Esportes
ARES quer recuperar 250 milhões de euros emprestados a John Textor para compra do Lyon
Fundo que financiou a compra do Olympique Lyonnais perde confiança em John Textor, exige pagamento imediato e pode forçar venda ou assumir controle do clube francês.
O fundo de investimento ARES, que emprestou 425 milhões de euros a John Textor para a compra do Lyon em 2022, agora exige o reembolso de 250 milhões de euros da dívida junto à Eagle Football Holding e busca afastar definitivamente o empresário americano.
Segundo informações da Bloomberg, a ARES apresentou a cobrança à Eagle Football Holding, estrutura que controla o Lyon, o Botafogo e o RWD Molenbeek.
No verão passado, o fundo já havia recuperado 175 milhões de euros com a venda da participação de Textor no Crystal Palace. Agora, quer receber os 250 milhões restantes rapidamente, possivelmente acionando uma cláusula contratual que prevê pagamento em até duas semanas.
A ARES teria abandonado qualquer tentativa de acordo amigável e perdido totalmente a confiança em John Textor, ex-presidente do OL. O desgaste final ocorreu quando ele tentou revogar dois administradores independentes antes da assembleia geral do clube.
Possível venda forçada ou tomada de controle do OL
Textor foi destituído imediatamente, em 28 de janeiro, do cargo de diretor da Eagle Football Holding Bidco. Apesar disso, teria contraído um novo empréstimo, em nome do Botafogo, junto ao fundo Hutton Capital — instituição já reprovada pela DNCG (órgão regulador financeiro do futebol francês) durante a análise malsucedida das contas do OL em junho passado.
Essas “violações contratuais”, consideradas inaceitáveis pela ARES, teriam acelerado as movimentações do fundo.
Com Textor fora do caminho, surge a questão da governança. Teoricamente, a ARES poderia:
- Forçar a venda dos clubes (OL, Botafogo e Molenbeek) para recuperar o investimento
- Assumir diretamente o controle do Olympique Lyonnais, considerado o ativo mais valioso do grupo
Michele Kang, que assumiu a presidência após Textor e injetou novos recursos, afirmou na assembleia que as finanças da Eagle Bidco estavam “fora do perímetro” da gestão atual do clube. Além disso, a recuperação esportiva e financeira implementada sob sua liderança pode agradar à ARES, que já exerce, na prática, forte influência sobre o futuro do OL.