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Segundo a psicologia, quem passa dos 60 anos e continua aprendendo coisas novas, cultivando amizades e realizando projetos pessoais pode encontrar mais satisfação nessa fase da vida
Depois dos 60 anos, aprender coisas novas, cultivar amizades e manter projetos pode aumentar a satisfação com a vida
Passar dos 60 anos não encerra a possibilidade de descobrir interesses, fortalecer amizades e realizar projetos pessoais. Pesquisas sobre envelhecimento e bem-estar relacionam atividades prazerosas à satisfação com a vida, embora cada pessoa tenha condições e preferências diferentes. Aprender uma receita, participar de encontros ou retomar um trabalho manual pode oferecer experiências significativas. O importante é que essas escolhas façam sentido para quem as realiza, sem transformar o lazer em cobrança.
O que as pesquisas mostram sobre satisfação depois dos 60 anos?
Um estudo publicado em 2023 reuniu dados de mais de 93 mil pessoas com 65 anos ou mais, em 16 países. O trabalho foi publicado na Nature Medicine. Os pesquisadores encontraram uma relação entre manter hobbies e apresentar maior satisfação com a vida, felicidade e melhor percepção da própria saúde. Esses resultados ajudam a compreender a importância dos interesses pessoais, mas não significam que qualquer passatempo produzirá o mesmo efeito.
Como a pesquisa utilizou dados observacionais, ela não prova que os hobbies, isoladamente, causaram essas diferenças. Saúde, renda, oportunidades e outras condições também participam do envelhecimento. Ter atividades de interesse pode integrar o bem-estar, sem funcionar como garantia de felicidade ou como obrigação para demonstrar que alguém está envelhecendo bem.

Como aprender coisas novas pode fazer parte dessa rotina?
A aprendizagem não precisa envolver uma matrícula, uma prova ou uma habilidade considerada difícil. Ela pode nascer de uma curiosidade antiga ou de uma necessidade cotidiana. Aprender a usar um recurso do celular, por exemplo, pode facilitar conversas com amigos. Algumas possibilidades permitem experimentar interesses sem exigir grandes investimentos:
- Testar uma receita e registrar os ajustes para prepará-la novamente;
- Participar de uma oficina gratuita oferecida por um equipamento cultural;
- Aprender pontos de crochê, desenho ou outra técnica manual;
- Pesquisar a história de fotografias antigas da família;
- Conhecer os cuidados necessários para cultivar uma planta;
- Explorar livros, músicas ou assuntos que despertem curiosidade.
Por que as amizades continuam importantes nessa fase?
As amizades podem oferecer escuta, companhia e oportunidades de compartilhar acontecimentos cotidianos. Isso não exige manter uma agenda cheia. A teoria da seletividade socioemocional, desenvolvida pela psicóloga Laura Carstensen, ajuda a explicar por que perceber o tempo como mais limitado pode favorecer a prioridade dada a relações emocionalmente significativas. Essa mudança não acontece da mesma maneira com todas as pessoas.
Assim, ter menos contatos não significa necessariamente estar isolado. Uma conversa frequente com alguém próximo pode ser mais desejada do que participar de vários encontros sem afinidade. A qualidade dos vínculos merece atenção, assim como a possibilidade de escolher quando encontrar companhia. Também é importante distinguir a preferência por momentos de solitude da falta de contato que causa sofrimento.

Como começar projetos pessoais sem sobrecarregar a semana?
Um projeto pessoal pode ser organizar receitas, montar um álbum ou voltar a tocar um instrumento. Para caber na rotina, ele precisa considerar disposição, orçamento, acessibilidade e outras responsabilidades. Em vez de estabelecer uma meta extensa logo no início, algumas escolhas ajudam a definir uma experiência possível:
- Escolher algo que desperte interesse próprio, sem depender da aprovação da família;
- Definir uma primeira etapa pequena, como separar dez fotografias;
- Verificar custos, transporte e condições de participação antes de assumir compromissos;
- Reservar intervalos e adaptar a duração da atividade quando necessário;
- Convidar alguém, caso compartilhar o projeto torne a experiência mais agradável;
- Reconsiderar o plano se ele deixar de despertar interesse.
Uma rotina com espaço para escolhas e diferentes ritmos
Depois dos 60 anos, limitações financeiras, dificuldades de mobilidade e responsabilidades de cuidado podem restringir o acesso a encontros e atividades. Essas barreiras não representam falta de vontade. Familiares e serviços comunitários podem colaborar com transporte, informação e acessibilidade, preservando a decisão da pessoa sobre o que deseja fazer. Oferecer ajuda não significa escolher seus interesses por ela.
A satisfação nessa fase pode envolver aprender algo, conversar com um amigo ou avançar devagar em um projeto. Também pode incluir descanso e momentos sem programação. Preservar a autonomia nas escolhas permite ajustar atividades às condições reais, sem comparar ritmos. Um encontro agradável ou uma habilidade recém-descoberta tem valor pela experiência vivida, mesmo quando não produz um resultado para mostrar aos outros.