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Um pequeno vilarejo histórico nas montanhas a 1.300 metros se destaca pela vida boa e sossegada
Este pequeno vilarejo nas montanhas é um dos refúgios mais tranquilos da região.
Ruas de pedra, casinhas coloridas e um frio que aparece em qualquer mês do ano: assim o vilarejo de Lavras Novas recebe quem sobe a serra. O distrito de Ouro Preto, no coração de Minas Gerais, vive um ritmo que as grandes cidades há muito esqueceram.
Um nome que veio do ouro e um passado que ainda se vê
A ocupação de Lavras Novas começou por volta de 1704, quando bandeirantes que avançavam além de Vila Rica encontraram a Mina dos Prazeres, nas proximidades do Pico do Itacolomi. O nome veio daí: “lavras” era como os colonizadores chamavam as jazidas de mineração, e as novas descobertas batizaram o lugar. O registro completo original era Lavras Novas do Coronel Furtado, denominação que o tempo encurtou.
O isolamento geográfico, que por séculos manteve o vilarejo distante dos grandes fluxos econômicos, acabou sendo sua maior proteção. A Secretaria de Turismo de Ouro Preto registra que, diferente da opulência barroca do centro histórico, Lavras Novas preservou uma arquitetura vernacular simples, típica das comunidades que viviam à margem da grande mineração. A religiosidade marcou esse passado: a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, erguida em 1762, domina a paisagem do centrinho e ainda define o calendário de festas locais.
A tradição oral do distrito guarda uma lenda que atravessa gerações: a da Mãe de Ouro, uma bola de fogo que, segundo os moradores mais antigos, indicaria jazidas escondidas nas serras. O lugar também foi cenário do conto A Garganta do Inferno, de Bernardo Guimarães, publicado em 1871.

O que torna a Serra do Espinhaço tão especial aqui?
Encravado a cerca de 1.510 metros de altitude na Serra do Espinhaço, o distrito tem um clima que surpreende quem vem do litoral ou do planalto central. A neblina que cobre as montanhas nas manhãs de outono e inverno é um dos espetáculos mais fotografados da região. Mesmo no verão, o frio chega antes do sol nascer.
Essa altitude cria um cenário único: formações rochosas que recortam o horizonte, nascentes que alimentam dezenas de cachoeiras e vistas panorâmicas que alcançam picos distantes. É nesse palco natural que Lavras Novas construiu sua reputação no ecoturismo mineiro.
Onde a adrenalina encontra a paisagem colonial
A serra esconde trilhas, mirantes e cachoeiras para todos os níveis de preparo físico. O roteiro equilibra o descanso nas pousadas charmosas com a exploração da natureza bruta.
- Mega Tirolesa: a tirolesa no ponto mais alto do Brasil, a 1.500 m de altitude. Com 400 m de extensão e descida de até 50 km/h em cerca de 50 segundos, exige um paraquedas para reduzir a velocidade. A vista do distrito lá de cima é de parar.
- Cachoeira dos Namorados: a 5,5 km do centro, piscinas naturais cercadas por mata atlântica, com trilha de dificuldade moderada. Ideal para quem busca um banho com paisagem.
- Cachoeira dos Três Pingos: três quedas consecutivas a 4 km da vila, com área rasa ótima para crianças e quem quer relaxar sem aventura.
- Cachoeira do Pocinho: dois poços de água cristalina com hidromassagem natural, acessíveis por trilha curta de 15 minutos.
- Parque Estadual do Itacolomi: vizinho ao distrito, o parque abrange mais de 7.500 hectares entre Mata Atlântica e campos de altitude. Reaberto em junho de 2026 após revitalização, oferece trilhas, o histórico Museu do Chá e a Casa Bandeirista de 1706. Moradores de Lavras Novas têm entrada gratuita todos os dias. Mais informações no Instituto Estadual de Florestas (IEF).
- Mirante da Pedra: ponto estratégico para assistir ao pôr do sol e observar o mar de montanhas. Acesso a pé a partir do centro.
O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 290 mil inscritos, e apresenta as belezas, o clima pacato e o charme histórico de Lavras Novas, em Ouro Preto:
O que comer depois de descer a serra?
A gastronomia do vilarejo é tão parte da experiência quanto as trilhas. Restaurantes com fogão a lenha servem pratos que combinam com o clima frio da altitude.
- Frango com quiabo: presença obrigatória nos cardápios da vila, preparado com a gordura de porco e o tempero da roça mineira.
- Feijão tropeiro: herança direta dos tropeiros que cruzavam a serra no período colonial, servido com couve, farofa e toucinho.
- Fondue de queijo: opção que combina com as noites frias da serra, disponível em pousadas e restaurantes do centrinho.
- Truta grelhada: criação local que ganhou espaço nos cardápios por se adaptar ao clima de altitude.
- Queijo minas artesanal: produzido na região e vendido também no artesanato local, ao lado de cestos e peças em taquara e pedra-sabão.
Quando o frio aperta mais e quando as cachoeiras enchem?
A altitude define o comportamento climático de Lavras Novas ao longo do ano. O inverno seco é a alta temporada, mas cada estação tem seu charme.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao vilarejo saindo de Belo Horizonte ou Ouro Preto?
Lavras Novas fica a cerca de 120 km de Belo Horizonte pela BR-356, com acesso pela MG-129 a partir do trevo de Ouro Preto, percurso de aproximadamente 1h30 de carro. Da sede de Ouro Preto, são apenas 17 km e menos de 20 minutos. Não há transporte público regular até o distrito: o acesso é de carro próprio ou por transfers turísticos saindo de Ouro Preto. O percurso final por estrada de terra, entre curvas e montanhas, já antecipa o ritmo que espera quem chega.
Suba a serra e veja o que o tempo preservou
Lavras Novas guarda algo raro: um vilarejo colonial que chegou ao século XXI quase intacto, com ruas de pedra, festas religiosas vivas e uma natureza que não pede licença para impressionar. Em feriados, a população de 1.500 moradores chega a sextuplicar, mas o ritmo do lugar resiste.
Você precisa subir essa serra ao menos uma vez e entender por que um lugar tão pequeno atrai tanta gente de tão longe.