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Segundo a psicologia, quem gasta o 13º na primeira semana não é descontrolado: o cérebro trata o dinheiro extra como “prêmio” e não como salário
A contabilidade mental, estudada pela psicologia comportamental, explica por que o dinheiro que chega uma vez por ano ganha etiqueta de recompensa
Caiu o 13º salário e, em poucos dias, o dinheiro já virou roupa nova, churrasco e presente? Antes de se chamar de descontrolado, conheça a contabilidade mental, conceito da psicologia comportamental que explica por que a gente separa o dinheiro em “gavetas” dentro da cabeça. Por essa lógica, uma quantia que chega uma vez por ano tende a ser vista como recompensa, e não como parte do orçamento do mês.
O que a contabilidade mental diz sobre o 13º salário?
A contabilidade mental diz que o 13º não é tratado como um dinheiro qualquer. O economista americano Richard Thaler definiu a ideia como o conjunto de operações mentais que pessoas e famílias usam para organizar, avaliar e acompanhar as finanças pessoais. A definição é retomada num estudo publicado no periódico Frontiers in Psychology, em 2019.
Na teoria econômica, um real vale um real, venha de onde vier. Na vida real, os autores mostram que as pessoas colocam rótulos nas notas. O salário fica carimbado para aluguel, luz e mercado, enquanto o dinheiro que aparece fora da rotina ganha outra etiqueta.
O benefício reforça essa sensação porque chega em bloco, no fim do ano. Pela Lei 4.090, de 1962, a gratificação é paga em dezembro e equivale a 1/12 da remuneração por mês trabalhado no ano.

Por que o dinheiro extra parece prêmio para o cérebro?
O dinheiro extra parece prêmio porque a origem dele muda a forma como decidimos gastar. No mesmo estudo, os pesquisadores compararam duas situações hipotéticas: um ganho em cassino e uma restituição de imposto. Em geral, o dinheiro do jogo foi mais direcionado a gastos supérfluos, e o da restituição, a despesas sérias.
O efeito apareceu sobretudo entre pessoas com tendência maior a separar o dinheiro em categorias e quando o valor era alto. Os próprios autores lembram que as amostras foram pequenas e pedem novas pesquisas. Mesmo assim, o resultado ajuda a entender por que tanta gente sente que o extra de dezembro “merece” ser comemorado.
Quem usa o benefício para realizar um projeto em casa segue a mesma lógica de dar um destino especial ao dinheiro. A matéria abaixo mostra como fazer as contas de uma reforma desse tipo.
Como evitar que o consumo impulsivo engula o 13º salário?
Para evitar que o consumo impulsivo engula o 13º, o caminho é usar as gavetas mentais a seu favor. O estudo da Frontiers aponta que separar despesas em categorias simplifica decisões e ajuda a manter o autocontrole diante das tentações.

Quando você define o destino de cada parte antes do dinheiro cair, o prêmio continua existindo, só que com limite. Algumas atitudes simples ajudam a montar esse plano:
- Dívidas primeiro: parcelas atrasadas e cheque especial costumam ter juros altos e merecem a primeira fatia.
- Contas de janeiro: impostos, matrícula e material escolar chegam logo depois das festas.
- Fatia do prazer: uma parte fixa para presentes e lazer reduz a compra por impulso e a culpa depois.
Conhecimento ajuda, mas não blinda ninguém. Uma pesquisa publicada na Revista de Contabilidade do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ ouviu 154 universitários no Paraná. Os estudantes de Contabilidade tinham controle financeiro mais avançado, mas ainda tomavam decisões que a lógica não explicava.
Gastar o 13º na primeira semana é sempre um erro no bolso?
Gastar o 13º logo na primeira semana não é, por si só, sinal de descontrole. A psicologia comportamental mostra que tratar o extra como recompensa é um jeito comum de o cérebro organizar as finanças pessoais. O problema aparece quando o prêmio ignora um rombo que já existia ou empurra contas para o cartão.
A saída é olhar para as gavetas com honestidade: o que é compromisso, o que é reserva e o que é presente para você. Que tal sentar com a família neste fim de semana, fazer as contas no papel e decidir juntos quanto do 13º vai virar comemoração?
Outro dinheiro do trabalhador que muita gente esquece de acompanhar é o do Fundo de Garantia. A Tupi explica como conferir o saldo sem sair de casa.
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