty após uma tentativa frustrada de se mudar para a Indonésia. Agora, eles planejam comprar uma casa e não pretendem voltar.

A comunidade formada em Paraty também atraiu ucranianos. Olexiy Shmytkin chegou em janeiro de 2025 com a esposa, Lena, e duas filhas. A caçula nasceu na cidade e hoje tem 1 ano. Ele conta que a presença de russos e ucranianos, que facilitaria a comunicação, foi um fator na escolha.

Por que nascer no Brasil faz diferença

A Constituição brasileira considera nato quem nasce no país, mesmo que os pais sejam estrangeiros, desde que não estejam a serviço de seu governo. Além disso, a Lei de Migração prevê autorização de residência para quem tem um filho brasileiro.

Foi assim que a família de Lucy garantiu o direito de permanecer no Brasil. “Brincamos que nosso filho Tamerlan escolheu nascer no Brasil e nos deu esse presente”, disse o casal.

Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) mostram que, desde fevereiro de 2022, foram registradas 178.661 entradas de russos e 101.017 de ucranianos no país. Esse número contabiliza entradas, não indivíduos.

No mesmo período, os pedidos de refúgio somaram 1.061, sendo 934 de russos e 127 de ucranianos. Para efeito de comparação, o Brasil recebeu 75,6 mil pedidos de refúgio de todas as nacionalidades apenas em 2025.