Esportes
Em entrevista exclusiva, Edina Alves analisa os novos rumos da arbitragem brasileira
Árbitra FIFA projeta impacto do impedimento semiautomático no Brasileirão 2026 e celebra plano de profissionalização da categoria
Em entrevista exclusiva à Super Rádio Tupi neste domingo (4), a árbitra FIFA Edina Alves Batista analisou o atual momento do futebol brasileiro. Ela detalhou os desafios da profissão e projetou as transformações tecnológicas e estruturais que a arbitragem nacional sofrerá. Durante a longa conversa com a equipe de esportes, Edina celebrou seu prestígio global ao figurar entre as 10 melhores árbitras do mundo após rigorosa votação internacional. A profissional destacou que o reconhecimento reflete um esforço contínuo para elevar o nível técnico das decisões em campo.
A humanização do erro e a pressão das escalas
Quanto à pressão constante e às críticas severas que cercam sua posição profissional, Edina buscou humanizar a figura do mediador nas partidas. Nesse sentido, ela argumentou que o julgamento externo muitas vezes ignora a complexidade do trabalho realizado sob estresse extremo:
“O erro é humano. Acho que ninguém é perfeito, só que as pessoas gostam de ver às vezes o erro, o equívoco do outro, para ficar apontando e não olham para si mesmas. Nós vivemos do que acertamos, porque se nós começarmos a ter erros, você não vai ter escala. Pode saber que cada árbitro que entra dentro do campo de jogo, ele entra para fazer o seu melhor”.
O combate ao machismo e a disparidade de julgamento
A árbitra também abordou de forma direta o machismo presente no ambiente esportivo. Embora sinta que o respeito pela presença feminina tenha crescido nos últimos anos, ela ainda nota uma disparidade clara no processamento das falhas pelo público e pela imprensa. Edina acredita que a tolerância com os erros de árbitros homens é significativamente maior:
“Quando é mulher, uma coisa que acontece no meu jogo, as pessoas demoram anos e anos para esquecer. E quando acontece com um homem, ele faz dois, três jogos e já era, já esqueceram. As pessoas têm que analisar o profissional, não analisar porque é mulher ou homem e começar a colocar defeitos, críticas… colocar uma lupa maior porque quem está fazendo aquele profissional é uma mulher”.
A chegada do impedimento semiautomático
Questionada sobre o impacto do impedimento semiautomático no Campeonato Brasileiro de 2026, Edina mostrou grande entusiasmo com a inovação. Ela já utilizou a ferramenta em competições internacionais de alto nível, como a Copa do Mundo, e conhece bem os benefícios práticos. Para a árbitra, a tecnologia traz agilidade, reduzindo o tempo de espera que tanto incomoda os torcedores e jogadores:
“É um investimento muito alto que o (Samir) está fazendo e isso é a melhoria para o futebol, para o nosso produto… vai ter mais eficiência, mais rapidez. Não vai resolver todos os problemas, as pessoas pensam que não é bem assim, mas eu acho que é a melhor coisa que veio”.
O futuro com a profissionalização da categoria
Por fim, Edina celebrou o ambicioso projeto de profissionalização da arbitragem liderado por Samir Xaud na CBF. Afinal, essa mudança estrutural permitirá que os árbitros brasileiros alcancem um nível de preparação física e técnica equivalente ao dos atletas profissionais. Portanto, Edina ressaltou que a dedicação exclusiva é o caminho ideal para reduzir erros e valorizar o espetáculo:
“Isso vai ser bom para o futebol, porque o árbitro vai ter mais tempo para treinar, para se dedicar à profissão, para evoluir e para melhorar. Muitos árbitros trabalham, saem do seu trabalho, pegam um avião, vão para a cidade do jogo e depois no outro dia trabalham na partida. Então isso é uma maravilha que vai acontecer”.