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Uma estrutura em forma de favo de mel perfeita foi descoberta em Marte, mas os cientistas ficaram surpresos com o que se escondia entre suas frestas
O solo de Marte guarda um padrão curioso que pode contar sua história
O rover Curiosity, da agência espacial norte-americana, rodava por uma região que nas imagens de órbita parecia apenas um trecho liso da superfície de Marte. Ao chegar mais perto, a equipe se deparou com um padrão de polígonos quase perfeitos, espalhados como uma gigantesca colmeia sobre o solo do planeta vermelho. A surpresa não parou por aí: entre as rachaduras dessa estrutura, o veículo encontrou pedras escuras cuja origem ainda não tem explicação confirmada.
Como a estrutura poligonal foi descoberta em Marte?
A missão já percorre a superfície marciana há quase 14 anos e seguia rumo a uma área que parecia discreta nas fotografias captadas de órbita. Quando o rover Curiosity chegou ao local, as câmeras registraram um mosaico de formas geométricas que cobre o terreno como um piso gigante, com bordas bem definidas separando cada polígono. O cientista William Farrand, do Space Science Institute, descreveu a cena como parecida com o topo de uma colmeia marciana em escala descomunal.
O que intrigou os cientistas entre as rachaduras?
Antes mesmo de decifrar a origem dos polígonos, a equipe percebeu que fragmentos escuros estavam espalhados entre as frestas da estrutura. Esses seixos e blocos não combinam com a coloração predominante da região dentro da cratera Gale, e o time levanta três hipóteses para explicar de onde vieram.
- Fragmentos vindos de camadas rochosas mais antigas e situadas acima do local atual
- Material lançado por impactos ocorridos fora da cratera Gale em um passado distante
- Meteoritos que atravessaram a atmosfera marciana e pousaram diretamente ali
As pedras escuras podem ser meteoritos vindos do espaço?
Rochas parecidas já haviam sido analisadas pelo rover Curiosity em outras etapas da missão, e algumas continham níquel em quantidade relevante. Esse elemento é raro nas formações típicas do solo marciano, mas aparece com frequência na composição de meteoritos que chegam à superfície de outros planetas.
A presença de níquel reforça a hipótese de que ao menos parte das pedras encontradas entre os polígonos tenha origem espacial, mas os cientistas ainda não confirmam essa conclusão para todo o conjunto. Novas análises devem ajudar a separar o que é meteorito do que é apenas rocha marciana deslocada.
Por que esse tipo de padrão poligonal se forma?
A origem exata dos polígonos recém-descobertos ainda é desconhecida, mas padrões parecidos já foram registrados antes, tanto em Marte quanto na Terra. Aqui no nosso planeta, esse desenho costuma surgir quando o barro passa por ciclos repetidos de secagem e umedecimento, e as rachaduras vão se tornando mais regulares a cada novo ciclo.
- Solo passa por fases alternadas de umidade e seca ao longo do tempo
- Fissuras se reorganizam a cada novo ciclo até formar bordas mais retas
- Padrão final se aproxima de polígonos regulares, como os vistos agora na cratera Gale

O que essa descoberta pode revelar sobre o passado de Marte?
Se um processo parecido tiver formado os polígonos marcianos, isso sugeriria que a região viveu longos períodos alternando entre condições úmidas e secas. Essa informação interessa diretamente aos cientistas que tentam reconstruir a história climática do planeta vermelho e entender por quanto tempo a água líquida esteve presente na superfície.
O rover segue para uma nova etapa da exploração marciana
Depois de registrar os polígonos e as pedras escuras, o Curiosity seguiu viagem para uma área vizinha que aparece mais escura e mais irregular nas imagens de órbita. A equipe pretende usar os instrumentos do veículo para comparar essa nova região com o terreno recém-mapeado.
Enquanto os resultados das próximas análises não chegam, os dois mistérios seguem em aberto: a origem exata dos polígonos e a real natureza das pedras encontradas entre eles. Cada novo trajeto do rover soma dados que ajudam a montar esse quebra-cabeça geológico.