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Sem carros e com ruas de areia, essa vila de 2 mil moradores encanta com montanhas de sal que parecem neve em pleno Nordeste
As montanhas de sal branco transformaram essa vila em um dos lugares mais curiosos do Brasil.
Uma travessia de dez minutos de barco separa o continente de Galinhos, vilarejo de pouco mais de 2 mil habitantes onde o ritmo é ditado pela maré e o transporte mais comum tem quatro patas. A península fica no litoral norte do Rio Grande do Norte, a 160 km de Natal, e guarda duas montanhas peculiares: uma de areia branca e outra de sal, erguida pelas salinas que movem a economia junto com a pesca nessa vila potiguar.
Como uma vila de salineiros virou destino de viajantes?
O nome Galinhos tem origem incerta. Uma versão liga o batismo ao formato da península, que vista de cima lembra um galo. Outra aponta para o peixe-galo, abundante na região em tamanho pequeno, enquanto na vizinha Galos aparecia em tamanho normal. O vilarejo surgiu como assentamento de pescadores e salineiros, favorecido pelo clima seco, ventos constantes e alta salinidade, ideais para a produção de sal.
Por décadas, Galinhos permaneceu isolada, acessível apenas por barco ou a cavalo. Essa dificuldade preservou a paisagem e o modo de vida. A produção de sal na região existe desde o século XVI, e o Rio Grande do Norte responde por cerca de 90% do sal marinho brasileiro. Nos últimos 15 anos, a única mudança visível na vila foi o calçamento com paralelepípedo em parte das ruas. No mais, charretes continuam sendo o transporte do dia a dia, e a água nas pousadas ainda é salobra, exigindo galões de água doce acoplados aos chuveiros.

O que fazer entre dunas de areia e dunas de sal?
O passeio essencial é o circuito de barco pelo braço de mar, que combina manguezal, salinas, dunas e o vilarejo de Galos em um único roteiro.
- Passeio de barco pelo manguezal: o barco sai da vila e entra nos mangues viçosos onde vivem caranguejos, garças-azuis e cavalos-marinhos. A parada inclui ostras colhidas na hora pelo barqueiro, servidas cruas com limão ou gratinadas.
- Dunas de Sal (Salina de Galinhos): montanhas brancas de sal que parecem neve sob o sol do Nordeste. A salina é avistada do barco e faz parte da paisagem econômica centenária da região.
- Dunas do Capim: areias móveis com vista panorâmica do braço de mar e dos parques eólicos. Passeio de buggy inclui banho em lagoas que se formam entre as dunas.
- Farol de Galinhos: na ponta da península, construído em 1931 com estilo original preservado. Acesso a pé (30 minutos), de charrete ou de buggy. O pôr do sol visto dali é um dos melhores do litoral potiguar.
- Praia de Galinhos: no centro da vila, com águas tranquilas e piscinas naturais que se formam na maré baixa. Restaurantes simples com frutos do mar frescos à beira da areia.
- Galos: vilarejo vizinho acessível por barco ou a pé pela praia. Restaurantes servem almoço com os pés na areia durante a parada do circuito de barco.
O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 250 mil inscritos, e detalha passeios de buggy pelas dunas, gastronomia com ostras frescas e o incrível pôr do sol no farol:
Ostras do manguezal e peixada no pé da areia
A gastronomia de Galinhos é ditada pelo que o mar e o manguezal oferecem no dia. O destaque são as ostras colhidas durante o passeio de barco, que chegam à mesa minutos depois de sair da água.
- Ostras frescas: servidas cruas com limão ou gratinadas nas barracas flutuantes e nos barcos. O barqueiro Junior Tubarão ficou conhecido por servir ceviche e sashimi preparados dentro da embarcação.
- Peixada potiguar: peixe cozido com legumes e temperos regionais, presente em praticamente todos os restaurantes.
- Camarão ao alho e óleo: servido nos restaurantes familiares da vila e de Galos, com vista para o braço de mar.
- Moqueca de frutos do mar: especialidade dos restaurantes com cozinha autoral, como o Frutos do Mar/Slow Food do chef Lourimar Neto.

Leia também: O vilarejo alagoano que ganhou o apelido de “Caribe Brasileiro” tem piscinas naturais lindas a 6 km da costa.
Quando o vento e a maré colaboram?
O sol aparece quase todos os dias. As chuvas se concentram entre março e junho. O vento constante (até 40 km/h) redesenha as dunas e refresca as tardes.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à peninsula sem carro?
Galinhos fica a 160 km de Natal pela BR-406. No povoado de Pratagil, os visitantes deixam o carro em estacionamento gratuito com vigilância e embarcam em balsas ou catamarãs operados pela comunidade local. A travessia dura de 10 a 15 minutos. Carros comuns não entram na vila. Quem vem de Natal pode contratar transfers com agências que fazem o bate-volta em um dia, mas dormir pelo menos uma noite na vila permite entrar no ritmo lento do lugar.
O vilarejo que o isolamento protegeu
Galinhos é daqueles destinos que resistem ao tempo justamente porque o acesso os protege. A combinação de dunas, sal, manguezal e uma vila sem pressa cria algo difícil de encontrar no litoral brasileiro. As charretes continuam rodando, as ostras continuam sendo colhidas na hora e as montanhas de sal continuam brilhando como neve no meio do Nordeste.
Você precisa atravessar o braço de mar, pisar na areia fofa das ruas e deixar o relógio no bolso para entender por que Galinhos faz bem a quem decide desacelerar