Vizinho planta árvore de grande porte, raízes racham piscina de luxo e dono da planta é forçado a pagar R$ 80 mil de reforma - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Vizinho planta árvore de grande porte, raízes racham piscina de luxo e dono da planta é forçado a pagar R$ 80 mil de reforma

O crescimento das raízes de uma árvore provocou danos em uma piscina de luxo.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Vizinho planta árvore de grande porte, raízes racham piscina de luxo e dono da planta é forçado a pagar R$ 80 mil de reforma
A lei protege o direito de plantar e o direito de não ser prejudicado pela planta alheia, ao mesmo tempo.

Um morador de bairro nobre plantou uma figueira colada ao muro dos fundos há doze anos, ignorando qualquer distância técnica. A árvore virou orgulho da rua, sombra do quintal, refúgio de passarinho. Também virou uma bomba subterrânea que rachou a piscina de R$ 80 mil do vizinho. O juiz mandou cortar as raízes invasoras e pagar a reforma inteira. A história é fictícia, mas o desfecho segue o Código Civil brasileiro.

Como uma figueira virou o orgulho da rua e o pesadelo do vizinho?

Seu Cláudio comprou a muda de figueira num viveiro da estrada em 2013, cavou o buraco no fundo do quintal e plantou a menos de um metro do muro divisório. A árvore cresceu bonita. Em cinco anos, dava figo para toda a vizinhança e sombra que baixava a temperatura da varanda em três graus.

Do outro lado do muro, o vizinho Rogério tinha instalado em 2020 uma piscina de fibra encomendada sob medida, com iluminação de LED e deck de madeira. Custou R$ 80 mil. As duas obras conviveram em paz por três anos, até que uma rachadura fina apareceu no fundo da piscina, no verão seguinte.

Vizinho planta árvore de grande porte, raízes racham piscina de luxo e dono da planta é forçado a pagar R$ 80 mil de reforma
A rachadura cresceu semana após semana. O vazamento consumia trinta mil litros por mês e a conta de água disparou.

O que aconteceu quando a rachadura virou vazamento?

A rachadura cresceu semana após semana. O vazamento consumia trinta mil litros por mês e a conta de água disparou. Rogério chamou o técnico da fabricante, que abriu o deck e encontrou o culpado: raízes grossas da figueira, empurrando a fibra por baixo como se fossem cabos de aço.

Rogério bateu na porta do vizinho e pediu providência. Seu Cláudio negou responsabilidade, disse que árvore no próprio terreno era direito dele e que ninguém provaria de quem eram aquelas raízes. Um perito judicial provou. E o juiz decidiu.

Mas afinal, o que o Código Civil diz sobre árvores plantadas na divisa?

O Código Civil, no artigo 1.283, é direto: as raízes e os ramos de árvore que ultrapassarem a divisa poderão ser cortados, até o plano vertical, pelo proprietário do terreno invadido. Não precisa de autorização judicial nem aviso ao vizinho.

O artigo 1.282 completa: a árvore cujo tronco fica na linha divisória presume-se comum. Mas quando a árvore está inteiramente no terreno de um lado e as raízes ou galhos invadem o outro, a responsabilidade pelo dano causado é integralmente do dono da planta, com base no artigo 186, que trata do ato ilícito e do dever de reparar.

Quais provas costumam sustentar uma ação por danos de raízes invasoras?

O juiz não decide por olhar de vizinho nem por foto solta. A ação de reparação exige um conjunto probatório que ligue a árvore, a raiz e o dano de forma técnica e documentada.

Os elementos que mais pesam na decisão são estes:

1
Laudo pericial de engenharia Perito nomeado pelo juiz identifica a espécie da raiz, sua origem, o caminho que ela percorreu no subsolo e a ligação técnica com o dano estrutural na piscina.
2
Análise botânica da árvore Espécies como figueira, sibipiruna e ficus benjamina têm raízes agressivas conhecidas, capazes de romper concreto, fibra e alvenaria em raio de vários metros.
3
Notificação extrajudicial prévia Comunicado formal ao dono da árvore, por cartório ou registro escrito, sobre o problema, dá base para a inércia dele agravar a responsabilidade civil no processo.
4
Orçamentos detalhados de reforma Três orçamentos de empresas especializadas para substituição da piscina, refazimento do deck e reparo de tubulações, servem como base para a fixação do valor da indenização.
5
Registro fotográfico ao longo do tempo Fotos datadas mostrando a evolução da rachadura, a chegada das raízes ao terreno vizinho e o estado anterior da piscina compõem o quadro cronológico do dano.

A lei está proibindo o brasileiro de plantar árvore no próprio quintal?

De jeito nenhum. A lei protege o direito de plantar e o direito de não ser prejudicado pela planta alheia, ao mesmo tempo. Árvore grande é patrimônio urbano precioso, ajuda no clima, na fauna e na qualidade do ar do bairro, e ninguém quer cidade sem sombra.

O que o direito de vizinhança exige é responsabilidade na escolha da espécie e na distância do muro. Uma figueira precisa de espaço; um pé de romã, uma cerejeira ornamental ou uma pitangueira convivem sem problema com a divisa.

Leia também: Vendedora de bolos recebe R$ 5 mil de Pix mensais na conta do filho de 14 anos, Receita bloqueia o menor e cobra imposto retroativo da família.

O que muda entre um plantio bem planejado e a figueira colada no muro?

A diferença entre uma árvore que dá sombra por décadas sem processo e uma que termina em ação de R$ 80 mil não está no amor à natureza nem no tamanho do quintal, mas na escolha certa da espécie e na distância mínima do muro divisório. Meio metro a mais evita meio ano de tribunal.

A comparação entre o que seu Cláudio fez e o roteiro juridicamente seguro fica clara na tabela:

Etapa O que seu Cláudio fez O que a lei exige
Escolha da espécie Porte da árvore Plantou figueira sem consultar orientação técnica Espécie compatível com o espaço
Distância do muro Regra técnica de plantio Cravou a muda a menos de um metro da divisa Recuo mínimo de vários metros
Reação à queixa do vizinho Ao receber notificação Negou responsabilidade e não tomou providência Corte imediato das raízes invasoras
Manejo preventivo Poda de raízes Nunca contratou poda técnica em doze anos Manutenção periódica documentada
Resultado judicial Sentença de reparação Condenado a pagar reforma integral da piscina Vizinhança preservada sem processo

O que se aprende com a história de seu Cláudio?

O amor pela figueira, pela sombra e pelos passarinhos não era o problema. Querer verde no próprio quintal é gesto legítimo, e o Brasil precisa de mais gente disposta a plantar árvore de grande porte na cidade. O erro foi escolher uma espécie de raízes agressivas, colar a muda no muro do vizinho e ignorar o pedido de providência quando a rachadura apareceu do outro lado. Este texto é informativo e não substitui a orientação de um advogado de direito imobiliário ou de vizinhança para o seu caso.

Quem realmente quer plantar árvore no quintal sem correr risco de indenização precisa seguir esse roteiro: consultar um paisagista ou engenheiro florestal antes de escolher a muda, verificar as normas municipais de arborização urbana (a prefeitura costuma ter lista de espécies recomendadas por tamanho de lote), respeitar recuo mínimo do muro divisório de acordo com o porte adulto da espécie (árvores grandes pedem vários metros), contratar poda técnica periódica de raízes e copa com empresa registrada, atender imediatamente qualquer queixa formal de vizinho sobre invasão de galhos ou raízes, e, ao receber notificação extrajudicial, autorizar o corte no ponto certo em vez de brigar. Um pé de árvore bem plantado dura décadas e não vira ação civil.