Esportes
História curiosa revela que presidente do Brasil já foi jogador antes da política
Futebol e política já se cruzaram em diferentes países e épocas
Futebol e política geralmente aparecem juntos em palanque, foto oficial e promessa de campanha, mas, em alguns casos, a relação foi bem mais profunda: houve presidentes que, antes de sentarem na cadeira mais alta do país, já tinham defendido camisa, chuteira e até se aventurado profissionalmente nos campos, misturando bola, poder e momentos decisivos da história moderna.
Quem foi o craque da bola que virou presidente na Libéria?
Entre todos os presidentes que já calçaram chuteiras, o nome mais lembrado é o de George Weah, da Libéria. O país africano foi criado por ex-escravizados dos Estados Unidos, com apoio da American Colonization Society, ganhou nome em inglês e capital batizada de Monróvia, em homenagem ao presidente americano James Monroe.
Em 11 de setembro de 2018, aos 51 anos, Weah voltou aos gramados em um amistoso da seleção liberiana contra o time B da Nigéria, em Monróvia. Ele já não era só o maior jogador da história do país nem o primeiro africano a ganhar a Bola de Ouro: estava há nove meses no cargo de presidente, cargo que ocupou até outubro de 2023, em um governo marcado por denúncias de corrupção e vida de luxo.

Como um herói da independência da Argélia saiu do campo para o palácio?
No norte da África, outro caso chama atenção: Ahmed Ben Bella, primeiro presidente da Argélia independente, também teve ligação direta com o futebol. O país viveu uma guerra de independência sangrenta contra a França entre 1954 e 1962, e Ben Bella, jovem soldado, tornou-se liderança revolucionária e depois chefe de Estado.
Antes da política, Ben Bella teve um momento curioso nos gramados europeus. Alistado no exército francês ainda nos anos 1930, ele estava em Marselha quando a Segunda Guerra Mundial paralisou o campeonato profissional e, em 1940, entrou em campo pelo Olympique de Marseille em um jogo oficial contra o Antibes, marcando um gol em sua única partida no Campeonato Francês.
O primeiro presidente-jogador do mundo era brasileiro?
Pesquisas sobre presidentes que jogaram futebol costumam destacar Libéria e Argélia, mas, ao avançar nas fontes, surge uma surpresa: o primeiro chefe de Estado que realmente foi jogador de futebol teria sido do Brasil. Trata-se de João Fernandes Campos Café Filho, figura central na turbulenta política de 1954 e 1955, anos marcados pelo suicídio de Getúlio Vargas e por crise institucional.
Café Filho, vice-presidente eleito em separado, assumiu o cargo após a morte de Vargas e tornou-se o rosto da República. Décadas antes, porém, ele havia atuado como goleiro no futebol do Rio Grande do Norte, especialmente ligado ao tradicional bairro do Alecrim, em Natal, algo resgatado por pesquisadores locais e por sua autobiografia.
Como era o futebol de Café Filho e que curiosidade envolve a primeira-dama?
Para entender essa parte pouco conhecida da vida de Café Filho, é preciso olhar para o cenário do futebol potiguar no começo do século XX. Os grandes clubes de Natal surgiram em 1915: o ABC, batizado em referência ao pacto diplomático entre Argentina, Brasil e Chile; o América, homenageando o continente; e o Alecrim, time de bairro popular, ligado à vida social da região.
Pesquisadores relatam ainda um amistoso interestadual histórico entre o ABC e o Santa Cruz, do Recife, organizado por Café. O jogo marcou a primeira vez que um clube potiguar enfrentou um pernambucano, mas o próprio organizador foi proibido de ir ao estádio pelo pai, contrário ao futebol, e mais tarde, já na Presidência, enfrentou pressões militares ao pedir licença para tratar problemas cardíacos.
Quais são as histórias mais curiosas da vida pessoal de Café Filho ligadas ao esporte?
Além da carreira política acidentada e da passagem como goleiro, a vida pessoal de Café Filho guarda outra curiosidade ligada ao futebol: sua esposa, Jandira Café, é considerada a única primeira-dama do Brasil que foi jogadora. Eles se conheceram em 1919, quando Café se aproximou de um centro esportivo em Natal para montar um time feminino amador.
Nesse contexto, algumas passagens ajudam a entender melhor como esporte e vida pessoal se cruzaram na trajetória do casal:
- Jandira atuava como volante em um time feminino, algo raro em uma época de forte resistência ao futebol de mulheres.
- O relacionamento começou no ambiente esportivo e o casamento ocorreu 12 anos após o primeiro contato ligado ao futebol.
- Em suas memórias, Café registra que seus resultados em campo foram limitados, mas destaca que o futebol foi decisivo para o encontro que marcou sua vida.
Esses casos mostram que, por trás de cargos e faixas presidenciais, existem pessoas que já sentiram o cheiro da grama e o peso de uma partida decisiva, abrindo espaço para muitas outras histórias em que futebol e poder se cruzam em momentos-chave da política mundial.