Segundo a psicologia, quem tem dificuldade de pedir ajuda pode não estar apenas sendo independente, mas repetindo um padrão de quem precisou aprender a se virar sozinho muito cedo - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Segundo a psicologia, quem tem dificuldade de pedir ajuda pode não estar apenas sendo independente, mas repetindo um padrão de quem precisou aprender a se virar sozinho muito cedo

Estudos sobre apego e parentificação ligam a autossuficiência extrema a uma infância em que a criança teve de resolver tudo sozinha

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
A dificuldade de pedir ajuda nem sempre é só independência: pode ser um jeito de proteção aprendido na infância
A dificuldade de pedir ajuda nem sempre é só independência: pode ser um jeito de proteção aprendido na infância - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Tem gente que prefere carregar sozinha as sacolas do mercado, enfrentar uma demissão calada ou adiar o médico só para não incomodar ninguém. Para a psicologia, a dificuldade de pedir ajuda nem sempre é só independência ou orgulho. Muitas vezes, ela reflete um jeito de se proteger aprendido na infância, quando contar com os outros não parecia seguro.

Por que pedir ajuda pode ser tão difícil para algumas pessoas?

Para algumas pessoas, pedir ajuda é difícil porque, lá atrás, depender de alguém significou se frustrar. Um estudo publicado em 2026 no periódico BMC Psychology ouviu 448 universitários turcos sobre a chamada parentificação, quando a criança assume tarefas de adulto dentro de casa.

Os autores explicam que crianças nessa situação muitas vezes precisam resolver os problemas sozinhas. Isso pode fortalecer a autossuficiência, mas também reduzir a busca por apoio. Na pesquisa, ter cuidado dos pais ainda criança apareceu ligado a mais sintomas de ansiedade e depressão no começo da vida adulta.

O mesmo trabalho traz uma nuance importante. Quem enxergava algum ganho nessa experiência tinha menos sintomas, sinal de que o jeito como cada um viveu essa história faz diferença.

Crianças que assumem tarefas de adulto, a parentificação, tendem a buscar menos apoio e podem ter mais ansiedade e depressão
Crianças que assumem tarefas de adulto, a parentificação, tendem a buscar menos apoio e podem ter mais ansiedade e depressão – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O que a teoria do apego explica sobre a autossuficiência?

A teoria do apego, desenvolvida pelo psiquiatra britânico John Bowlby, mostra que a criança aprende cedo o que esperar de quem cuida dela. Quando esse cuidado falha ou some, ela pode concluir que o mais seguro é não precisar de ninguém.

Esse padrão tem nome na pesquisa: autossuficiência compulsiva. Um estudo publicado no Journal of Adolescence testou, com 209 jovens em relacionamentos sérios, uma escala baseada nas ideias de Bowlby. A autossuficiência compulsiva ficou entre os padrões mais associados a sintomas psiquiátricos e a um estilo de apego inseguro.

A psicologia do desenvolvimento ajuda a entender por que essas primeiras trocas pesam tanto. O vídeo do Centro sobre a Criança em Desenvolvimento da Universidade Harvard, em inglês, mostra como as respostas do adulto aos sinais do bebê ajudam a construir os circuitos do cérebro.

O tema já rendeu outra reportagem aqui no site, com sinais do dia a dia de quem evita depender dos outros. Ela ajuda a reconhecer esse comportamento na prática.

Quando a independência vira um peso na vida adulta?

A independência vira peso quando deixa de ser escolha e passa a ser a única saída. É o trabalhador que segura sozinho uma sobrecarga no emprego ou quem adia uma consulta para não dar trabalho à família.

Começar por pedidos pequenos, como uma carona ou uma opinião, ajuda a perceber que pedir apoio nem sempre significa rejeição
Começar por pedidos pequenos, como uma carona ou uma opinião, ajuda a perceber que pedir apoio nem sempre significa rejeição – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Isso não quer dizer que toda pessoa independente carrega uma ferida da infância. O estudo da BMC Psychology lembra que retrata um único momento e não prova causa e efeito. Para a psicologia do desenvolvimento, a mesma experiência deixa marcas diferentes em cada um. Autonomia é saudável; o alerta é sofrer por não conseguir aceitar apoio nem quando ele faz falta.

Como começar a pedir ajuda sem se sentir um fardo?

Um bom começo são pedidos pequenos, como uma carona, uma opinião ou uma mão numa tarefa simples. Assim, a pessoa percebe aos poucos que a resposta nem sempre é rejeição. Quando a trava pesa demais, um psicólogo ou a unidade de saúde do bairro podem ajudar a entender de onde ela vem.

Em momentos difíceis, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional de graça, 24 horas, pelo telefone 188. E se você se reconheceu nessa história, que tal fazer hoje um pedido pequeno a alguém de confiança? Às vezes é assim que a gente descobre que não precisa dar conta de tudo sozinho.

Quais dúvidas aparecem sobre apego e o hábito de pedir ajuda?

Algumas perguntas costumam surgir quando o assunto é a dificuldade de pedir ajuda. As respostas abaixo resumem o que dizem as fontes consultadas.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

O que é parentificação?

É quando a criança assume responsabilidades de adulto, como cuidar dos pais ou dos irmãos, segundo o estudo publicado na BMC Psychology.

Ser independente é sinal de problema?

Não. A autonomia é saudável. Vale prestar atenção quando recusar apoio vira sofrimento ou atrapalha a saúde e as relações.

O atendimento do CVV é pago?

Não. O CVV atende de graça, com voluntários, e a ligação para o 188 não tem custo.

Para quem gosta de entender os próprios hábitos, tem mais psicologia do cotidiano no site. A próxima leitura fala de séries, conforto e previsibilidade.