Flamengo
Justiça absolve acusados do incêndio no Ninho; pai de vítima reage
Decisão absolve sete réus por falta de provas no caso que vitimou jovens atletas do Flamengo
A Justiça do Rio de Janeiro absolveu os sete acusados no processo que apurava responsabilidades pelo incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, o Ninho do Urubu. A tragédia, ocorrida em fevereiro de 2019, resultou na morte de dez jovens atletas da base rubro-negra e marcou definitivamente a história do futebol brasileiro.
A decisão foi proferida nesta semana pela 36ª Vara Criminal do Rio. O juiz responsável pelo caso entendeu que não houve comprovação suficiente de dolo eventual, tese sustentada pelo Ministério Público ao longo da ação. Com isso, todos os réus foram absolvidos.
O processo tramitava há mais de seis anos e envolvia dirigentes do Flamengo à época, além de responsáveis pela empresa que forneceu os contêineres utilizados como alojamento para os atletas.
A sentença destacou que, embora tenham sido constatadas irregularidades administrativas e estruturais, não ficou comprovado que os acusados assumiram conscientemente o risco de provocar o incêndio.
Decisão judicial encerra processo criminal
Segundo a fundamentação da sentença, o magistrado entendeu que não foi possível estabelecer nexo direto entre as condutas dos réus e a tragédia. Além disso, a Justiça considerou que os acusados não tinham ciência inequívoca de que o alojamento apresentava risco iminente.
Dessa forma, o juiz concluiu que não houve elementos suficientes para sustentar uma condenação criminal. A decisão, no entanto, não interfere nos acordos cíveis firmados entre o Flamengo e as famílias das vítimas ao longo dos últimos anos.
Ainda assim, o encerramento do processo criminal provocou forte repercussão entre parentes dos jovens atletas, que acompanham o caso desde 2019 em busca de responsabilização.
O incêndio ocorreu durante a madrugada, quando os jogadores dormiam no alojamento. O episódio comoveu o país e gerou debates profundos sobre segurança, estrutura e responsabilidade nos centros de formação do futebol brasileiro.
Desde então, o Flamengo promoveu mudanças estruturais no Ninho do Urubu e reformulou seus protocolos de alojamento e prevenção.
As dez vítimas do incêndio no Ninho do Urubu foram:
- Athila Paixão
- Bernardo Pisetta
- Cauan Emanuel
- Gedson Fernandes
- Jorge Eduardo
- Samuel da Silva
- Christian Esmério
- Matheus Falão
- Pablo Henrique
- Vítor Gomes
Ao longo do processo, a Promotoria defendeu que havia conhecimento prévio das condições inadequadas do local. A defesa, por sua vez, sempre sustentou que não houve negligência deliberada.
Com a sentença, o caso é encerrado em primeira instância, mas o Ministério Público ainda avalia a possibilidade de recorrer da decisão.
Ao fim da matéria, em áudio, Darlei Pisetta, pai do ex-goleiro Bernardo – uma das vítimas do incêndio – comentou a decisão em entrevista à Super Rádio Tupi.