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Stephen Hawking, cientista: “Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e dar início ao Universo.”

Física e filosofia se encontram na frase mais debatida de Stephen Hawking

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Stephen Hawking, cientista: "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e dar início ao Universo."
Hawking usa as leis da física para repensar o início do universo

Stephen Hawking passou décadas construindo uma das carreiras científicas mais influentes do século XX. Mas foi uma frase publicada em 2010, no livro O Grande Projeto, que atravessou as fronteiras da física e entrou no debate público de forma definitiva: “Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e dar início ao universo.” Simples na forma, radical no conteúdo, a declaração resume uma posição que Hawking desenvolveu ao longo de toda a sua trajetória intelectual.

Frase de Stephen Hawking reacendeu o debate sobre ciência, Deus e origem do universo
Publicada em 2010, a declaração sintetiza a visão de Hawking de que as leis da física podem explicar o surgimento do cosmos sem recorrer a uma causa sobrenatural.
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Cosmos espontâneo
Hawking defendia que a gravidade permitiria ao universo surgir a partir das próprias leis físicas.
📘
Ideia consolidada
A frase aprofundou um caminho já presente em sua obra sobre tempo, cosmologia e Big Bang.
⚖️
Reação dividida
Cientistas, filósofos, religiosos e leitores reagiram de formas distintas ao alcance da afirmação.
🧠
Pergunta aberta
A física explica muito do como, mas o porquê último da existência segue em debate.
Resumo útil: a frase de Hawking não encerrou a discussão entre ciência e religião; ela tornou mais visível a diferença entre explicar o funcionamento do universo e responder ao sentido da existência.

O que levou Hawking a fazer essa afirmação?

A frase não surgiu do nada. Ela é parte de um argumento que Hawking e o físico Leonard Mlodinow desenvolveram em O Grande Projeto, obra em que os dois propõem que o universo pode ter surgido espontaneamente a partir das leis da física, sem que nenhuma força externa fosse necessária. O ponto central é a gravidade: segundo Hawking, a existência de uma lei como essa já é suficiente para que o cosmos se crie do nada.

Para chegar a essa conclusão, Hawking partiu de décadas de pesquisa sobre cosmologia, buracos negros e gravitação quântica. O livro Uma Breve História do Tempo, publicado em 1988, já sinalizava esse caminho ao tratar das origens do universo sem recorrer a causas sobrenaturais, mas ainda de forma mais cautelosa. Em 2010, a posição estava consolidada.

O que Hawking entendia por “invocar Deus”?

A palavra “invocar” não é casual. Hawking não estava dizendo que Deus não existe como questão filosófica ou teológica: ele estava dizendo que a física não precisa dessa hipótese para funcionar. A distinção é importante. Para o cientista britânico, Deus, quando mencionado em contextos científicos, funciona como um termo que preenche lacunas no conhecimento, um recurso utilizado quando as explicações naturais parecem insuficientes.

Stephen Hawking, cientista: "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e dar início ao Universo."
Hawking usa as leis da física para repensar o início do universo

Como essa declaração foi recebida pelo mundo científico e religioso?

A repercussão foi imediata e dividida. No meio científico, a maioria dos físicos reconheceu a consistência do argumento com o que já se sabia sobre cosmologia quântica, mesmo que alguns discordassem de detalhes da formulação. Entre líderes religiosos, a reação foi de contestação. O rabino Lord Sacks chamou o livro de falacioso, e outros representantes de diferentes tradições argumentaram que Hawking estava respondendo a uma pergunta que a ciência, por definição, não tem ferramentas para responder.

Algumas das reações mais comuns ao argumento de Hawking vinham de perspectivas distintas:

  • Físicos e cosmólogos, em sua maioria, validaram a base científica do raciocínio sobre criação espontânea.
  • Filósofos questionaram se a física pode responder à pergunta “por que existe algo em vez de nada?”
  • Teólogos argumentaram que Hawking estava descrevendo um Deus literalista que a maioria das tradições religiosas também não sustenta.
  • O público em geral polarizou entre quem via na frase uma libertação intelectual e quem a entendia como uma provocação desnecessária.

Hawking sempre pensou assim sobre a origem do universo?

Não exatamente. Em Uma Breve História do Tempo, há uma passagem famosa em que Hawking escreve que compreender as leis que governam o cosmos seria “conhecer a mente de Deus”. A frase foi amplamente citada por pessoas religiosas como evidência de que o cientista compartilhava uma visão teísta do universo. Décadas depois, o próprio Hawking esclareceu que usava “Deus” ali como metáfora para as leis físicas, não como referência a uma entidade pessoal ou criadora.

Por que essa citação ainda circula e provoca debate?

A persistência da frase no debate público diz algo sobre o que ela toca. A questão da origem do universo é uma das mais antigas da humanidade, e qualquer resposta que venha de uma autoridade reconhecida pelo pensamento científico inevitavelmente gera atrito com tradições que também reivindicam esse território. Hawking era, nesse sentido, um interlocutor impossível de ignorar: físico teórico de reputação global, autor de um dos livros de ciência mais vendidos da história e figura pública de presença singular.

  • A frase é curta o suficiente para circular sem contexto, o que amplifica tanto sua força quanto os mal-entendidos sobre ela.
  • Ela toca em uma tensão real entre explicação científica e explicação religiosa que não foi resolvida e provavelmente não será.
  • A trajetória pessoal de Hawking, marcada pela esclerose lateral amiotrófica desde os 21 anos, confere peso adicional a qualquer declaração sua sobre sentido e existência.
Stephen Hawking, cientista: "Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e dar início ao Universo."
Hawking usa as leis da física para repensar o início do universo

Um legado que vai além da polêmica

Stephen Hawking morreu em 14 de março de 2018, aos 76 anos. O que ficou não foi apenas a polêmica sobre Deus e o universo, mas uma obra que mudou a forma como físicos e leigos pensam sobre o cosmos, o tempo e os limites do conhecimento humano. A frase sobre o pavio aceso é, nesse contexto, um fragmento de um argumento muito maior.

O debate que ela provocou continua ativo porque as perguntas que ela toca não têm resposta fácil. A física pode descrever como o universo evoluiu desde o Big Bang com uma precisão extraordinária. Se ela pode ou não responder por que há um universo para descrever em primeiro lugar é uma questão que permanece aberta, e é exatamente essa abertura que mantém a citação de Hawking relevante mais de uma década depois de publicada.