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Sigmund Freud: “se duas pessoas sempre concordam em tudo, então uma delas pensa em nome dos dois”, uma lição sobre relacionamentos

A reflexão de Freud analisa os limites da individualidade e da dependência emocional.

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Sigmund Freud: "se duas pessoas sempre concordam em tudo, então uma delas pensa em nome dos dois", uma lição sobre relacionamentos
Recuperar espaço não precisa começar com uma discussão pesada.

De longe, o casal parece perfeito: nunca discute, tem os mesmos gostos, ri das mesmas piadas e escolhe o mesmo filme na sexta à noite. Só que quem vive uma dessas relações às vezes sente um vazio difícil de explicar. A frase de Freud sobre concordância total, que diz que quando duas pessoas concordam em tudo é porque uma pensa pelas duas, cutuca justamente esse ponto que quase ninguém tem coragem de olhar.

Por que uma relação sem briga pode incomodar tanto?

Tem gente que passa anos num relacionamento onde tudo parece flutuar bem, mas volta e meia sente uma inquietação estranha na hora de dormir. Nunca briga, nunca discorda, sempre topa o programa, mas também não lembra da última vez que defendeu uma opinião própria com força.

Esse tipo de silêncio interno costuma passar despercebido porque, por fora, tudo funciona. Amigo, família, ninguém pergunta se está bem, porque o casal parece azeitado. Só a própria pessoa sabe que anda com a sensação de estar assistindo à própria vida de longe, sem opinar.

Sigmund Freud: "se duas pessoas sempre concordam em tudo, então uma delas pensa em nome dos dois", uma lição sobre relacionamentos
Tem gente que passa anos num relacionamento onde tudo parece flutuar bem.

O que Freud queria dizer com essa frase tão citada?

Atribuída a Sigmund Freud, o pai da psicanálise, a ideia é simples e desconfortável: se duas pessoas concordam em absolutamente tudo, uma provavelmente parou de pensar por conta própria e passou a repetir o pensamento da outra, muitas vezes sem perceber que fez isso.

Os pontos que essa frase escancara na dinâmica de um relacionamento:

1
Harmonia demais pode esconder apagamento Quando uma pessoa nunca discorda, provavelmente está engolindo opiniões próprias para manter o clima leve o tempo todo.
2
Discordar faz parte de qualquer vínculo saudável Duas cabeças diferentes vão pensar diferente em vários pontos, e essa fricção leve é o que faz a relação amadurecer com o tempo.
3
Um pensa, o outro só acompanha O padrão aparece quando um lado sempre escolhe o restaurante, o filme, o passeio, e o outro apenas concorda sem colocar o próprio desejo na mesa.
4
Concordar por medo não é concordar de verdade Muita vez o “tanto faz” é uma forma silenciosa de evitar conflito, e ela custa caro para quem vive assim ao longo dos anos.

Como saber se você virou o lado que só acompanha?

O sinal mais forte não aparece nas conversas, aparece dentro da cabeça. É aquela sensação de não saber mais do que gosta, o que quer comer no fim de semana, qual série assistiria se estivesse sozinho, qual assunto realmente lhe interessa fora do que o outro traz.

Alguns sinais práticos que ajudam a se localizar:

  • Você costuma responder “tanto faz” mesmo quando por dentro tem uma preferência.
  • Sente alívio quando o outro toma decisão por vocês dois, mesmo que a escolha não seja a que você faria.
  • Amigos comentam que você “mudou” desde o começo do relacionamento, sem saber explicar em quê.
  • Evita discordar em público, mesmo quando pensa muito diferente do que foi dito.
  • Não lembra quando foi a última vez que defendeu uma ideia sua até o fim.

Pesquisas em psicologia dos relacionamentos discutidas por veículos ligados à USP apontam que casais que preservam individualidade tendem a manter vínculos mais duradouros, justamente porque a diferença gera diálogo, e o diálogo mantém a relação viva.

Concordância saudável ou apagamento? Qual é a diferença real?

Nem toda concordância é sinal de problema. Casais que compartilham valores próximos naturalmente concordam em muitos pontos importantes, e isso é bom. O que muda tudo é a origem da concordância: sai de uma reflexão pessoal ou vem de medo de brigar?

Um comparativo que ajuda a diferenciar os dois cenários:

Situação Como aparece na prática Sinal
Concordância genuína Pensou, refletiu e chegou à mesma conclusão As duas pessoas defendem a ideia com argumentos próprios, mesmo que semelhantes Saudável
Concordância por comodismo Evita o esforço de discordar Aceita a escolha do outro para não precisar decidir nada por conta própria Alerta
Concordância por medo Evita conflito ou reação negativa Diz sim mesmo pensando não, para manter a paz e evitar a explosão do outro lado Sinal grave
Concordância por apagamento Já nem sabe mais o que pensa sozinho Adota gostos, opiniões e frases do outro como se fossem naturalmente suas há anos Grave

Leia também: Provérbio Chinês: “Quando sopram os ventos da mudança, alguns constroem muros e outros constroem moinhos de vento”.

Como voltar a ter voz sem quebrar a relação?

Retomando o começo: quem vive num relacionamento onde nunca há discordância pode estar em harmonia real, ou pode estar num arranjo em que uma pessoa parou de aparecer. A frase atribuída a Freud não sugere brigar por brigar, ela só convida a olhar de novo para a própria voz dentro daquela dinâmica.

Recuperar espaço não precisa começar com uma discussão pesada. Basta escolher uma opinião pequena, do dia a dia, e defender com calma. Um restaurante diferente do de sempre, um filme que você quer assistir sozinho, um assunto que sempre evitou trazer. É por essas frestas que a individualidade volta, e é justamente ela que mantém uma relação em pé no longo prazo.

Você concorda com o que Freud disse sobre a concordância total nas relações?
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