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Um homem estava passeando com seu cachorro quando encontrou uma cabeça de machado de bronze de 3.400 anos
Achado acidental em floresta britânica mostra como tesouros antigos seguem invisíveis
Um simples passeio com um cão em uma área florestal na Floresta de Dean, em Gloucestershire, levou à descoberta de uma cabeça de machado de bronze com cerca de 3.300 anos, datada entre 1400 e 1275 a.C., que hoje está exposta no Dean Heritage Centre e ajuda a revelar aspectos da metalurgia, do uso da paisagem e das práticas cotidianas e rituais das comunidades da Idade do Bronze na Grã-Bretanha.
Como foi descoberta e identificada a cabeça de machado da Idade do Bronze na Floresta de Dean
O artefato foi encontrado entre raízes expostas de árvores por um morador local, que notou a intensa cor verde do metal e entregou o objeto à Forestry England. A peça foi então encaminhada a especialistas em arqueologia, que confirmaram tratar-se de uma cabeça de machado da Idade do Bronze em notável estado de preservação.
Com cerca de cinco polegadas de comprimento e formato alongado, a cabeça de machado exibe sinais claros de fundição em molde bipartido, técnica associada ao Middle Bronze Age britânico. A borda hoje está romba, resultado do uso original e da longa permanência no solo, mas a forma geral permanece bem definida.

Quais são as características técnicas e tipológicas da cabeça de machado palstave
A cabeça de machado é produzida em bronze, liga de cobre com cerca de 10% de estanho, típica do período. Ela pertence ao estilo palstave, reconhecido pelo desenho robusto, pela presença de ombros que ajudam a travar a lâmina no cabo e por nervuras que reforçam a estrutura.
Marcas de fundição, visíveis como linhas de junção nas duas faces, indicam o uso de moldes refinados, capazes de gerar geometrias mais elaboradas. As laterais levemente convexas, curvando-se de forma regular até a parte superior, confirmam o enquadramento cronológico e tecnológico do artefato.
Quais hipóteses explicam a presença dessa cabeça de machado entre raízes de árvores
A Floresta de Dean apresenta ocupação humana desde a Pré-História, e o machado pode ter sido usado em derrubada de árvores, abertura de clareiras ou manejo de madeira, sendo perdido durante o trabalho. Outra hipótese envolve contextos rituais ou funerários, em que machados de bronze eram enterrados isoladamente ou em conjuntos, às vezes como oferendas.
Ao longo dos séculos, processos naturais, como erosão, crescimento de raízes e movimentação do solo, podem ter deslocado o artefato até a posição atual, possivelmente somados a interferências de manejos florestais mais recentes. Sem escavações amplas, os pesquisadores trabalham com cenários prováveis, sem atribuir causa definitiva para o depósito.
- Material: liga de cobre com teor de estanho em torno de 10%;
- Datação aproximada: entre 1400 e 1275 a.C.;
- Estilo: machado palstave com laço lateral (side loop);
- Local: Floresta de Dean, Gloucestershire, Reino Unido;
- Estado atual: borda sem fio, superfície com pátina verde intensa.

Por que a cabeça de machado da Floresta de Dean é relevante para a arqueologia e para o público
Um detalhe marcante é o pequeno laço lateral, ou side loop, localizado na crista de parada, que permitia amarrar o machado ao cabo com tiras de couro ou cordas, aumentando a firmeza no uso. A tonalidade verde intensa resulta da oxidação do bronze ao longo de milênios, formando a pátina verdete, que ao mesmo tempo sinaliza a antiguidade e ajuda na preservação.
Exibida no Dean Heritage Centre, a peça funciona como elo tangível entre o presente e as comunidades que viveram há milênios no mesmo território, permitindo observar técnicas de fundição, padrões de desgaste e possíveis usos agrícolas, de desmatamento e de construção. Para instituições como a Forestry England, o caso reforça a importância de registrar achados fortuitos e encaminhá-los a equipes especializadas.