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Sem contrato com a Globo, Benedito Ruy Barbosa passava os dias revendo suas novelas

Aos 95 anos, Benedito Ruy Barbosa encerrou sua trajetória recluso, longe da Globo, mas fiel às próprias histórias que moldaram a televisão brasileira e levaram o Brasil rural ao horário nobre

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Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa, dramaturgo que morreu nesta terça-feira (7) aos 95 anos, viveu seus últimos anos de forma reclusa. O autor se aposentou após o término de seu contrato com a Globo em 2020.

Seu último trabalho foi a conturbada Velho Chico (2016), marcada pela morte do protagonista Domingos Montagner. Entre 2018 e 2019, projetos seus foram recusados pela emissora, ainda sob a gestão de Silvio de Abreu, o que encerrou definitivamente sua parceria com a Globo.

De longe, acompanhou os remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2023), assinados pelo sobrinho Bruno Luperi, a quem dava conselhos em conversas privadas, sem interferir diretamente nos textos.

Apaixonado por suas próprias histórias, Benedito Ruy Barbosa passava os dias revendo suas novelas no Globoplay. Em sua última aparição na emissora, em setembro de 2025, no programa Muito Mais, suas filhas revelaram que ele maratonava suas obras. A última que assistiu foi Terra Nostra (1999), reprisada recentemente, embora tivesse um carinho especial por Renascer (1993), sobretudo pela primeira fase.

Nascido em 1931, em Gália (SP), Benedito moldou a teledramaturgia brasileira ao trazer para o horário nobre a estética rural e os dilemas do campo. Sua carreira começou nos anos 1960, passando pela TV Tupi, e consolidou-se na Globo com sucessos como Cabocla (1979), Paraíso (1982) e Sinhá Moça (1986).

O grande divisor de águas veio com Pantanal (1990), exibida na Manchete, que revolucionou a televisão ao apostar em externas com qualidade cinematográfica. De volta à Globo, consagrou-se com Renascer (1993) e O Rei do Gado (1996), obra que abordou a luta dos trabalhadores sem-terra e teve forte impacto político e social.

O texto Sem contrato com a Globo, Benedito Ruy Barbosa passava os dias revendo suas novelas foi publicado primeiro no Observatório da TV.