Um estudo de psicologia concluiu que pessoas nascidas entre 1945 e 1965 têm uma vantagem psicológica única - Super Rádio Tupi
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Um estudo de psicologia concluiu que pessoas nascidas entre 1945 e 1965 têm uma vantagem psicológica única

Pesquisas de Laura Carstensen, de Stanford, mostram que o humor fica mais positivo e estável com a idade, fase em que hoje estão os baby boomers

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A vantagem emocional dos baby boomers vem da idade e da forma de enxergar o tempo, não do ano de nascimento
A vantagem emocional dos baby boomers vem da idade e da forma de enxergar o tempo, não do ano de nascimento - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem nasceu entre 1945 e 1965 no Brasil atravessou a ditadura militar, a hiperinflação e várias trocas de moeda. Hoje, com idade entre 61 e 81 anos, a turma dos baby boomers vive uma fase em que a psicologia identifica um ganho real: lidar melhor com as emoções. A explicação mais aceita vem da psicóloga americana Laura Carstensen, da Universidade Stanford. Ela tem menos a ver com a data de nascimento do que com o jeito de enxergar o tempo.

O que a ciência diz sobre a vantagem emocional dos baby boomers?

A ciência indica que a vantagem está na regulação emocional, ou seja, na habilidade de administrar o que se sente no dia a dia. Um estudo publicado em 2011 no periódico Psychology and Aging acompanhou adultos de várias idades por mais de dez anos. Os participantes anotavam as emoções cinco vezes por dia, durante uma semana, e repetiam o processo cinco e dez anos depois.

O resultado foi claro: quanto mais velha a pessoa, mais positivo e estável era o humor no cotidiano. Os pesquisadores também notaram mais emoções misturadas, como alegria e saudade ao mesmo tempo. O efeito se manteve mesmo considerando saúde física, personalidade e dados demográficos. Quem vivia mais emoções boas do que ruins ainda teve maior chance de sobreviver ao longo de 13 anos.

Os autores interpretaram os dados à luz da teoria da seletividade socioemocional. Na prática, a vantagem não é exclusividade de quem nasceu num ano específico: ela chega com a idade, e os baby boomers são justamente a geração que ocupa essa faixa hoje.

Estudo de 2011 mostrou que, com a idade, o humor cotidiano fica mais positivo e estável e surgem mais emoções misturadas
Estudo de 2011 mostrou que, com a idade, o humor cotidiano fica mais positivo e estável e surgem mais emoções misturadas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Como a seletividade socioemocional explica essa virada?

A teoria da seletividade socioemocional diz que a mudança nasce da percepção do tempo que resta. Na juventude, o futuro parece infinito, e a cabeça se volta para explorar, aprender e acumular contatos. Com os anos, o horizonte encurta, e as pessoas passam a investir no que tem significado emocional imediato.

A ideia está resumida numa revisão assinada por Laura Carstensen e Marguerite DeLiema, publicada em 2017 no periódico Current Opinion in Behavioral Sciences. O texto mostra que os mais velhos enxugam a rede de amizades e mantêm os vínculos próximos, escolha ligada a maior equilíbrio emocional. No Rio, é a roda de dominó na praça ou o almoço de domingo com a família.

Experimentos reforçam a tese: quando jovens são levados a imaginar um futuro mais curto, passam a reagir como pessoas mais velhas. Por isso, o motor da mudança é a motivação, e não um declínio do cérebro.

A própria pesquisadora apresentou esses achados numa palestra do TEDxWomen, publicada no canal oficial do TED. No vídeo, em inglês, Carstensen mostra os dados do acompanhamento de dez anos e explica por que o envelhecimento costuma trazer mais satisfação.

A relação entre idade e maturidade também rende reflexões fora dos laboratórios. Uma frase famosa sobre os 40 e os 50 anos ajuda a pensar nessas fases da vida.

O efeito de positividade vale para todo mundo da mesma forma?

Não vale, e a própria pesquisa mostra os limites. O efeito de positividade é a tendência dos mais velhos de prestar atenção e lembrar mais de informações boas do que ruins. Segundo Carstensen e DeLiema, ele substitui o viés negativo comum na infância e na juventude e aparece na meia-idade e na velhice.

Priorizar o que importa é uma habilidade que se treina, e até os jovens a desenvolvem ao enxergar o tempo como limitado
Priorizar o que importa é uma habilidade que se treina, e até os jovens a desenvolvem ao enxergar o tempo como limitado – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Uma meta-análise de 2014, com cerca de 100 estudos, confirmou que o fenômeno é consistente, mas perde força quando a tarefa obriga a encarar o conteúdo de frente. Ele também pode sumir quando a informação negativa é decisiva, como dados de saúde para quem está doente. O baby boomer não fecha os olhos para os problemas: escolhe onde gastar energia.

Tristeza persistente, perda de interesse ou isolamento não são normais em idade nenhuma. Nesses casos, o caminho é procurar a unidade básica de saúde ou um psicólogo.

O que os mais jovens podem aprender com os baby boomers?

A principal lição é que priorizar o que importa é uma habilidade, não um dom de geração. Os estudos de Laura Carstensen mostram que até jovens mudam de atitude quando enxergam o tempo como limitado. A regulação emocional se treina: dá para cuidar das relações que fazem bem e largar brigas que não levam a nada.

Para os baby boomers, a notícia é animadora, porque envelhecer não significa piorar emocionalmente. Que tal ligar hoje para aquele amigo de longa data ou perguntar ao seu avô como ele aprendeu a levar a vida com mais calma?

E já que o assunto é emoção, a psicologia também explica por que algumas pessoas se fecham depois de uma decepção.