Esportes
Casos mostram como empréstimos mudaram trajetórias de jogadores no futebol
Menos minutos em grandes elencos, mais protagonismo
Dar um passo atrás para dar dois pra frente é um daqueles clichês que todo mundo já ouviu, mas que ganha outro peso quando se olha para a carreira de jogadores de futebol. Quando um atacante como Endrick deixa o banco do Real Madrid para jogar no Lyon, a ideia de “recuar” para ganhar minutos em campo vira quase um laboratório de maturação, mostrando como uma mudança que parece perda imediata pode virar um grande impulso profissional na trajetória de um jogador jovem em um cenário de futebol de alto nível.
Por que sair de um gigante pode salvar uma carreira?
O caso de Endrick não é isolado. Em vários momentos, jogadores precisaram deixar clubes gigantescos para encontrar sequência em times teoricamente menores, abrindo mão de status imediato para ganhar rodagem, confiança e espaço para errar e corrigir, algo decisivo na transição de promessa para realidade.
Essas mudanças geralmente envolvem empréstimos, vendas com cláusulas de recompra ou decisões de tentar algo novo em outra liga. A lógica é quase sempre semelhante: sair dos holofotes de um elenco estrelado para assumir um papel mais protagonista em um projeto diferente, redefinindo carreiras de talentos subutilizados em grandes centros.

Como Casemiro saiu do banco do Real Madrid para dominar o meio-campo?
Um dos casos mais emblemáticos é o de Casemiro. Revelado pelo São Paulo e cercado de expectativas, ele chegou ao Real Madrid em 2013, começou no time B, ganhou alguns minutos no principal e até levantou uma Champions League, mas somou apenas 25 jogos e 657 minutos, muito abaixo do esperado para um volante tão promissor.
A virada veio com o empréstimo ao Porto, em 2014. Lá, Casemiro jogou 41 partidas, acumulou participações em gols, mostrou força física e se tornou peça de confiança, a ponto de o Real Madrid usar a recompra e trazê-lo de volta para virar titular, colecionar Champions e se consolidar como pilar da reconstrução recente do clube.
Quantos empréstimos cabem em uma virada como a de Ødegaard e De Bruyne?
Martin Ødegaard foi comprado pelo Real Madrid aos 16 anos e logo sentiu o peso de um elenco galáctico. Passou pelo time B, foi emprestado ao Heerenveen, depois ao Vitesse e só ganhou verdadeiro destaque na Real Sociedad, onde somou muitos jogos e enfim mostrou o potencial esperado desde cedo.
Depois, um novo empréstimo ao Arsenal virou ponto de virada, com compra definitiva e papel de líder técnico. História parecida viveu Kevin De Bruyne, que saiu do Chelsea, brilhou no Werder Bremen e no Wolfsburg, até se firmar no Manchester City como um dos melhores meias do mundo, mostrando que sair cedo de um gigante pode encurtar o caminho ao topo.

Quais lições os casos de Everton Ribeiro e Rafael Veiga trazem do Brasil?
No futebol brasileiro, a lógica se repete com frequência. Everton Ribeiro surgiu no Corinthians, foi emprestado ao São Caetano, voltou sem encontrar espaço em um elenco forte e acabou negociado com o Coritiba, onde teve sequência, regularidade e protagonismo suficiente para chamar a atenção do Cruzeiro.
No Cruzeiro, Everton Ribeiro virou peça decisiva, melhor jogador de campeonatos nacionais e, mais tarde, construiu trajetória de destaque no Flamengo. O clube formador viu de longe essa “descida” a um patamar intermediário virar etapa crucial de lapidação de talento, algo recorrente no cenário brasileiro.
Como Rafael Veiga transformou um empréstimo em protagonismo?
Rafael Veiga foi contratado pelo Palmeiras ainda com pouca experiência e sofreu para se adaptar em um elenco recém-campeão, jogando pouco em 2017. Para 2018, a escolha foi voltar ao futebol paranaense, dessa vez no Athletico, em um ambiente estruturado e com maior responsabilidade ofensiva.
No Athletico, Veiga participou diretamente de muitos gols, venceu a Copa Sul-Americana e retornou ao Palmeiras em outro estágio de carreira, até assumir protagonismo em decisões, levantar duas Libertadores e se consolidar como ídolo, reforçando o valor de um empréstimo com protagonismo em vez de minutos esporádicos.
Quais padrões aparecem nessas histórias de um passo atrás?
Essas trajetórias revelam um conjunto de elementos recorrentes que ajudam a explicar por que sair de um grande clube, em certos momentos, pode ser a melhor decisão para o desenvolvimento de um jogador jovem:
- Falta de minutos: o gatilho quase sempre é a pouca utilização em clubes com muita concorrência.
- Empréstimos estratégicos: as saídas costumam ser pensadas para ligas ou times que ofereçam mais titularidade.
- Aumento de responsabilidade: nos novos clubes, os jogadores viram protagonistas ou peças centrais.
- Evolução física e tática: com mais jogos, o nível de maturidade sobe rapidamente.
- Retorno em outro patamar: muitos voltam aos grandes clubes como titulares ou são vendidos a projetos ainda maiores.
Quando se olha em conjunto para Casemiro, Ødegaard, De Bruyne, Everton Ribeiro e Rafael Veiga, alguns pontos em comum se destacam. Em geral, todos passaram por momentos de pouca minutagem, dúvidas externas e críticas, mas usaram mudanças de cenário para crescer técnica e mentalmente.