Esportes
Adversário do Brasil, Haiti teve primeiro doping das Copas e atleta sequestrado
País volta a disputar a Copa do Mundo depois de 52 anos e tenta superar episódios de 1974
Segundo adversário do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo, o Haiti volta ao principal evento futebolistico do calendário depois de 52 anos. A última pariticpação do país caribenho foi na edição de 1974, na Alemanha. A euforia pela classificação para o mundial, no entanto, seria ofuscado por um dos episódios mais controversos da história do esporte.
O destino complicou a situação dos haitianos já no sorteio. A equipe dividiu o grupo 4 com a então bicampeã Itália, além de Polônia e Argentina, que também tinham equipes respeitáveis. Fora de campo, os problemas seriam ainda maiores naquela edição.
Primeiro caso de doping nas Copas foi em 1974
Foi em 1974 que a FIFA implementou a testagem de doping nos atletas participantes da Copa do Mundo. O primeiro atleta flagrado tendo algum tipo de substiância ilícita para a prática desportiva em seu organismo foi o zagueiro Ernest Jean-Joseph. A testatem foi feita após a derrota, de virada, por 3 a 1 para a Itália.
Policiais políticos do Haiti, que vivia sob a ditadura de Jean-Claude Duvalier, o ‘Baby Doc’, sequestraram Jean-Joseph no hotel que servia de concentração para a delegação e o levaram para o aeroporto. De acordo com relatos amplamente divulgados na época, os oficiais receberam ordens de entregar o atleta com vida, mas sem restrições para agressões.
Prisão, humilhação e liberdade para defender o país
O fato de ter um representante do país envolvido em um escândalo com visivilidade mundial irritou o ditador, que em condições normais já não era tão comedido. O zagueiro chegou a ligar para os companheiros de seleção para informar que teria desembarcado em terras haitianas e que estava bem. Ainda assim, foi considerado criminoso e preso pelo regime.
Enquanto insistia em sua inocência, seria libertado por uma causa inusitada. Diante da diculdade de ter jogadores do nível de Jean-Joseph, o ditador Baby Doc odernou a libertação para reforçar a seleção haitiana. O país disputava as eliminatórias para 1978 e precisava. No entanto, apesar da reintegração, a classificação de quatro anos antes não foi conquistada.
A inocência de Jean-Joseph nunca foi comprovada. Ele deixou o país ainda em 1978 para atuar no futebol dos Estados Unidos e voltaria depois de dois anos para se aposentar. Sua morte, em 2020, foi por causas naturais. Baby Doc, por sua vez, seria destituído do cargo de líder supremo do país em 1986 e morreu em 2014.
Décadas depois, a situação humanitária do Haiti segue considerada uma das mais precárias do planeta. Ainda assim, o país está de volta à Copa do Mundo e está no Grupo C, ao lado de Brasil, Marrocos e Escócia.