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De Kaká a Endrick: como Carlo Ancelotti costuma lidar com jovens talentos ao longo da carreira

A pouca utilização de Endrick por Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira reacendeu um debate que acompanha o treinador italiano há décadas

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Foto: Divulgação/CBF
Foto: Divulgação/CBF

A pouca utilização de Endrick por Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira reacendeu um debate que acompanha o treinador italiano há décadas: afinal, Ancelotti dá ou não oportunidades para jogadores jovens? A trajetória do técnico mostra que a resposta está longe de ser simples.

Ao longo de mais de 30 anos de carreira, Ancelotti acumulou histórias completamente diferentes. Em alguns casos, acelerou o desenvolvimento de futuras estrelas mundiais. Em outros, preferiu esperar mais tempo antes de entregar protagonismo. O padrão, porém, parece se repetir: para o italiano, idade nunca foi o fator principal — o momento do jogador, sim.

Endrick revive debate que acompanha Ancelotti há décadas

Na Seleção Brasileira e anteriormente no Real Madrid, Endrick ainda busca espaço sob o comando de Ancelotti. Durante a temporada 2024/25 no clube espanhol, o atacante teve poucos minutos e iniciou apenas oito partidas.

Foto: Reprodução

O cenário gerou questionamentos semelhantes aos que surgiram em outros momentos da carreira do treinador. Apesar da pressão externa, Ancelotti sempre defendeu uma linha de pensamento baseada em maturação gradual.

Essa postura acompanha o técnico desde os anos 1990 e já produziu resultados bastante diferentes.

Thierry Henry saiu frustrado após passagem pela Juventus

Foto: Tutto Sport

Um dos exemplos mais conhecidos aconteceu com Thierry Henry. Antes de se tornar ídolo do Arsenal e um dos maiores atacantes do século, o francês trabalhou com Ancelotti na Juventus.

Na Itália, Henry foi deslocado para atuar aberto pelo lado do campo e nunca conseguiu reproduzir o desempenho apresentado como atacante central no Monaco.

Anos depois, o francês revelou que sua saída aconteceu após uma reunião que considerou desrespeitosa com dirigentes e comissão técnica.

Posteriormente, Ancelotti reconheceu publicamente que errou na leitura inicial do atleta.

Segundo o treinador, o principal equívoco foi não perceber mais cedo que Henry deveria atuar como atacante e não como jogador de lado.

Arda Güler e Anthony Gordon também precisaram esperar

Casos mais recentes reforçam essa característica de Ancelotti.

No Real Madrid, Arda Güler teve poucas oportunidades inicialmente. Mesmo apresentando qualidade técnica e gerando expectativa entre torcedores, o meia turco recebeu minutos reduzidos durante grande parte do trabalho com o treinador italiano.

Ainda assim, o próprio jogador afirmou posteriormente que recebia conversas constantes e incentivo para continuar evoluindo.

Foto: Reprodução

Situação semelhante aconteceu com Anthony Gordon no Everton.

Quando tinha 19 anos, o inglês recebeu elogios públicos de Ancelotti, mas sem ganhar sequência imediata. O treinador defendia que o atacante precisava ganhar experiência antes de assumir protagonismo.

Posteriormente, Gordon se consolidou no futebol inglês e acabou se tornando uma das maiores vendas da história do clube.

Foto: SkySports

Quando Ancelotti acelera o processo: Kaká, Vinicius Jr e Buffon

Ao mesmo tempo, existem diversos exemplos que mostram o lado oposto da filosofia do italiano.

No Milan, Kaká chegou jovem e rapidamente virou peça central da equipe. Mesmo cercado por jogadores consagrados, conquistou espaço imediato.

Vinicius Jr também viveu transformação semelhante no Real Madrid. Depois de temporadas de oscilação, encontrou estabilidade e protagonismo justamente sob comando de Ancelotti.

Entretanto, talvez o caso mais emblemático seja o de Gianluigi Buffon.

Ainda no Parma, Ancelotti promoveu o goleiro quando ele tinha apenas 17 anos e o transformou em titular mesmo diante de concorrência experiente.

O próprio Buffon já afirmou diversas vezes que considera o treinador um dos nomes mais importantes para o início da sua trajetória.

O que o histórico de Ancelotti indica para Endrick?

Os exemplos mostram que Ancelotti não segue uma regra única para jovens jogadores.

Quando entende que o atleta está pronto, acelera o processo sem olhar idade ou hierarquia. Por outro lado, quando identifica necessidade de amadurecimento, prefere controlar minutos e evitar etapas apressadas.

Por isso, o histórico do treinador sugere que o pouco espaço atual de Endrick não necessariamente representa falta de confiança.

Na visão construída por Ancelotti ao longo da carreira, o desenvolvimento costuma ser tão importante quanto o talento.