Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, sobre as mudanças: “Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” Uma reflexão sobre como lidar com o que foge do nosso controle - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, sobre as mudanças: “Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” Uma reflexão sobre como lidar com o que foge do nosso controle

Viktor Frankl relaciona sofrimento, sentido e liberdade para explicar como lidar melhor com aquilo que foge do nosso controle

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, sobre as mudanças: “Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” Uma reflexão sobre como lidar com o que foge do nosso controle
Frankl destaca que algumas mudanças começam quando reconhecemos os limites do próprio controle (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl deixou uma reflexão sobre a maneira como enfrentamos situações que não podem ser modificadas. Conhecido por suas contribuições à psicologia e por sua experiência como sobrevivente dos campos de concentração nazistas, Frankl dedicou parte de sua obra à busca de sentido diante do sofrimento humano. Seu pensamento apresenta uma lição sobre adaptação, responsabilidade e liberdade interior, mostrando que nem sempre conseguimos transformar as circunstâncias externas, mas podemos encontrar novas maneiras de compreender e responder ao que acontece.

O que Viktor Frankl quis dizer sobre mudar a nós mesmos quando não podemos mudar uma situação?

A reflexão está relacionada à maneira como o ser humano enfrenta acontecimentos que ultrapassam sua capacidade de intervenção. Algumas experiências, como perdas, mudanças inesperadas e acontecimentos do passado, não podem ser desfeitas. Entretanto, a impossibilidade de modificar uma situação não significa necessariamente que todas as possibilidades de ação desapareceram.

“Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.”

A mensagem destaca que a transformação interior pode começar quando reconhecemos os limites do nosso controle. Isso não significa aceitar injustiças ou acreditar que toda dificuldade pode ser superada apenas com pensamentos positivos. O ensinamento convida a perceber que nossas escolhas, valores e atitudes podem oferecer novos caminhos, mesmo quando determinadas circunstâncias permanecem inalteradas.

✦
Curiosidade sobre Viktor Frankl

Viktor Frankl teve formação médica em neurologia e psiquiatria. Sua trajetória aproximou a prática clínica de questões filosóficas sobre liberdade, responsabilidade e a maneira como cada pessoa encontra sentido diante das circunstâncias.

Por que a experiência de Viktor Frankl influenciou sua visão sobre o sofrimento?

Viktor Frankl viveu entre 1905 e 1997 e enfrentou experiências extremas durante a Segunda Guerra Mundial. Como prisioneiro do sistema de campos de concentração nazistas, sofreu privações e perdeu familiares. Essas vivências influenciaram seus escritos sobre liberdade, responsabilidade e a possibilidade de encontrar sentido mesmo em situações profundamente dolorosas.

Em sua abordagem psicoterapêutica, conhecida como logoterapia, Frankl enfatizou a busca por significado como uma dimensão importante da existência humana. Sua reflexão não sugere que o sofrimento seja necessário para amadurecer, mas que, diante de experiências inevitáveis, encontrar algum sentido pode ajudar determinadas pessoas a continuar vivendo.

Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, sobre as mudanças: “Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” Uma reflexão sobre como lidar com o que foge do nosso controle
Frankl destaca que algumas mudanças começam quando reconhecemos os limites do próprio controle (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como reconhecer aquilo que realmente está dentro do nosso controle?

Uma das dificuldades mais comuns durante períodos de mudança é tentar controlar acontecimentos que dependem de outras pessoas ou de fatores externos. Essa tentativa pode provocar frustração quando os resultados não correspondem às expectativas. Identificar as possibilidades reais de ação pode ajudar a direcionar a atenção para decisões mais construtivas.

Algumas atitudes podem favorecer esse processo:

  • Reconhecer quais acontecimentos não podem ser modificados;
  • Identificar decisões que ainda dependem das próprias escolhas;
  • Evitar assumir responsabilidades por comportamentos de outras pessoas;
  • Estabelecer objetivos possíveis diante das condições atuais;
  • Buscar apoio quando uma situação ultrapassa os recursos individuais;
  • Compreender que mudar de direção não significa necessariamente fracassar.

Como mudar nossa atitude diante de situações que parecem não ter solução?

Mudar a própria atitude não exige abandonar sentimentos difíceis. Tristeza, medo e frustração podem surgir naturalmente diante de perdas ou mudanças inesperadas. O importante é reconhecer essas emoções e procurar maneiras de agir sem permitir que a sensação de impotência determine todas as decisões.

Na prática, algumas estratégias podem ajudar a desenvolver uma postura mais flexível:

  • Permitir-se sentir tristeza sem exigir recuperação imediata;
  • Reavaliar expectativas que deixaram de corresponder à realidade;
  • Procurar alternativas quando um plano original não pode continuar;
  • Evitar transformar dificuldades temporárias em julgamentos definitivos sobre a própria vida;
  • Valorizar pequenas possibilidades de ação durante períodos de incerteza;
  • Buscar acompanhamento psicológico quando o sofrimento se torna persistente.
Viktor Frankl, psiquiatra austríaco, sobre as mudanças: “Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” Uma reflexão sobre como lidar com o que foge do nosso controle
Frankl destaca que algumas mudanças começam quando reconhecemos os limites do próprio controle (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Por que aceitar a realidade não significa desistir de mudar as coisas?

Existe uma diferença importante entre reconhecer uma circunstância e concordar com ela. Uma pessoa pode aceitar que determinado acontecimento ocorreu e, ao mesmo tempo, procurar justiça, estabelecer limites ou construir condições melhores para o futuro. A aceitação, nesse contexto, representa compreender a situação presente para tomar decisões mais conscientes.

Mudar a si mesmo não significa assumir a culpa por aquilo que aconteceu. Em muitas situações, a transformação envolve aprender a pedir ajuda, abandonar cobranças excessivas ou reconhecer que determinados caminhos já não são possíveis. Essa postura permite preservar a responsabilidade pessoal sem ignorar fatores externos que também influenciam a vida.

Leia também: Ariano Suassuna, escritor brasileiro, sobre a vida: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” Uma reflexão sobre como encarar a realidade sem perder a esperança

Qual é a principal lição de Viktor Frankl sobre mudanças e liberdade interior?

A reflexão ensina que nossa existência não depende exclusivamente da capacidade de controlar os acontecimentos. Embora determinadas circunstâncias imponham limites reais, ainda podemos encontrar possibilidades de adaptação, reconstrução e aprendizado. Em alguns momentos, isso envolve agir para transformar a realidade; em outros, significa reconhecer uma perda, reorganizar prioridades e procurar novos caminhos.

O pensamento de Viktor Frankl sobre mudar a nós mesmos permanece relevante porque apresenta uma maneira de compreender as dificuldades sem negar sua existência. Nem tudo pode ser resolvido pela vontade individual, e nem sempre conseguimos escolher como nos sentimos. Entretanto, quando existem possibilidades de ação, podemos aprender a responder às circunstâncias de forma mais consciente. A principal lição está em reconhecer que não controlar tudo não significa perder completamente a capacidade de construir novos sentidos para a própria vida.