Simone de Beauvoir, filósofa francesa, sobre a velhice: "Para que a velhice não seja uma paródia ridícula da nossa existência anterior, só há uma solução; continuar a perseguir fins que deem sentido à nossa vida." Uma reflexão sobre ter projetos depois dos 60 - Super Rádio Tupi
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Simone de Beauvoir, filósofa francesa, sobre a velhice: “Para que a velhice não seja uma paródia ridícula da nossa existência anterior, só há uma solução; continuar a perseguir fins que deem sentido à nossa vida.” Uma reflexão sobre ter projetos depois dos 60

A velhice não precisa ser uma fase sem propósito, segundo uma reflexão marcante da filósofa Simone de Beauvoir.

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Simone de Beauvoir, filósofa francesa, sobre a velhice: "Para que a velhice não seja uma paródia ridícula da nossa existência anterior, só há uma solução: continuar a perseguir fins que deem sentido à nossa vida." Uma reflexão sobre ter projetos depois dos 60
Beauvoir é concreta nisso, não fala de qualquer passatempo para matar o tempo. / Imagem ilustrativa

Chegar à terceira idade sem projetos é o que transforma os últimos anos numa repetição vazia. É contra isso que fala a filósofa Simone de Beauvoir: para que a velhice não seja uma paródia ridícula da vida anterior, há uma só solução, continuar perseguindo fins que deem sentido na velhice. Ter propósito, segundo ela, é o que mantém a vida viva até o fim.

Por que a aposentadoria assusta tanta gente?

Não é só o fim do salário. Para muita gente, parar de trabalhar significa perder a rotina, o papel social, a sensação de ser útil. De um dia para o outro, somem as metas que organizavam a vida, e o que deveria ser descanso vira um vazio difícil de preencher.

Beauvoir enxergou isso com clareza. Ela percebeu que a sociedade trata o idoso como alguém que já “cumpriu sua função” e agora só espera o fim. É essa lógica, a de que sem produzir a pessoa perde o valor, que transforma a velhice numa espécie de paródia triste da vida que se teve antes.

Significa não virar uma versão esvaziada de quem você foi. / Imagem ilustrativa

O que significa “não ser uma paródia da vida anterior”?

Significa não virar uma versão esvaziada de quem você foi. A paródia, na imagem de Beauvoir, é a pessoa que já teve paixões, trabalho e causas, e agora apenas repete os dias sem nada que a mova. O corpo continua, mas o projeto de vida parou.

O que mantém a velhice longe dessa paródia:

1
Ter um objetivo Algo a perseguir, por menor que seja, dá direção aos dias.
2
Dedicar-se a alguém ou a algo Pessoas, grupos ou causas que puxam você para fora de si mesmo.
3
Manter paixões vivas Interesses fortes o bastante para impedir que a pessoa se feche em si.

Que tipo de “fins” ela diz que dão sentido?

Beauvoir é concreta nisso, não fala de qualquer passatempo para matar o tempo. Ela aponta objetivos que conectam a pessoa ao mundo e aos outros. Veja a diferença entre ocupar o tempo e ter um propósito:

Tipo de “fim” Exemplos O que gera
Dedicação a pessoas Vínculos Cuidar de netos, amigos, participar da comunidade. Pertencimento
Causas e grupos Engajamento Voluntariado, militância, projetos sociais ou políticos. Propósito
Trabalho criativo Criação Escrever, pintar, aprender, ensinar, criar algo novo. Realização

De onde vem essa frase?

Ela não é um pensamento solto. Vem de um livro inteiro que Beauvoir dedicou ao tema: A Velhice, publicado em 1970, quando ela mesma tinha 60 anos. Conhecer essa origem dá peso à frase, porque ela não teorizava de fora, escrevia já entrando na fase que analisava.

O que torna a obra marcante:

  • Beauvoir escreveu o livro ao perceber que quase ninguém falava sobre a velhice, como se fosse um tabu.
  • Ela denuncia como a sociedade torna os velhos invisíveis e os descarta quando param de produzir.
  • A frase sobre “perseguir fins com sentido” é a conclusão a que ela chega depois de centenas de páginas.

Segundo a análise da obra de Beauvoir sobre o envelhecer, ela defende que “preparar-se para a velhice” não é só juntar dinheiro para a aposentadoria, é cultivar, a vida toda, os projetos e vínculos que vão dar sentido a esses anos.

Leia também: Sêneca, filósofo romano, sobre dinheiro: “Quem tem muito deseja ainda mais, o que demonstra que ainda não tem o suficiente.”

Como aplicar isso depois dos 60?

O recado é prático: não espere a aposentadoria para pensar no que te move. Quanto antes você cultiva interesses, relações e causas, mais natural é mantê-los depois. Mas nunca é tarde para começar um projeto, aprender algo, se engajar numa causa.

Então aquela velhice vazia do começo não é destino, é uma escolha que se pode evitar. Beauvoir não promete fugir do envelhecimento do corpo, mas lembra que o sentido da vida não tem idade para acabar. Enquanto houver um fim a perseguir, alguém a amar, algo a criar, a vida segue sendo vida, não paródia. Este texto é informativo.

💡 Curiosidade No mesmo livro, Beauvoir escreveu outra frase célebre: “a velhice expõe o fracasso de toda a nossa civilização”, uma crítica dura ao modo como a sociedade abandona quem envelhece.