Wangari Maathai, ambientalista queniana e Nobel da Paz, sobre pequenas ações: "São as pequenas coisas que os cidadãos fazem que vão fazer a diferença. A minha pequena coisa é plantar árvores." Uma reflexão de quem liderou o plantio de mais de 30 milhões de árvores - Super Rádio Tupi
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Wangari Maathai, ambientalista queniana e Nobel da Paz, sobre pequenas ações: “São as pequenas coisas que os cidadãos fazem que vão fazer a diferença. A minha pequena coisa é plantar árvores.” Uma reflexão de quem liderou o plantio de mais de 30 milhões de árvores

Ambientalista uniu mulheres do interior do Quênia no plantio de mudas, enfrentou a repressão do governo e foi a primeira africana a ganhar o Nobel da Paz

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Wangari Maathai liderou o plantio de mais de 30 milhões de árvores no Quênia e ganhou o Nobel da Paz em 2004
Wangari Maathai liderou o plantio de mais de 30 milhões de árvores no Quênia e ganhou o Nobel da Paz em 2004 - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A queniana Wangari Maathai transformou um gesto simples, colocar uma muda na terra, numa das campanhas ambientais mais conhecidas do planeta. Primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz, ela defendia que a mudança começa nas atitudes miúdas de cada pessoa. A ideia de que as pequenas coisas feitas pelos cidadãos fazem diferença combina com a trajetória de quem ajudou a plantar milhões de árvores no Quênia.

O que Wangari Maathai dizia sobre as pequenas ações do cidadão?

Wangari Maathai pregava que ninguém precisa esperar grandes soluções para agir. A frase que circula com o nome dela, sobre as pequenas coisas dos cidadãos e a sua pequena coisa ser plantar árvores, traduz o espírito do trabalho de uma vida inteira.

O exemplo mais famoso desse pensamento é a história do beija-flor, que ela usava para falar com quem se sente pequeno demais diante de um problema. A página oficial do Movimento Cinturão Verde registra a conclusão da ambientalista: “Eu serei um beija-flor; farei o melhor que puder”.

Na animação abaixo, publicada no canal oficial do documentário Dirt!, a própria Maathai conta a história do beija-flor. O vídeo está em inglês e mostra como ela explicava o valor de fazer a sua parte.

Como o Movimento Cinturão Verde fez o Quênia plantar árvores?

O Movimento Cinturão Verde nasceu em 1977, fundado por Maathai dentro do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia. Segundo o histórico oficial da organização, a ideia surgiu para atender mulheres do interior que viam os córregos secando, a comida ficando escassa e a lenha cada vez mais longe.

Na história do beija-flor, Maathai ensina que cada um deve fazer o melhor que puder diante de um problema grande
Na história do beija-flor, Maathai ensina que cada um deve fazer o melhor que puder diante de um problema grande – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

A resposta foi o reflorestamento feito pelas próprias comunidades. Em vez de esperar o governo, as mulheres passaram a cultivar mudas e plantar árvores perto de casa, atacando de uma vez a falta de água, de alimento e de lenha.

A revista Africa Renewal, das Nações Unidas, informa que Maathai mobilizou quenianos, sobretudo mulheres, a plantar mais de 30 milhões de árvores. A página da ONU sobre os Mensageiros da Paz fala em mais de 40 milhões de árvores pelo país.

Quem gosta de frases que usam árvores para falar de paciência e futuro tem outra boa leitura aqui no site. O provérbio abaixo segue a mesma trilha de quem planta pensando adiante.

Por que plantar árvores rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004?

O Prêmio Nobel da Paz de 2004 reconheceu a ligação entre árvore, democracia e paz. O comitê norueguês destacou a contribuição de Maathai para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz, como lembra a página do Movimento Cinturão Verde sobre o Nobel.

Cuidar da árvore da calçada, economizar água e cobrar o poder público são pequenas coisas ao alcance do carioca
Cuidar da árvore da calçada, economizar água e cobrar o poder público são pequenas coisas ao alcance do carioca – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No discurso de aceitação, a ambientalista disse que sempre sentiu que o trabalho não era simplesmente plantar árvores. Para ela, o comitê mandava um recado: proteger e restaurar o meio ambiente também é trabalho pela paz.

Esse caminho teve um preço alto. Em protestos contra o governo do então presidente Daniel arap Moi, ela chegou a ser agredida por policiais e capangas. Anos depois, chegou ao Parlamento e virou vice-ministra do Meio Ambiente.

Que pequena coisa o ouvinte do Rio pode fazer pelo verde?

A pequena coisa pode ser plantar uma muda, mas o recado de Wangari Maathai vai além. Cuidar da árvore da calçada, economizar água, separar o lixo e cobrar o poder público também contam, porque ela tratava meio ambiente e cidadania como uma luta só.

Para o carioca, que sente o calor apertar e sofre com as chuvas fortes, o reflorestamento é assunto do dia a dia. Maathai morreu em 25 de setembro de 2011, mas o exemplo continua de pé. Que tal escolher hoje a sua pequena coisa e começar pela sua rua?

Se a conversa sobre sabedoria te pegou, tem mais leitura boa esperando por aqui. Confúcio também usou árvores para falar de caráter.