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Um dos 3 rios mais cristalinos do planeta fica no Brasil, tem gruta com fósseis e o ecoturismo que o mundo copia
Entre rios cristalinos e grutas com fósseis, um lugar impressiona pela preservação.
No interior do Mato Grosso do Sul, a 300 km de Campo Grande, uma cidade de 22 mil habitantes transformou rios transparentes e grutas subterrâneas no maior destino de ecoturismo do Brasil. Bonito já foi eleita 16 vezes o melhor destino de ecoturismo do país, recebeu prêmio mundial de turismo responsável da WTM e inventou um sistema de controle de visitantes que virou referência internacional. O nome veio de uma antiga fazenda, Rincão Bonito, e a água é tão limpa que os peixes parecem flutuar no ar.
O calcário que faz a água sumir
O segredo de Bonito está no solo. A Serra da Bodoquena, onde a cidade se situa, é formada por rochas calcárias que funcionam como filtro natural permanente. A alta concentração de calcário faz com que partículas sólidas se depositem no fundo dos rios, deixando a coluna d’água praticamente livre de impurezas. O resultado é uma visibilidade que pode ultrapassar 30 metros.
O Rio Sucuri, com 1.800 metros de extensão e apenas 3 metros de profundidade, é considerado um dos três rios mais cristalinos do planeta, segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul. A vegetação da região mistura Mata Atlântica e Cerrado, e a fauna inclui araras, tucanos, antas e dezenas de espécies de peixes que os visitantes observam a centímetros de distância durante as flutuações.

Flutuação, grutas e a maior cachoeira do estado
Bonito oferece mais de 80 opções de passeios espalhados pela zona rural. A maioria gira em torno da água.
- Rio da Prata: a flutuação mais famosa, em águas cristalinas cercadas por peixes coloridos e plantas submersas. O recanto é Reserva Particular do Patrimônio Natural desde 1999.
- Gruta do Lago Azul: cartão-postal de Bonito, com lago subterrâneo de cor intensa a 80 metros de profundidade. Tombada pelo IPHAN em 1978. Dentro da gruta foram encontrados fósseis de animais pré-históricos, como a preguiça-gigante.
- Buraco das Araras: dolina gigantesca que serve de refúgio para araras-vermelhas e outras espécies raras. Observação feita de mirantes no alto da cratera.
- Boca da Onça: a maior cachoeira do Mato Grosso do Sul, acessada por trilha em meio à mata nativa.
- Parque das Cachoeiras: sete quedas d’água ao longo de uma trilha de 2 km pelo Rio Mimoso, com pontos de banho entre cada uma.
- Lagoa Misteriosa: ponto de mergulho com cilindro em profundidades que ultrapassam 200 metros, ainda sem fundo conhecido.
Bonito, no Mato Grosso do Sul, é um dos principais destinos de ecoturismo no Brasil, famoso por suas águas cristalinas e natureza preservada. O vídeo do canal Destinos Imperdíveis apresenta um guia visual rápido sobre as principais atrações da região:
O sistema de voucher que o mundo copia
Desde 1995, Bonito adota o Sistema de Voucher Único. Cada atrativo tem um limite diário de visitantes, e todos os passeios precisam ser reservados com antecedência por meio de agências credenciadas. Os preços são tabelados pela prefeitura e iguais em qualquer agência, variando apenas entre baixa e alta temporada.
O modelo rendeu ao município o prêmio World Responsible Tourism Awards e reconhecimento repetido do Ministério do Turismo. Em 2025, a cidade recebeu 293 mil turistas e registrou mais de 880 mil visitações nos atrativos, segundo dados da Prefeitura de Bonito. O controle de capacidade garante que os rios e grutas mantenham a qualidade que atrai o visitante, criando um ciclo em que preservação e turismo se alimentam mutuamente.

Da fazenda de gado ao ecoturismo mundial
Bonito começou como fazenda de gado. O Capitão Luiz da Costa Leite Falcão adquiriu a propriedade Rincão Bonito em 1869 e é considerado o desbravador da região. Em 1915, o local virou distrito de Miranda. A emancipação como município só veio em 1948. Foi entre as décadas de 1970 e 1980 que as belezas naturais começaram a ser conhecidas por visitantes de fora, inicialmente de forma informal, nas fazendas de gado por onde passavam nascentes e rios cristalinos.
O Recanto Ecológico Rio da Prata, um dos atrativos pioneiros, abriu em 1995 dentro de uma fazenda criadora de gado. Naquele primeiro ano recebeu menos de 2 mil visitantes. Hoje, recebe 24 mil por ano, e as duas atividades, pecuária e turismo, convivem na mesma propriedade de 1.850 hectares.
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Quando ir a Bonito e como é o clima na serra?
O clima tropical tem duas estações bem definidas. No período seco (abril a outubro), os rios atingem visibilidade máxima. No período chuvoso (novembro a março), as cachoeiras ficam mais volumosas e a vegetação ganha verde intenso.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do ecoturismo
Bonito fica a 300 km de Campo Grande pela BR-060 e MS-382, cerca de 4h30 de carro. O Aeroporto Regional de Bonito (BYO) recebe voos diretos de algumas capitais. De São Paulo, a opção mais comum é voar até Campo Grande e seguir de carro ou transfer. As atrações ficam na zona rural, a distâncias variáveis do centro, o que torna o veículo (próprio ou alugado) indispensável. Todos os passeios devem ser reservados com antecedência por agência credenciada.
Mergulhe no rio onde a água desaparece
Bonito é o lugar onde o rio é tão limpo que a água parece não existir, a gruta guarda fósseis de bichos extintos há milênios e a fazenda de gado virou reserva ambiental premiada pelo mundo. Uma cidade de 22 mil habitantes que inventou um jeito de receber turistas sem destruir o que os atrai, e que prova, há três décadas, que preservação e economia podem ser a mesma coisa.
Você precisa vestir o neoprene, boiar no Rio Sucuri com os peixes passando rente ao seu rosto e entender por que uma cidadezinha no interior do Mato Grosso do Sul virou referência para o planeta inteiro.