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Atleta sofre racismo em jogo de vôlei em São Paulo e bicampeão olímpico se manifesta

Jovem atleta é alvo de racismo em jogo e partida é interrompida por 45 minutos

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Bicampeão olímpico rebate ofensas racistas praticadas no vôlei paulista - Foto: Pedro Teixeira/Vôlei Renata

O jovem jogador Yan Patrick Santana, de 20 anos, teve uma experiência chocante ao sofrer racismo em partida de vôlei pelo Paulista Sub-21, contra o Itaquá Vôlei, na noite da última sexta-feira (04), em Itaquaquecetuba. O episódio aconteceu enquanto ele se preparava para um saque, no início do terceiro set.

Manifestação de Maurício Lima

O ex-levantador bicampeão olímpico Maurício Lima, atualmente embaixador do projeto Vôlei Campinas, se posicionou nas redes sociais: “Simplesmente nojento. Até quando teremos que falar sobre isso? Yan Santana, estamos com você”, escreveu.

Detalhes do incidente

Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo atleta, ele ouviu ofensas como “seu preto sujo” e outras palavras racistas durante a partida. O agressor tentou fugir, mas foi contido por pessoas presentes no ginásio.

Repúdio do Vôlei Campinas

O clube Vôlei Campinas emitiu uma nota oficial de repúdio, afirmando que atletas, arbitragem e demais presentes ouviram as ofensas. A instituição reforçou que não tolera qualquer tipo de discriminação e se colocou à disposição para apoiar a vítima.

Foto: Pedro Teixeira/Vôlei Renata

Veja a nota de repúdio do Campinas:

“O Vôlei Renata vem a público condenar e repudiar veementemente os crimes raciais praticados contra o atleta Yan Patrick Santana, de apenas 20 anos, em duelo pelo Campeonato Paulista sub-21, no Ginásio do Municipal Sumiyoshi Nakahada, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Na virada do terceiro para o quarto set, o central do time de formação campineiro sofreu injúria racial de um torcedor do Vôlei Mania Itaquá.

O ato racista foi ouvido por jogadores, arbitragem e outros presentes no ginásio. O criminoso tentou se evadir, mas logo foi capturado. O duelo, que estava paralisado por estar no intervalo entre os sets, só foi retomado após cerca de 45 minutos com a chegada da Guarda Municipal de Itaquequecetuba e da Polícia Militar do Estado de São Paulo e a coleta de informação das partes.

É inadmissível que em 2025 precisemos comunicar para nossos torcedores e toda a sociedade civil que atitudes como essa e o racismo, em si, além de ir contra a dignidade humana, não tem nada a ver com os valores que devem nortear o esporte, como respeito, inclusão e igualdade.

Há menos de duas semanas, o Vôlei Renata assinou o Programa Antirracista pela Cor do Esporte, iniciativa inédita que busca reforçar a luta contra o racismo por meio da educação e do esporte. O projeto nasceu com entidades como o Ministério Público, a Puc-Campinas, a Federação Paulista de Futebol, o Deinter (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outros, reunindo esforços para garantir o cumprimento das leis antirracistas e ampliar a representatividade negra.

Por fim, o Vôlei Renata oferecerá todo amparo psicológico e legal ao central neste momento lamentável. Yan, com a hombridade que tem, ainda retornou à quadra e contribuiu para encerrar a vitória do Vôlei Renata, por 3 a 1, que, infelizmente, se tornou plano de fundo desse caso.”

Intervenção das autoridades

A partida precisou ser paralisada por 45 minutos até a chegada da Guarda Municipal de Itaquaquecetuba e da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que recolheram depoimentos das partes envolvidas e registraram a ocorrência formalmente.

Ação do agressor

O suspeito nega as acusações, mas permanece sob investigação. O caso mobilizou atletas e dirigentes a se posicionarem publicamente contra atitudes racistas no esporte, reforçando campanhas de conscientização.

O episódio reacende o debate sobre a presença de racismo no voleibol e em outras modalidades esportivas no Brasil, mostrando a importância de ações educativas e punições rigorosas para coibir qualquer forma de discriminação.

Jogadores, ex-atletas e torcedores se manifestaram nas redes sociais, demonstrando solidariedade a Yan Patrick Santana e cobrando medidas severas contra comportamentos discriminatórios no esporte

Itaquá e Federação Paulista se manifestam

O Itaquá Vôlei disse que repudia qualquer tipo de preconceito e lamentou o ocorrido. Reiterou que o xingamento partiu de fora da quadra e que vai trabalhar para evitar que novos casos ocorram.

A Federação Paulista de Vôlei informou que se solidariza com o time campineiro e com o atleta. A entidade disse que presta solidariedade ao jogador e que apoia ações voltadas a coibir o racismo.

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