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Segundo a psicologia, quem adora filmes de terror pode não ser mórbido, mas estar treinando o cérebro para lidar com o medo e a ansiedade num ambiente seguro

Gostar de filmes de terror pode ser uma forma de explorar o medo e aprender a lidar melhor com emoções intensas

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Segundo a psicologia, quem adora filmes de terror pode não ser mórbido, mas estar treinando o cérebro para lidar com o medo e a ansiedade num ambiente seguro
Filmes de terror podem permitir explorar o medo dentro de uma situação segura e controlada (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Gostar de filmes de terror pode envolver mais do que procurar sustos ou histórias sombrias. Pesquisas sobre comportamento e regulação emocional sugerem que o medo vivido em uma situação de entretenimento pode oferecer oportunidades de observar as próprias reações. Na segurança do sofá, a pessoa acompanha uma ameaça fictícia, sente a tensão aumentar e pode escolher quando interromper a experiência.

Por que sentir medo pode ser divertido?

Uma perseguição na tela pode provocar tensão mesmo quando o espectador sabe que os personagens são fictícios. Essa combinação ajuda a explicar o chamado medo recreativo, uma experiência assustadora procurada voluntariamente como diversão. A ameaça pertence à narrativa, enquanto quem assiste permanece em um contexto no qual pode pausar o filme, acender a luz ou chamar alguém.

Um estudo publicado na revista Psychological Science, em 2020, investigou visitantes de uma atração de casa assombrada. Os resultados apontaram uma relação entre diversão e uma intensidade intermediária de medo. Pouca tensão podia reduzir o interesse, enquanto tensão excessiva diminuía o prazer. O susto agradável depende de uma intensidade que a pessoa consegue tolerar.

Segundo a psicologia, quem adora filmes de terror pode não ser mórbido, mas estar treinando o cérebro para lidar com o medo e a ansiedade num ambiente seguro
Filmes de terror podem permitir explorar o medo dentro de uma situação segura e controlada (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como os filmes de terror podem favorecer a regulação emocional?

Uma hipótese estudada é que histórias assustadoras funcionem como simulações de ameaças. Ao acompanhar o enredo, o espectador pode experimentar maneiras de administrar o desconforto e perceber como reage à expectativa de perigo. Isso permite explorar emoções sem enfrentar a ameaça mostrada na tela. Durante a sessão, essa experiência pode envolver atitudes como:

  • Lembrar que a cena faz parte de uma produção com atores e efeitos especiais;
  • Desviar o olhar quando a intensidade ultrapassa o que parece agradável;
  • Buscar companhia para dividir a tensão e conversar sobre a história;
  • Observar o alívio depois que uma sequência assustadora termina.

O que as pesquisas mostram sobre ansiedade e situações difíceis?

Uma pesquisa com 310 participantes, publicada em 2021 na revista Personality and Individual Differences, encontrou uma associação entre gostar do gênero e apresentar menos sofrimento psicológico durante a pandemia de COVID-19. Os autores discutiram a possibilidade de narrativas ameaçadoras oferecerem oportunidades de praticar estratégias de enfrentamento. O resultado, porém, não demonstra que assistir a essas produções tenha causado essa diferença.

Por isso, dizer que alguém pode estar “treinando o cérebro” é uma maneira simplificada de apresentar uma hipótese sobre aprendizagem emocional. Assistir a uma história assustadora não equivale a tratar um transtorno de ansiedade. A contribuição possível está em conhecer reações, experimentar formas de enfrentar a tensão e perceber que uma emoção desagradável pode mudar ao longo da experiência.

Todos os espectadores procuram a mesma sensação?

Os motivos para escolher filmes de terror variam. Pesquisas sobre entretenimento assustador identificam pessoas interessadas principalmente na excitação, outras que valorizam a sensação de superar o medo e outras que relatam usar essas experiências para lidar com sentimentos difíceis. Essas motivações podem se misturar, sem formar perfis rígidos. Entre os interesses possíveis estão:

Por que histórias assustadoras podem ser atraentes

Experiências que combinam tensão, curiosidade, ficção e diversão compartilhada

  • 1Apreciar a tensão provocada por uma ameaça que permanece na ficção;
  • 2Sentir satisfação por acompanhar uma história que parecia assustadora demais;
  • 3Explorar temas difíceis por meio de personagens e situações imaginárias;
  • 4Descobrir mistérios e tentar antecipar o desfecho da narrativa;
  • 5Dividir sustos, risadas e comentários com outras pessoas durante a sessão.

O gosto pelo terror merece ser entendido sem rótulos

Preferir histórias sombrias, por si só, não permite concluir que alguém seja cruel, insensível ou tenha um problema psicológico. O interesse pode estar na curiosidade, no suspense ou na experiência de atravessar uma emoção intensa. Também não gostar desse gênero não indica falta de coragem. Cada espectador encontra prazer em narrativas diferentes e estabelece seus próprios limites de desconforto.

A possibilidade de escolher e interromper faz parte da segurança dessa experiência. Se uma sessão deixa de ser divertida, não é necessário continuar para provar resistência. Para quem aprecia o gênero, o contato com ameaças imaginárias pode ser uma oportunidade de observar o medo, reconhecer limites e descobrir quais estratégias ajudam a recuperar a tranquilidade depois do susto.