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Uma pequena vila sem asfaltos no Nordeste foi eleita a mais bonita do mundo e proíbe a entrada de carros

A vila do Nordeste onde carros são proibidos e a beleza natural surpreende o mundo

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Uma pequena vila sem asfaltos no Nordeste foi eleita a mais bonita do mundo e proíbe a entrada de carros
Jericoacoara era uma vila de pescadores sem energia elétrica ou estrada. / Imagem ilustrativa

Os pés afundam na areia assim que se entra em Jericoacoara. Não há calçadas, não há semáforos, e os fios de luz correm sob o chão. A pequena vila no litoral oeste do Ceará, a 300 km de Fortaleza, guarda ruas de areia por determinação legal e recebe cerca de 700 mil visitantes por ano sem abrir mão do ritmo de aldeia de pescadores.

A toca das tartarugas que virou destino mundial

O nome vem do tupi: yuruco (buraco) e cuara (tartaruga). Tartarugas marinhas ainda desovam na região, e pesquisas apoiadas pelo ICMBio indicam que a área já era ocupada há 1.200 anos, muito antes da colonização europeia.

Até os anos 1980, Jericoacoara era uma vila de pescadores sem energia elétrica ou estrada. A fama internacional começou quando o jornalista Cal Fussman, do The Washington Post, descreveu a praia como uma das dez mais bonitas do mundo. Em 1984, a área virou Área de Proteção Ambiental e, em 2002, parte do território passou a formar o Parque Nacional de Jericoacoara, com 8.863 hectares protegidos pelo ICMBio; mais recentemente, a revista Condé Nast Traveller também colocou Jeri entre as praias mais belas do planeta.

Onde o trânsito não existe, um antigo vilarejo preservado se transformou em destino desejado exclusivo para 4x4
Jericoacoara ideal para aventura: kitesurf mundial, ecoturismo sustentável, 300km Fortaleza e vilarejo acessível só 4×4/toyota. // Créditos: depositphotos.com / xura

Por que carros não entram na vila?

A proibição de veículos particulares dentro de Jericoacoara é uma exigência legal vinculada à proteção do parque nacional. A medida evita a erosão das dunas, preserva a vegetação nativa e mantém o ambiente que atraiu os turistas em primeiro lugar. Quem chega de carro próprio precisa deixá-lo em Jijoca de Jericoacoara e percorrer os últimos 15 km em jardineiras 4×4 autorizadas, atravessando dunas que mudam de forma com o vento.

Dentro da vila, tudo se faz a pé, de bicicleta ou em veículos credenciados. As construções respeitam limitações de altura e usam materiais de baixo impacto. A iluminação pública subterrânea permite a observação das estrelas e protege o ciclo natural da fauna. Esse modelo transformou Jeri em referência nacional de turismo sustentável, segundo a Embratur.

Onde o trânsito não existe, um antigo vilarejo preservado se transformou em destino desejado exclusivo para 4x4
Em Jericoacoara-CE, buggy pelas dunas, rede na rede e forró na praia. Curta o sol gostoso sem frescura no paraíso simples! // Créditos: depositphotos.com / Fotoember

O que visitar na vila e nos arredores?

Jericoacoara concentra atrações naturais em um raio curto, acessíveis de buggy, a pé ou de cavalo. Algumas são gratuitas; outras cobram taxa de acesso ao parque.

  • Duna do Pôr do Sol: ritual diário em que visitantes sobem 100 metros de areia para ver o sol mergulhar direto no mar. Ao entardecer, a roda de capoeira acontece na base da duna.
  • Pedra Furada: formação rochosa com arco esculpido pelo vento e pelo mar, acessível durante a maré baixa. É o cartão-postal mais fotografado do Ceará.
  • Lagoa do Paraíso: água doce cristalina com redes dentro d’água e restaurantes na margem. Fica a 15 km da vila, na sede de Jijoca.
  • Lagoa Azul: mais rústica e reservada, cercada por dunas brancas e vegetação nativa. Ideal para quem busca silêncio.
  • Serrote e Farol: ponto culminante do parque, a 95 metros de altitude, com vista de 360° sobre dunas, mar e vila. O farol funciona com energia solar.
  • Árvore da Preguiça: mangue-de-botão moldado pelo vento constante, no caminho entre Jeri e a Praia do Preá. Uma das imagens mais curiosas da geografia local.

Jericoacoara, ou apenas Jeri, é um dos destinos mais desejados do Brasil, localizado no Ceará, dentro da cidade de Jijoca de Jericoacoara. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com cerca de 52 mil subscritores, e apresenta um guia completo de 4 dias com roteiros, custos e dicas essenciais:

Quando os ventos e as lagoas definem a viagem?

O calor é constante o ano inteiro, com temperaturas entre 22°C e 35°C. A diferença está nas chuvas e nos ventos, que dividem o ano em duas temporadas bem distintas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (estação mais próxima). Condições podem variar.

O que comer na vila de ruas de areia?

A culinária segue o ritmo da pesca artesanal. Lagosta, camarão e peixe fresco saem direto das jangadas para os restaurantes dos becos iluminados por velas. O camarão com abacaxi virou clássico local. A tapioca é o combustível dos passeios pelas dunas. Nos quiosques das lagoas, o caranguejo é o petisco que acompanha a rede dentro d’água. À noite, a Rua do Forró reúne música ao vivo, caipirinha e uma energia que mistura sertão com brisa do mar.

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O antigo vilarejo de pescadores que está chamando atenção e se tornou um paraíso cobiçado para visitar
Jericoacoara-CE hipnotiza: pôr do sol na duna épico, kitesurf no vento e paraíso cearense que rouba o coração para sempre! // Créditos: depositphotos.com / ammonite

Como chegar ao paraíso sem asfalto?

O Aeroporto Regional de Jericoacoara, em Cruz, fica a 30 km da vila e recebe voos diretos de algumas capitais brasileiras. De Fortaleza, a viagem de carro pela CE-085 dura cerca de 4h30 até Jijoca. A partir de Jijoca, o trecho final de 15 km é percorrido em jardineira 4×4. Ônibus partem da rodoviária e do aeroporto de Fortaleza com passagem que já inclui a jardineira.

Vá antes que a duna mude de lugar

Jericoacoara é um daqueles destinos que não se repete: as dunas se movem com o vento, as lagoas enchem e secam conforme a chuva, e a Pedra Furada segue sendo esculpida pelo mar a cada maré. A vila que o Washington Post encontrou nos anos 1980 ainda existe, só que agora o mundo inteiro sabe onde fica.

Você precisa tirar os sapatos na entrada de Jeri e caminhar até a Duna do Pôr do Sol para entender por que 700 mil pessoas por ano fazem o mesmo caminho de areia.