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Uma vila paradisíaca nos Alpes Suíços promete pagar mais de 250 mil reais para famílias inteiras que aceitarem se mudar para lá

Morar em uma vila paradisíaca nos Alpes pode render mais de R$ 250 mil em incentivos.

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Albinen fica a cerca de 1.300 metros de altitude, no cantão de Valais, e vem perdendo gente há décadas.

A ideia de largar o trânsito, o barulho da cidade grande e o custo de vida absurdo para morar num vilarejo alpino de casinhas de madeira, ganhando dinheiro para isso, parece proposta de filme. Mas Albinen, vila suíça que paga quem se mudar para lá, existe de verdade. O detalhe que quase ninguém conta é que passar pelo filtro do programa é bem mais difícil do que o post viral sugere.

Por que uma vila com paisagem de cartão-postal precisa pagar para ter gente?

Você vê a foto no Instagram, com chalés de madeira encaixados na encosta e montanhas nevadas de fundo, e não entende como pode faltar morador num lugar desses. Só que essa é a realidade de muita vila alpina hoje.

Albinen fica a cerca de 1.300 metros de altitude, no cantão de Valais, e vem perdendo gente há décadas. Em 1941, tinha mais de 370 habitantes. Hoje, o número não passa de cerca de 250. Os jovens vão embora atrás de emprego nas cidades grandes, a escola local chegou a fechar por falta de crianças, e a economia da vila vive sob risco de encolher ainda mais.

A escola voltou a ter alunos, novas famílias se estabeleceram e o clima na vila mudou. / Créditos: Wikipédia

Quanto o município paga de verdade?

Os valores foram fixados em 2017, quando os moradores aprovaram o programa em assembleia. E são pagos em francos suíços, não em reais.

Os números oficiais são estes:

1
25.000 francos suíços por adulto Vale para cada adulto da família que se mudar em definitivo para a vila e cumprir todas as condições do programa.
2
10.000 francos suíços por criança Cada filho menor de idade que se mudar junto com a família soma mais essa parcela no total recebido.
3
Casal com dois filhos: até 70.000 francos A soma máxima costuma girar em torno desse valor para uma família tradicional que se estabelece no vilarejo.
4
Pago só depois da mudança oficial O dinheiro não vem antes da mudança, e é devolvido integralmente se a família sair antes do prazo mínimo combinado.

Quais são as regras que derrubam a maior parte dos interessados?

É aqui que o sonho encontra o real. As condições foram feitas para atrair morador de verdade, não turista atrás de bônus rápido. Depois que a notícia viralizou, o próprio prefeito relatou receber cerca de cem consultas por dia, e a maior parte não passava pelo primeiro filtro.

As exigências principais são:

  • Idade máxima de 45 anos para os adultos que se candidatam ao programa.
  • Ter cidadania suíça ou autorização de residência permanente, conhecida como visto Permit C, coisa que estrangeiro comum não tem.
  • Comprar ou construir imóvel próprio em Albinen com valor mínimo de 200.000 francos suíços.
  • Fixar residência principal na vila, sem uso como casa de veraneio ou apartamento de fim de semana.
  • Compromisso de permanecer por pelo menos 10 anos morando ali.
  • Devolução integral do valor recebido caso a família saia antes do prazo.

Ou seja, o benefício ajuda a comprar a casa, mas está longe de cobrir todo o custo. Estrangeiro que sonha em desembarcar no aeroporto, mostrar passaporte e sair com franco no bolso vai ficar decepcionado.

Vale a pena para quem preenche os requisitos?

Depende do que a pessoa está buscando. Compare os pesos da decisão:

Ponto A favor Contra
Estilo de vida Rotina no vilarejo Ar puro, silêncio, paisagem alpina, comunidade pequena Isolamento
Custo real Bolso final Bônus ajuda a pagar entrada do imóvel Imóvel caro
Trabalho Mercado local Turismo alimenta alguns serviços na região Poucas vagas
Compromisso Prazo mínimo Dez anos criam raiz na comunidade Multa pesada

O programa funcionou de verdade?

Em parte. Segundo dados divulgados pela agência SWI SwissInfo, cerca de cinco anos após o lançamento a vila havia recebido em torno de 50 novos moradores por meio do programa, o suficiente para reabrir a discussão sobre serviços locais que corriam risco de fechar. A escola voltou a ter alunos, novas famílias se estabeleceram e o clima na vila mudou.

Por outro lado, a repercussão internacional gerou uma sobrecarga inesperada. A prefeitura passou a receber centenas de pedidos por semana de gente que não preenchia os requisitos básicos, o que consumiu tempo e recursos do pequeno município. Hoje o programa segue de pé, mas com aprovação mais criteriosa e comunicação mais realista sobre quem realmente pode se candidatar.

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Vale sonhar com Albinen mesmo assim?

Voltando à foto do cartão-postal do começo: a vila é linda, o programa é real, e o dinheiro cai na conta de quem cumpre as regras. Só que a proposta foi desenhada para quem já tem vida montada na Suíça ou está disposto a construir uma por lá, não para quem quer atalho para escapar da rotina caótica das grandes cidades brasileiras.

Para brasileiro sem visto europeu, o caminho realista até a chance de se candidatar passa por anos morando legalmente na Suíça antes de sequer poder apresentar o pedido. Ainda assim, a história de Albinen serve como retrato de uma tendência maior: pequenas comunidades da Europa, da Itália à Espanha, começam a colocar dinheiro na mesa para não desaparecer do mapa. E isso, sozinho, já vale a leitura da matéria.

💡 Curiosidade O conjunto arquitetônico de Albinen, com seus chalés escuros de madeira agrupados em volta da igreja branca, é tão característico que a vila inteira consta no Inventário do Patrimônio Cultural Suíço.