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Da promessa ao mito: a trajetória de Messi com a camisa da Argentina
Em mais de duas décadas com a Albiceleste, craque superou críticas, derrotas e momentos difíceis até conquistar a Copa América, a Copa do Mundo e se transformar em um dos maiores ídolos da história do futebol.A trajetória de Lionel Messi com a camisa da Seleção Argentina é digna de um roteiro cinematográfico. Desde a estreia, em 2004, aos 17 anos, até a despedida em 2026, o craque argentino viveu praticamente todos os capítulos possíveis: encantou, sofreu com críticas, perdeu finais, chegou a anunciar a aposentadoria da seleção e, depois, conquistou os principais títulos que faltavam em sua coleção.
Ao longo de mais de duas décadas defendendo a Albiceleste, Messi transformou sua relação com o país. O jogador que durante anos foi cobrado por não repetir na seleção o mesmo brilho apresentado no Barcelona terminou a carreira internacional como campeão da Copa América, campeão mundial e um dos maiores ídolos da história do futebol argentino.

A estreia de um fenômeno
Em 29 de junho de 2004, Lionel Messi vestiu pela primeira vez a camisa da Argentina. O cenário foi o Estádio Diego Armando Maradona, casa do Argentinos Juniors, em uma partida contra o Paraguai pela seleção sub-20.
A estreia, porém, foi resultado de uma verdadeira corrida contra o tempo. Messi havia deixado Rosário aos 13 anos para morar em Barcelona e desenvolver sua carreira no futebol espanhol. O talento do jovem rapidamente chamou a atenção, inclusive da Federação Espanhola, que tentou convencê-lo a defender a seleção do país.
A Argentina, então, percebeu que precisava agir.
Uma fita VHS com imagens do jovem Messi chegou às mãos de Claudio Vivas, auxiliar de Marcelo Bielsa, em 2003. O então técnico da seleção argentina ficou impressionado com o que viu e chegou a pedir que o vídeo fosse reproduzido em velocidade normal, desconfiando que algum recurso tecnológico pudesse explicar a impressionante habilidade do garoto.
A AFA iniciou a busca pelo jogador. O objetivo era garantir que aquele talento vestisse as cores da Argentina.
A partida contra o Paraguai foi organizada justamente para isso. Messi entrou no segundo tempo com a camisa 17 e marcou o sétimo gol da vitória por 8 a 0. Era o primeiro capítulo de uma história que se tornaria gigantesca.

O primeiro título
Em 2005, Messi disputou a Copa do Mundo Sub-20, na Holanda. Aos 18 anos, já havia estreado pelo Barcelona, mas ainda não era titular absoluto da seleção argentina.
Depois de começar no banco na derrota para os Estados Unidos, Messi ganhou espaço e passou a ser decisivo. Marcou contra o Egito, a Colômbia e a Espanha, além de ter atuação fundamental na semifinal contra o Brasil.
Na decisão, diante da Nigéria, converteu dois pênaltis e ajudou a Argentina a conquistar o título mundial sub-20.
Messi terminou a competição como artilheiro e eleito o melhor jogador do torneio.
A primeira Copa do Mundo
Aos 18 anos, Messi foi convocado para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. O técnico José Pékerman sabia que tinha diante de si um talento especial, mas preferiu administrar a participação do jovem craque.
Messi fez sua estreia em Mundiais contra a Sérvia e Montenegro e precisou de poucos minutos para deixar sua marca. Entrou no segundo tempo e marcou um dos gols da goleada argentina por 6 a 0.
Na competição, ainda participou da vitória sobre a Holanda e entrou no segundo tempo das oitavas de final contra o México. A Argentina avançou, mas acabou eliminada pela Alemanha nas quartas de final, nos pênaltis.
Messi acompanhou a eliminação do banco de reservas, em uma decisão de Pékerman que provocou críticas.
O ouro olímpico
Dois anos depois, Messi conquistou mais um título importante com a Argentina. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, o craque foi peça fundamental na campanha que terminou com a medalha de ouro.
