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Segundo a psicologia, quem guarda até hoje um brinquedo da infância pode não estar apenas sendo nostálgico, mas preservando uma âncora de segurança emocional
Guardar um brinquedo da infância tem explicação na psicologia: estudo em 28 países liga a nostalgia à sensação de continuidade
Aquele urso de pelúcia no fundo do armário pode ter uma função maior do que decorar a prateleira. A psicologia estuda há décadas o papel dos objetos que acompanham a infância. Pesquisas sobre nostalgia sugerem que lembranças afetivas ajudam adultos a sentir que continuam sendo a mesma pessoa ao longo da vida.
O que a psicologia diz sobre guardar brinquedos antigos?
A psicologia vê esse hábito como algo comum e, em muitos casos, saudável. O brinquedo funciona como uma ponte concreta para memórias afetivas do passado.
A ideia tem raízes no trabalho do pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott. Em 1953, ele descreveu o objeto transicional, como o paninho ou o bichinho que o bebê carrega para se acalmar. Esse objeto ajuda a criança a lidar com a ausência dos pais e a ganhar autonomia aos poucos.
Na vida adulta, o brinquedo antigo raramente cumpre o mesmo papel. Ele passa a ser um símbolo, uma espécie de âncora que liga o adulto de hoje à criança de ontem.

O que um estudo com 28 países revelou sobre a nostalgia?
O estudo revelou que lembrar de memórias nostálgicas aumenta a sensação de conexão com outras pessoas e de continuidade da própria história. O trabalho reuniu 2.606 jovens adultos de 28 países e de Hong Kong.
A pesquisa, liderada por cientistas das universidades de Surrey e de Southampton, foi publicada em 2024 no Journal of Experimental Psychology: General. Recordar algo nostálgico, em vez de uma memória comum, também aumentou a sensação de sentido na vida, em diferentes culturas.
Os autores observaram ainda que a nostalgia aparece com frequência em momentos de ameaça psicológica, como solidão ou insegurança. Muitas crenças sobre o tema, porém, não resistem aos dados. Confira:
O brinquedo guardado funciona mesmo como âncora emocional?
Pode funcionar, mas essa é uma interpretação, e não uma conclusão direta dos estudos. As pesquisas medem os efeitos de memórias nostálgicas, e não de objetos específicos.
Mesmo assim, um brinquedo antigo é um gatilho poderoso de lembranças. Ao tocar, ver ou cheirar o objeto, você acessa memórias da infância que podem trazer conforto. Por isso, faz sentido pensar nele como um ponto de apoio em fases difíceis. Mudanças de cidade, separações e lutos costumam ser momentos em que esses objetos ganham novo valor.
Ao ler esse tipo de pesquisa, vale manter alguns limites em mente:
- Os estudos mostram efeitos médios, e cada pessoa reage de um jeito.
- A maior parte dos experimentos mede efeitos imediatos, logo após a lembrança.
- Os participantes foram, em grande parte, jovens adultos.
- Guardar um objeto não substitui apoio de amigos, família ou terapia.
Quando o apego ao passado merece atenção?
Merece atenção quando a lembrança deixa de confortar e passa a gerar tristeza constante. A nostalgia saudável costuma dar energia para o presente, e não afastar a pessoa dele.
Um estudo publicado na revista Emotion mostrou que a reflexão nostálgica semanal trouxe ganhos de bem-estar por cerca de três semanas. Depois desse período, o efeito positivo ficou restrito a quem tem mais tendência à nostalgia. Para quem tem pouca tendência, os resultados foram piores. Se as memórias trazem sofrimento, procurar um psicólogo é um passo de cuidado.
Qual brinquedo da infância você guarda até hoje?
Aquele carrinho gasto ou a boneca sem um dos olhos podem guardar mais do que lembranças. Para muita gente, eles lembram de onde viemos e ajudam a seguir em frente com mais firmeza. Conta para a gente qual objeto da sua infância continua na sua casa.
🗳️ E você?
Você ainda guarda algum brinquedo da infância?
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