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Segundo a psicologia, quando as crianças calçam os sapatos dos pais, não estão apenas brincando, mas sim explorando e construindo sua identidade
Quando as crianças calçam os sapatos dos pais: o gesto revela como a mente infantil constrói identidade aos 3 anos
👟 Por que os pequenos adoram calçar os sapatos dos pais?
Parece só bagunça no quarto, mas o gesto de vestir um sapato enorme demais esconde um processo silencioso de formação da identidade. ⬇️
Um pezinho pequeno dentro de um sapato de adulto três vezes maior já rendeu boas risadas em qualquer casa com crianças pequenas. O que poucos pais percebem é que essa cena repete um mecanismo essencial do desenvolvimento humano. Ao calçar o sapato dos pais, a criança não está apenas imitando um gesto qualquer. Ela está experimentando, por alguns minutos, o que significa ocupar o lugar de outra pessoa, e é justamente esse exercício que ajuda a formar quem ela é.
O que acontece na mente da criança nesse momento?
Ela entra no chamado brincar simbólico, uma fase em que o cérebro infantil começa a separar o real do imaginado. Ao vestir o calçado do pai ou da mãe, a criança testa papéis sociais, observa como o corpo se move de forma diferente e absorve pistas sobre autoridade, cuidado e rotina. Especialistas em desenvolvimento chamam isso de ensaio de identidade, um processo que acontece de forma espontânea e não precisa de nenhum estímulo especial dos adultos.
O psicólogos chamam atenção para esse comportamento ao afirmar que, quando um filho calça os sapatos dos pais, ele não está apenas brincando, há muito mais por trás do gesto. A criança está processando emocionalmente o vínculo com a figura adulta, testando limites e se apropriando, ainda que de forma simbólica, de características que admira ou deseja compreender melhor.

Isso é a mesma coisa que imitar os pais em outras situações?
É parte do mesmo fenômeno, mas com um detalhe importante. A imitação verbal, quando a criança repete frases dos adultos, é cognitiva. Já calçar um sapato envolve o corpo inteiro, e isso muda a forma como a experiência é registrada na memória. O gesto físico ativa áreas ligadas à propriocepção, a percepção do próprio corpo no espaço, tornando a brincadeira mais intensa do que uma simples repetição de palavras.
Vale observar que esse comportamento costuma aparecer entre os dois e os cinco anos, justamente o período em que a noção de identidade infantil ganha forma mais definida. Antes disso, a criança ainda não distingue bem seu próprio corpo do corpo do adulto, o que explica por que a brincadeira surge com tanta naturalidade nessa faixa etária.
Antes de avançar, vale entender como esse tipo de jogo simbólico se organiza no dia a dia da criança, já que ele não aparece isolado, mas em diferentes formatos ao longo da rotina.
Os pais devem incentivar essa brincadeira ou deixar acontecer sozinha?
Não é preciso montar nenhuma atividade especial. A brincadeira surge sozinha quando a criança tem acesso aos objetos dos adultos em um ambiente seguro. O papel dos pais está em não interromper o momento com pressa ou correção, já que esse tipo de jogo cumpre uma função emocional legítima.
Alguns comportamentos ajudam a valorizar esse processo sem forçar a criança:
- Deixar sapatos, bolsas ou casacos ao alcance em momentos de brincadeira livre;
- Comentar com leveza sobre o que a criança está representando, sem interromper a cena;
- Evitar rir de forma que a criança sinta constrangimento pelo gesto;
- Observar se o faz de conta inclui também outros membros da família, sinal de vínculo saudável.
Quando esse comportamento pode indicar algo além da brincadeira comum?
Na maioria dos casos, calçar os sapatos dos pais é só uma fase passageira e saudável do desenvolvimento infantil. Especialistas recomendam atenção apenas se a criança demonstrar ansiedade excessiva ao imitar o adulto, como tentar reproduzir brigas ou situações de estresse observadas em casa. Nesses casos, o jogo simbólico pode estar sinalizando algo que vale conversar com um profissional de psicologia infantil.
O que fazer da próxima vez que seu filho calçar seus sapatos?
Da próxima vez que encontrar seu filho tropeçando dentro do seu próprio calçado, olhe para a cena com outros olhos. Não é só uma travessura de tarde chuvosa, é um pedacinho da identidade dele tomando forma. Aproveite esse minuto, tire uma foto se quiser, mas principalmente deixe a brincadeira acontecer até o fim.