A presença do jogador na competição chegou a ser ameaçada pelo Barcelona. Messi precisou insistir para participar dos Jogos e recebeu autorização de Pep Guardiola, então técnico do clube catalão.
Em campo, respondeu à confiança. Marcou contra a Costa do Marfim, na fase de grupos, e diante da Holanda, nas quartas de final.
A Argentina venceu a Nigéria na decisão e conquistou o bicampeonato olímpico.
A proximidade da glória
Em 2014, Messi chegou à Copa do Mundo no Brasil já consolidado como um dos melhores jogadores do planeta. Quatro Bolas de Ouro estavam em sua coleção, e a expectativa era de que o craque finalmente conduzisse a Argentina ao tão sonhado título mundial.
Com a camisa 10 e a braçadeira de capitão, Messi assumiu o protagonismo.
Na fase de grupos, marcou contra Bósnia e Herzegovina, Irã e Nigéria, sendo decisivo para a classificação argentina. Depois, participou das vitórias sobre Suíça e Bélgica e esteve em campo na semifinal contra a Holanda.
A Argentina chegou à final no Maracanã, diante da Alemanha. O jogo terminou empatado em 0 a 0 no tempo regulamentar, mas Mario Götze marcou na prorrogação e deu o título aos alemães.
Messi recebeu a Bola de Ouro da competição, mas deixou o estádio com a frustração de ter ficado novamente a um passo do maior troféu.
As derrotas e o peso das críticas
Depois da Copa de 2014, Messi continuou sendo protagonista, mas a relação com a seleção argentina ainda era marcada por cobranças.
Em 2015, a Argentina chegou à final da Copa América e perdeu para o Chile nos pênaltis. No ano seguinte, novamente diante dos chilenos e novamente nas penalidades, a Albiceleste ficou sem o título.
Após a derrota em 2016, Messi anunciou sua aposentadoria da seleção.
O afastamento, porém, durou pouco. Convencido a retornar, o craque voltou a defender a Argentina e iniciou uma nova etapa de sua história com a equipe nacional.
O fim da espera
A grande virada aconteceu em 2021.
Na final da Copa América, novamente contra o Brasil, no Maracanã, a Argentina venceu por 1 a 0, com gol de Ángel Di María. Messi finalmente conquistou seu primeiro grande título pela seleção principal.
A imagem do craque emocionado após a conquista simbolizou o fim de uma longa espera.
A partir daquele momento, a história mudou definitivamente.
A consagração no Catar
Um ano depois, Messi comandou a Argentina na conquista da Finalíssima contra a Itália. Mas o capítulo mais importante ainda estava por vir.
Na Copa do Mundo de 2022, no Catar, a Argentina estreou com uma derrota surpreendente para a Arábia Saudita. O resultado aumentou ainda mais a pressão sobre a equipe.
Messi, porém, liderou a reação.
Com gols, assistências e atuações decisivas, conduziu a Argentina até a final contra a França. No estádio Lusail, marcou duas vezes e ainda converteu seu pênalti na disputa decisiva.
A Argentina venceu e Messi finalmente levantou a Copa do Mundo.
O troféu que durante tantos anos parecia escapar de suas mãos finalmente estava com o camisa 10.
A última dança
Depois de conquistar praticamente tudo com a seleção, Messi chegou a 2026 com a missão de disputar sua última Copa do Mundo.
A despedida internacional se transformou no capítulo final de uma trajetória que começou ainda na adolescência, quando a Argentina precisou correr para garantir que aquele jovem talento de Barcelona vestisse a camisa da Albiceleste.
Foram anos de títulos, derrotas, críticas, lágrimas e redenção.
Messi saiu de Rosário ainda criança, enfrentou problemas físicos, mudou de país, construiu uma carreira histórica no Barcelona e precisou esperar até os últimos anos de sua trajetória para conquistar os principais títulos com a seleção.
A história terminou como ele provavelmente sonhava quando tudo começou: com a camisa 10 da Argentina, a Copa do Mundo nas mãos e o reconhecimento de seu país.
Uma verdadeira odisseia. E, desta vez, com final feliz.