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Segundo a psicologia, quem conversa com as plantas de casa enquanto rega pode não estar sendo excêntrico, mas exercitando uma forma de cuidado que acalma a própria mente

Estudo de 2015 registrou pressão mais baixa após cuidar de uma planta, e revisão com 31 pesquisas liga a jardinagem a menos estresse emocional

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Conversar com as plantas na hora da rega transforma o gesto em um momento de atenção e autocuidado
Conversar com as plantas na hora da rega transforma o gesto em um momento de atenção e autocuidado - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem dá bom-dia à samambaia da varanda na hora de regar costuma virar motivo de piada na família. Mas cuidar das plantas de casa pode ajudar a mente mais do que parece. Para a psicologia ambiental, área que estuda a relação entre as pessoas e os lugares onde vivem, esse hábito pode ser lido de outro jeito. Pesquisas indicam que mexer com plantas reduz sinais de estresse, e a conversa faz parte desse pequeno ritual de atenção e de autocuidado.

Por que conversar com as plantas de casa não é esquisitice?

Conversar com as plantas pode não ter nada de esquisitice: é um jeito de transformar a rega num momento de atenção. Ao falar com o vaso, a pessoa desacelera e repara nas folhas, na terra úmida e nos brotos novos. Por alguns minutos, ela sai do ritmo da tela e das contas a pagar.

A psicologia ambiental investiga como o ambiente mexe com o humor, a concentração e o bem-estar. As pesquisas da área medem sobretudo o efeito do cuidado com o verde, e a conversa entra como parte natural desse gesto. Segundo os estudos, o que ajuda a aliviar o estresse é a interação ativa com a planta, e não só tê-la por perto.

O que o estudo com plantas mostrou sobre o estresse?

O estudo mais lembrado sobre o tema mostrou que lidar com uma planta baixa a pressão e relaxa mais do que uma tarefa no computador. A pesquisa sobre interação com plantas de interior saiu em 2015 no periódico Journal of Physiological Anthropology, com 24 jovens adultos saudáveis.

Mexer com uma planta por 15 minutos reduziu a pressão diastólica de cerca de 72 para 65 mmHg em estudo com 24 jovens
Mexer com uma planta por 15 minutos reduziu a pressão diastólica de cerca de 72 para 65 mmHg em estudo com 24 jovens – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Cada participante fez duas tarefas de 15 minutos, em dias diferentes: transplantar uma planta de vaso e digitar um texto no computador. Depois do contato com a planta, a pressão diastólica, a mínima, ficou em torno de 65 mmHg. Após o computador, ficou perto de 72 mmHg.

Os voluntários também se disseram mais confortáveis, relaxados e naturais depois de mexer na terra. Nos minutos finais, caiu a atividade do sistema nervoso ligada ao estado de alerta. Os próprios autores lembram que o grupo era pequeno, formado só por rapazes universitários, e pedem novos estudos.

Quem já tem vasos espalhados pela casa pode estender esse cuidado à decoração. A matéria abaixo ajuda a escolher espécies para enfeitar a mesa.

O que a jardinagem terapêutica mostra em pesquisas maiores?

A jardinagem terapêutica, chamada de horticultura terapêutica pelos cientistas, também mostra resultado em estudos maiores, principalmente no lado emocional. Uma revisão sobre horticultura terapêutica e redução do estresse, publicada na Frontiers in Psychology em 2023, reuniu 31 estudos com 1.036 participantes.

Revisão com 31 estudos mostra que a jardinagem terapêutica reduz o estresse emocional, mas não substitui o acompanhamento profissional
Revisão com 31 estudos mostra que a jardinagem terapêutica reduz o estresse emocional, mas não substitui o acompanhamento profissional – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O efeito sobre os indicadores psicológicos de estresse foi significativo. Já as medidas do corpo não mostraram diferença clara. Programas com 100 a 500 minutos no total tiveram os melhores resultados, e os autores pedem pesquisas mais rigorosas para confirmar os achados.

No Brasil, a ideia já chegou ao SUS. Em Vitória, no Espírito Santo, a Secretaria Municipal de Saúde mantém jardins terapêuticos em unidades de saúde, segundo relato na plataforma IdeiaSUS, da Fiocruz. Lá acontecem oficinas de cultivo, de chás e de plantas medicinais.

Como fazer da rega um momento real de autocuidado?

Fazer da rega um momento de autocuidado depende menos da espécie e mais da atenção que você dá a ela. Deixar o celular de lado, observar cada folha e conversar com calma tira o gesto do piloto automático. Na revisão, sessões curtas, de menos de meia hora, já trouxeram bons resultados emocionais.

Cuidar das plantas de casa complementa, mas não substitui, o acompanhamento com psicólogo ou médico em casos de ansiedade ou depressão. Se o estresse estiver pesando no dia a dia, procure uma unidade de saúde. E da próxima vez que alguém estranhar seu papo com a espada-de-são-jorge, que tal convidar a pessoa para regar junto com você?

Quem gostou da ideia de botar a mão na terra pode ir além dos vasos da sala. A matéria abaixo mostra como começar uma horta mesmo sem experiência.

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